Reformas estruturais são prioridade para Walmart, Credit Suisse, Caterpillar e Maubisa em 2018

publicado 06/12/2017 15h40, última modificação 07/12/2017 08h33
São Paulo – Para Flávio Cotini (Walmart), empresas querem pagar imposto “de forma mais fácil”

Empresas representativas de seus setores, Walmart (varejo), Credit Suisse (bancos), Maubisa (agronegócio) e Caterpillar (máquinas e equipamentos) revelaram que a grande expectativa do empresariado para 2018 é que o governo continue a agenda de reformas estruturais para tornar o país mais competitivo.

“Há muita coisa positiva para 2018. Inflação e juro de um dígito, e emprego que começa a dar sinais positivos. Agora temos que continuar a batalha de reduzir as ‘jabuticabas’ do Brasil. E a próxima é a simplificação tributária. Não queremos pagar menos imposto, queremos pagar (de forma) mais fácil”, destaca Flávio Cotini, presidente do Walmart, no Seminário Brasil 2018 da Amcham – São Paulo, realizado na terça-feira (4/12).

O painel também foi composto pelos líderes empresariais José Olympio (Credit Suisse), Odair Renosto (Caterpillar) e Maurílio Biagi Filho (Grupo Maubisa). “Outra coisa: falando como sociedade, é preciso ajudar na reforma da Previdência”, acrescenta Cotini.

Das três ‘jabuticabas’ que Cotini citou como dificuldades exclusivas de se fazer negócios no Brasil, estão a lei trabalhista, a complexidade tributária e a previdência social. “Uma delas, a trabalhista, está começando a ser removida”, acredita o executivo.

Com 65 mil funcionários, a operação brasileira do Walmart representa 3% do total de trabalhadores da companhia. No entanto, o número de reclamações trabalhistas no país supera o resto dos 97% da corporação, revela Cotini. “Nessa situação, fica difícil justificar investimento por aqui.”

Para o executivo, a reforma aprovada este ano deve flexibilizar a contratação e negociação com os funcionários. “Provavelmente, a nova lei vai jogar o Brasil vinte posições acima no ranking mundial de competitividade”, acredita.

Em relação à expectativa econômica para 2018, Cotini disse que o grupo vai investir até 1,5 bilhão de reais na modernização de supermercados e hipermercados nos próximos quatro anos. “Temos vinte clientes por segundo passando pelas lojas e estabelecimentos do Walmart no Brasil. Estamos confiantes que o pior da crise já passou e vamos nos preparar para as oportunidades.”

Credit Suisse

Olímpio também defende a continuidade das reformas. “É uma maluquice pagar imposto no Brasil”, concorda o executivo. “A estrutura que as empresas precisam ter para apurar, controlar e pagar um imposto é enorme, quando comparado a outros países. É um custo que se soma ao próprio imposto”, acrescenta.

Em relação à perspectiva econômica para 2018, Olímpio disse que a queda do juro básico e a criação da Taxa de Longo Prazo (TLP) vai incentivar o desenvolvimento do mercado de dívida de longo prazo no Brasil. A TLP substitui a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) e deve se equiparar gradualmente à taxa de mercado.

A antiga taxa, a TJLP, era usada pelo BNDES para empréstimos e definida por critérios políticos. Como estava sempre abaixo da taxa básica, as empresas só recorriam ao banco estatal para empréstimo de longo prazo. “A equiparação de taxas abre espaço para empresas, e até o BNDES, captar esse tipo de dívida no mercado nacional”, estima Olímpio.

Maubisa e Caterpillar

A complexidade tributária também foi comentada por Biagi, da Maubisa, e Renosto, da Caterpillar. Enquanto Biagi defende a criação de uma nova lei, Renosto disse que a empresa tem dificuldades de exportar em função de particularidades na apuração do ICMS.

“Compramos matérias primas localmente e recolhemos ICMS, que entra como crédito nos livros. Mas, no momento da exportação, não temos como compensar esse imposto na operação. Até temos condição de exportar mais, mas não podemos. Porque senão teremos mais crédito que não poderemos usar, e que vão afetar nosso resultado”, disse.

Apesar das dificuldades, Biagi destaca a importância da inovação no agronegócio e as perspectivas positivas para a pecuária. De acordo com Biagi, o rebanho bovino brasileiro deve terminar 2018 com 232 milhões de cabeças, confirmando a posição de segundo maior do mundo. “Teremos um rebanho maior, com possibilidade de crescimento por produtividade sem aumento de área”, afirma.