Racionamento de energia precisa ser decretado agora para não aumentar perdas na indústria e na economia

publicado 13/02/2015 11h10, última modificação 13/02/2015 11h10
São Paulo – Demora causará demanda maior por economia, diz consultor Marco Antônio Siqueira
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O racionamento de energia precisa ser decretado imediatamente para que a redução do consumo não seja tão grande a ponto de gerar perdas na indústria e na economia. Marco Antônio Siqueira, diretor da PSR Consultoria, alerta ainda para a necessidade de legislação específica para evitar “o caos” no setor, quando o corte já for realidade.

“O racionamento tem de começar agora para ficar em torno de 5% de redução do consumo, sem mexer com a produção. Se passar da hora, o governo vai perder o timing e o corte terá de ser maior, entre 10% e 15%, o que já mexe com a produção, impactando a economia”, afirma.

Ele participou do Seminário Eficiência no Uso de Recursos Naturais da Amcham – São Paulo, quinta-feira (12/02). Também participaram Antonio Carlos Zuffo, professor associado da área de Hidrologia e Gestão dos Recursos Hídricos, FEC – Unicamp, que abordou o ambiente hidrológico no país (leia mais aqui e aqui), e representantes das empresas Syngenta, Aquapolo, Whirpool, Volkswagen e Nestlé, que apresentaram projetos de eficiência com resultados positivos.

Reajuste de 41%

Como 74% da matriz energética são de hidrelétricas, que estão com os reservatórios em baixa, há necessidade de uma solução a curto prazo. “Importa chover agora, porque em fevereiro e março o volume (de precipitação) é muito baixo. Se esperar do céu, o racionamento vai se autodecretar”, ressalta.

“Mas o sistema, hoje, é mais complexo do que em 2001, o que pode gerar mais caos. É necessário fazer um comitê de crise e criar um arcabouço legal para amparar a situação”, reforça.

Segundo o consultor, o custo total do setor foi de R$ 47,6 bilhões em 2014, conta que pode chegar a R$ 100 bilhões esse ano, ultrapassando o prejuízo do apagão de 2001. A estimativa é de que a tarifa residencial tenha reajuste de 41% ainda em 2015. “Teremos custos nas tarifas até 2018 ou 2019”, diz.

Nova matriz

Com a situação crítica de reservatórios de hidrelétricas e de abastecimento humano, além das previsões de menor volume de chuvas nas próximas décadas (leia mais aqui), a mudança na composição da matriz energética também é necessária e urgente, defende Siqueira.

Ele avalia que a participação hidrelétrica na produção caia dos atuais 74% para 65%, em 2030. A energia eólica, cujo maior potencial é no Nordeste e no Sul, deve passar de 0,6%, registrado em 2014, para 11% em 2030.

“Há cinco anos o Plano Nacional de Energia retirou as térmicas do planejamento para os próximos anos sem sabermos por que, mas o que temos visto é a redução da hidrelétrica e o aumento das térmicas a carvão. O futuro é aumentar o uso das térmicas”, analisa. “A chuva vem diminuindo e isso não foi incluído no planejamento. Há um problema estrutural não resolvido,” complementa.

Para ele, a diversificação da matriz tem de ser debatida com a sociedade, em função dos custos ambientais de cada modalidade de produção. Um debate como esse, diz o consultor, nunca aconteceu, envolvendo variados setores e população.

Ele acrescenta que o país tem alto potencial para energias eólica e solar, que podem entrar como produções complementares, fornecendo energia no período de estiagem de chuvas. “No entanto, é preciso investir em infraestrutura para ligar essas produções ao sistema de distribuição do país”, declara.