Queda de juros: entenda como o momento financeiro pode beneficiar o seu negócio

publicado 14/04/2020 19h07, última modificação 14/04/2020 19h09
Brasília – Conheça os subsídios oferecidos pelo Governo a juros baixos
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Linhas de financiamento a juros reduzidos, crédito para capital de giro e suspensão de pagamentos são algumas dessas iniciativas

Com a pandemia do Coronavírus, o mundo entrou em estágio de atenção para conter a propagação do vírus e salvar o maior número de pessoas. Mas este não é o único desafio. No mês passado, em que iniciaram as quarentenas nas principais capitais econômicas, o Fundo Monetário Internacional (FMI) já projetava para esse ano uma recessão global pior ou igual à de 2008, quando ocorreu o estouro da bolha imobiliária nos EUA.

Diante deste quadro, o Governo Federal vem apresentando diversas medidas a fim de mitigar impactos da crise. Entre elas, linhas de financiamento a juros reduzidos para a folha de pagamento de pequenas e médias empresas, crédito para capital de giro e suspensão de pagamentos de amortização de juros das operações de crédito com pagamento em até 36 meses. Para ajudar as organizações a entenderem e usufruírem de tais iniciativas, convidamos Felipe Guarçoni Pereira, sócio-diretor da Kapital Projetos e Leonardo Moisés, diretor de Planejamento do Correio Brasiliense para mais um Webinar da série Covid-19. A transmissão 'Como a atual queda da taxa de juros é estratégica em um contexto de crise' foi ao ar no dia 07/04.

 

CRISE EM TRÊS ETAPAS

O especialista em investimentos, Felipe salienta que essa crise deve ter três ondas e nós estamos apenas na primeira delas: em quarentena com restrições de consumo. A segunda será a médio prazo, quando voltarmos ao convívio social, porém, ainda preocupados com a conta econômica que irá chegar. Na terceira, a longo prazo, ele projeta que já teremos o antídoto: no entanto, continuaremos com restrições de consumo devido às perdas econômicas das etapas anteriores. “Falando especificamente deste curto prazo onde buscamos sobreviver, o Estado nunca foi tão importante quanto agora. É fundamental injetar dinheiro na economia para manter as empresas funcionando. Não estamos falando de resultados, mas de sobrevivência”, ressaltou.

O economista Leonardo complementa que no momento a preocupação é com a saúde das pessoas e o achatamento da curva, mas há outros impactos por vir. “A segunda onda é inevitável pelo aumento do desemprego, porque alguns empresários não terão acessibilidade ao tempo de recuperação. E, se as empresas aderirem a MP que prevê redução na jornada e dos salários, haverá uma perda na sociedade e principalmente as áreas que trabalham com bens de luxo”.

Um consenso entre ambos é que ainda é cedo para apontar as perspectivas para o futuro. “É momento de união e de fazer mudanças em nossas empresas que talvez antes tivéssemos receio. Ninguém quer que percamos vidas, mas também teremos coisas boas, teremos empresas mais eficientes e menos individualistas”, pondera Felipe. Para Leonardo, a economia está em um momento de frear para que mais a frente possa se estabelecer.

 

FUNDO CONSTITUCIONAL

Em meio à pandemia, o Conselho Monetário Nacional (CMN) instituiu linhas de crédito especiais com recursos dos fundos constitucionais de Financiamento do Norte (FNO), do Nordeste (FNE) e do Centro-Oeste (FCO). Esses financiamentos são voltados aos setores produtivos industrial, comercial e serviços. O objetivo é financiar o capital de giro das organizações e investimentos com a taxa de juros de 2,5% ao ano e prazo de reembolso de 24 meses. Para o capital de giro, o benefício é limitado a R$ 100 mil, enquanto o de investimentos tem limite R$ 200 mil por beneficiário.

Sobre o fundo, Felipe nos pontuou algumas ressalvas. “Quanto ao FCO à resolução 4798 do Banco Central, a taxa de juros foi para 2.5 % ao ano, mas o prazo de quitação é o mesmo. A redução dos juros é boa, no entanto, é necessário também estender o prazo de pagamento”, analisou.

 

COMO OBTER O FCO?

Para saber como sua empresa pode se preparar para obter o FCO acompanhe abaixo as dicas do especialista:

- Prepare demonstrativos de despesas e custos;

- Atualize seus demonstrativos financeiros nos seus bancos;

- Entre em contato com os bancos para aprovar novas linhas de crédito para que não haja uma morosidade na aprovação.

- “Por ser uma linha emergencial e de baixo valor, provavelmente o banco irá dispensar o processo de viabilidade econômica. É possível que seja um processo mais célere”, conclui Felipe.

 

OUTRAS LINHAS DE CRÉDITO PARA ENFRENTAR A CRISE

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) criou uma linha de financiamento para capital de giro destinado à micro e pequenas empresas de empresários individuais, empresas médias com um faturamento que não ultrapasse os R$ 300 milhões e os grupos econômicos com um faturamento de até R$ 300 milhões. Para este financiamento, os juros serão resultantes de três taxas - SELIC, TLP ou TFB - 1,25% ao ano será a taxa do BNDES e, por fim, a taxa do banco onde for solicitado o crédito. O limite de financiamento é de R$ 2,5 milhões por cliente para cada 12 meses ou se a quantidade de operações do cliente excederem o estabelecido pelo banco.

Para obter o empréstimo as empresas precisam:

- Preparar a comprovação dos custos de acordo ao porte da empresa: micro (até R$360 mil), pequena (entre R$360 mil e R$4,8 milhões), e média (entre R$4,8 milhões e R$ 300 milhões);

- Ir a um agente financeiro que seja credenciado pelo BNDES, como um banco ou agência de fomento e apresentar a documentação exigida pela instituição financeira.

Outra medida para as empresas se atentarem é a linha de financiamento a juros reduzidos para custear a folha de pagamento de pequenas e médias organizações no valor de R$ 40 bilhões. Os juros serão de 3,75% ao ano, com zero de spread bancário – lucros para os bancos – com carência de seis meses para as empresas começarem a pagar o empréstimo em até 36 meses.

Para serem elegíveis, as organizações precisam:

- Ter Receita Operacional Bruta (ROB) de R$ 360 mil a R$ 10 milhões;

- Não podem apresentar restrições no histórico de crédito nos seis meses que antecederam a crise da COVID-19.

 

ENTRAVES DE ACESSO ÀS LINHAS DE CRÉDITO

Na opinião dos especialistas, apesar dos incentivos, ainda existe um caminho para que o dinheiro chegue aos empresários. “Embora tenham sido criadas as linhas de crédito pelo BNDES, a conta ainda não chegou às empresas. O Banco do Brasil e a Caixa Econômica, por exemplo, ainda não estão fazendo os repasses. O grande problema é a burocracia dos agentes repassadores”, salientou o sócio-diretor da Kapital Projetos. Em complemento, o diretor de Planejamento do Correio Brasiliense observa: “O BNDES disponibilizou o recurso, mas o risco é todo do banco, o que quer dizer que se a empresa for inadimplente quem irá arcar com o custo para ressarcir o BNDES é o banco repassador”.

Em outras palavras, como o BNDES terceirizou os financiamentos aos agentes financeiros – bancos comerciais. O investimento é do BNDES, mas o risco da operação fica a cargo do banco repassador. Aos bancos cabe a responsabilidade de efetuarem toda a análise de crédito do cliente e para alguns financiamentos até mesmo incluírem taxas extras. “O banco tem em seu DNA o objetivo de lucro e aversão ao risco. Então, estão com receio de liberar os financiamentos, você encontra até mesmo a taxa final dessas operações chegando ade 10% a 12% de juros ao ano”, ressalta Felipe.

 

BUROCRACIA COMO ENTRAVE

Por sua vez Leonardo, ressalta a importância de que o Governo seja não apenas agente investidor, mas também fiscalizador. “Uma solução seria o BNDES criar estímulos ou penalidades para que os bancos se movimentem e acelerem este processo”, recomendou. E continuou: “O governo federal está tentando dar as condições para que a economia se mantenha. Infelizmente, os bancos que são a ponta do processo não estão conseguindo acelerar e fazer com que efetivamente o recurso chegue até as empresas”. Felipe finaliza deixando uma reflexão. “Será que enfim vamos conseguir vencer nosso histórico de burocracia para que as empresas sobrevivam à crise?”. Para os especialistas o custo da morosidade na concessão dos financiamentos pode ser a economia e o que as empresas esperam é a contrapartida social do DNA dos bancos.

 

O QUE SÃO OS WEBINÁRIOS?

São transmissões ao vivo de bate-papos e entrevistas, exclusivos online, sobre diversos assuntos do mundo empresarial. Diante da atual situação com a COVID-19 no Brasil, transformamos os encontros presenciais em atividades digitais e webinários.

PARA QUEM SÃO E COMO FUNCIONAM?

Os webinários especiais sobre a Covid-19 são públicos, totalmente gratuitos e podem ser acessados pelo link amcham.com.br/aovivo.