Saída da crise dependa da resolução de conflitos internos, diz professor de Cambridge

publicado 17/12/2015 16h35, última modificação 17/12/2015 16h35
Recife - O economista Tiago Cavalcanti analisou o Brasil no cenário internacional no Business Round Up da Amcham, em 15/12
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 Os conflitos internos precisam ser resolvidos para que o Brasil se torne mais competitivo no cenário internacional. Essa é a conclusão do economista Tiago Cavalcanti, professor da Universidade de Cambridge. Em palestra realizada no último dia 15, no Business Round Up da Amcham Recife, ele fez uma análise da economia brasileira no contexto global e falou dos desafios para o crescimento do país.

O especialista ressaltou a importância da resolução das questões internas ao comparar Brasil e Rússia. Embora situados em lados opostos do globo terrestre, os dois países passam por situação parecida, uma vez que devem acabar o ano com crescimento negativo. A razão da recessão é que os dois países estão sendo fortemente afetados por crises. A diferença é a origem delas. Enquanto a retração econômica da Rússia deve-se em grande parte ao seu envolvimento em conflitos armados e à queda acentuada do preço do petróleo, a brasileira é explicada por questões, acima de tudo, políticas, marcadas pela dificuldade do país em adotar as políticas públicas necessárias para garantir o desenvolvimento.

Ele citou a necessidade de ajustes imediatos a serem feitos na economia, de modo a, por exemplo, frear o crescimento da dívida pública. Ele também fez ressalvas à política de incentivos feita recentemente. “Incentivos fiscais podem ser, sim, bastante positivos, desde que usados de modo estratégico. Na Coréia, por exemplo, eles foram usados exigindo-se uma série de contrapartidas que as empresas deveriam cumprir para intensificar a competitividade no mercado internacional, e os resultados foram excelentes.”

OTIMIZANDO OS CUSTOS

Representantes de negócios locais também marcaram presença no Business Round Up para falar sobre como suas empresas estão lidando com a crise. O diretor-executivo da Avantia, companhia de TI voltada para o ramo de segurança, Sílvio Aragão, contou que reduziu os custos operacionais em pouco mais de 20% em 2015. “Austeridade e disciplina são capazes de transformar uma empresa”, defendeu. Ele destaca, porém, que é preciso ter cuidado para cortar apenas gastos com áreas não-estratégicas.

Outro participante foi o CEO da construtora Conic, Lucian Fragoso, que lembrou a necessidade de continuar investindo, mesmo em tempos de crsie: “na Conic, investimos bastante ao longo do ano em inovação e qualificação de pessoal e os resultados foram notáveis”, diz.