Sem gestão adequada de risco, empresa ficará exposta à falta de credibilidade, segundo diretor de auditoria da Abril

por andre_inohara — publicado 13/07/2012 11h07, última modificação 13/07/2012 11h07
São Paulo – Código de ética e regras de compliance são usados para garantir veracidade e retidão das reportagens de seu principal título, a revista Veja.
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Quando a gestão de riscos não é feita de maneira adequada, uma empresa pode ficar exposta a uma série de situações adversas que, se concretizadas, podem comprometer seriamente a reputação organizacional.

Na Editora Abril, há uma série de cuidados com as reportagens de seus mais de 70 títulos semanais, o que inclui a checagem de informações de acordo com os códigos de ética do jornalismo e regras de compliance (adequação aos limites legais).

Para Thomaz Scott, diretor de auditoria do Grupo Abril, o principal risco é a falta de credibilidade. “Todos os outros riscos (operacionais, legais etc.) geram o reputacional. No final, se você não está seguindo a lei, é o seu nome que vai para o mercado. Portanto, é a sua reputação que está sendo destruída pelo risco”, afirma o executivo.

Veja aqui: Empresa que não gerencia risco paga mais ao deixar problema se materializar, dizem executivos

Scott foi um dos painelistas do seminário Gestão de Riscos Corporativos, realizado na Amcham-São Paulo na quinta-feira (12/07), e falou ao site da Amcham após o evento. Leia abaixo a entrevista de Scott:

Amcham: Dentre todas as ameaças aos negócios, qual a que mais causa preocupação à Abril?

Thomaz Scott: É o risco reputacional. Temos a quarta maior publicação do mundo e a maior do País, que é a Veja. Até mesmo a capa da revista é uma coisa que incomoda muita gente, por isso temos que ter um grande trabalho para garantir que o que estamos divulgando não tenha impacto em nossa credibilidade. Também somos uma editora que publica 70 títulos toda semana. Gerenciamos todos os tipos de riscos, mas o que pode trazer sérias conseqüências à Abril é, de repente, não poder mais fazer uma revista como a Veja.

Amcham: Como é feito esse gerenciamento?

Thomaz Scott: Monitoramos todos os riscos e temos controles preventivos para evitar ameaças potenciais no futuro. Quando os indicadores de risco sinalizam alerta, traçamos um plano de ação com a pessoa responsável pelo risco e trabalhamos para evitar que isso não se torne efetivo. Mas creio que todos os outros riscos, se materializados, geram perda reputacional. Porque, no final, se você tiver um risco de compliance, é o seu nome que vai para o mercado. Portanto, é a sua reputação que está sendo destruída pelo risco. A causa pode ter se iniciado em compliance, mas o principal risco é o reputacional.

Amcham: Mas como uma reportagem publicada na Veja pode causar risco reputacional?

Thomaz Scott: A reportagem também pode ser um sucesso, o que é ótimo para nós. Mas se não houver um processo adequado de reportagem, pode acabar havendo informações falsas que vão destruir a empresa. Temos todo um processo de edição de revista para garantir que o que está sendo publicado é verdadeiro.

Amcham: Poderia dar detalhes?

Thomaz Scott: Trabalhamos com validação total de conteúdo. A apuração de informações respeita o código de ética da área de Compliance, e também tem o próprio código de ética dos jornalistas, que são muito críticos em relação a esse assunto. Há uma abordagem adequada para as fontes jornalísticas, obtenção de informações e acesso a conteúdo privilegiado.

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