Prioridade do governo em 2011 será corte de gastos

por giovanna publicado 19/01/2011 18h15, última modificação 19/01/2011 18h15
São Paulo – Reformas estruturais na Previdência e na carga tributária devem acontecer a partir do próximo ano, analisa especialista.

Reformas profundas e estruturais na Previdência Social e nas cargas tributária e trabalhista tendem a ficar para os próximos anos, principalmente por seu caráter controverso e impopular, prevê Alberto Almeida, sócio-diretor do Instituto Análise. Na avaliação dele, a prioridade para este início de gestão federal será a viabilização de cortes no orçamento, processo que exigirá uma negociação intensa – e muitas vezes conflituosa – entre governo e oposição.

“São cortes grandes a serem feitos; por isso, a negociação será difícil e prolongada”, comentou Almeida, em entrevista após participar de reunião do comitê estratégico de Diretores Comerciais da Amcham-São Paulo nesta quarta-feira (19/01).

Reforma previdenciária

Almeida considera que a reforma previdenciária será tratada com prioridade em relação às demais, uma vez que as contribuições estão se tornando insuficientes para cobrir as aposentadorias de uma população idosa cada vez maior. Ele calcula, entretanto, que os ajustes não serão feitos da forma ideal para corrigir o caixa.

O especialista disse acreditar que algumas mudanças regulatórias devem acontecer já neste ano. Ele espera, por exemplo, a aprovação de aspectos sobre a regulação da aposentadoria para trabalhadores recém-chegados ao mercado. Mesmo assim, já adianta que não terão a profundidade necessária para desonerar a alta carga de impostos e burocracia que atinge a sociedade.

Outras alterações que prometem vir ainda em 2011 estão relacionadas a tempo de serviço e critérios de contribuição, mas não para quem já contribui. “O mais provável, na área de Previdência, é que haja alguma mudança para os trabalhadores que entrarão no mercado e ainda nem se tornaram contribuintes.”

Os governos costumam relutar em ajustar as regras, apesar de perceberem essa necessidade. “A Europa ainda não fez uma reforma previdenciária radical, mesmo em crise”, exemplificou Almeida. Países com séria crise fiscal, como Grécia e Espanha, têm dificuldades para aprovar a ampliação do tempo de contribuição social e da idade limite de aposentadoria.