Setor de logística automatiza processos para minimizar gargalos de infraestrutura

por marcel_gugoni — publicado 28/03/2012 15h51, última modificação 28/03/2012 15h51
São Paulo – Transportadora Americana é exemplo ao racionalizar processos com software que controla frota em tempo real.
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Qualquer atraso na entrega de um produto significa um prejuízo enorme para transportadoras e companhias envolvidas no negócio. Um caminho importante para ajudar a enfrentar as deficiências de infraestrutura do País e reduzir seus impactos sobre custos logísticos está na automatização dos processos e no gerenciamento remoto da frota que faz o transporte das cargas.

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Um exemplo vem da Transportadora Americana. Francisco Magri, diretor de Operações, afirma que a empresa reescreveu todos os seus processos para automatizar os segmentos em que atua.

“Fizemos mais de 1500 horas de reuniões para inovar os processos de automação já existentes e queremos cobrir com tecnologia 100% dos processos da empresa até 2013”, afirma ele, que participou nesta quarta-feira (28/03) do comitê aberto de Logística na Amcham-São Paulo. O comitê está realizando o ciclo de debates “Gestão x Gargalos de Infraestrutura” para analisar como as empresas investem em melhorias da porta para dentro, ou seja, em termos de aprimoramento da sua gestão, para compensar os gargalos da infraestrutura do País.

A experiência da Transportadora Americana confirma que investir na melhoria dos processos, no setor de logística, significa elevar a produtividade e minimizar os problemas – inclusive os externos, como a falta de estrutura das rodovias, o trânsito pesado ou o roubo de cargas.

Gerenciamento e controle

Softwares utilizados pela companhia são capazes de monitorar toda a frota, de pouco mais de 1500 veículos próprios ou terceirizados, e definir rotas de entrega para os mais diferentes distribuidores (40 pontos de distribuição) ou clientes em cada uma das 15 mil entregas diárias.

“É possível até prever o trânsito, saber se algum veículo está adiantado ou atrasado, qual vai viajar para alguma filial e onde há carros ociosos”, afirma.

O sistema chamado de roteirizador planeja a distribuição selecionando as cargas, informando seu destino e determinando a melhor rota a ser seguida, levando em consideração horários, limites de carregamento, velocidade, custos e particularidades dos destinatários e regiões de entrega.

“Trata-se de um sistema completo de coleta de dados que reduz nosso custo e melhora a nossa oferta de informação”, afirma. O objetivo é disseminar o controle sobre todas as etapas do transporte dentro da empresa. “Cada um dos motoristas tem um celular em que pode dar baixa online na carga assim que ela chega ao seu destino.”

Magri conta que os extravios caíram entre 40% e 50% após a mudança, sem falar na diminuição dos custos de reembolso aos clientes e na melhora do serviço de entrega. “[A automatização] nos permite ter um controle e uma transparência em um nível em que cada pessoa, em cada unidade, sabe como está o andamento da empresa diariamente. Até o cliente pode acessar o status da entrega dele”, explica.

Qualificação de mão-de-obra

Quatro pilares nortearam a mudança da Transportadora Americana: infraestrutura, tecnologia, processos e pessoas. O primeiro representa a maior parte dos ativos da empresa – os veículos e maquinários, os centros de distribuição e a localização de cada filial, “que deve ser escolhida a dedo em uma região estratégica para o nosso negócio”, diz Magri.

A tecnologia que ajudou na mudança dos processos foi essencial para atualizar a gestão da empresa, que já existe há 70 anos. Mas o grande problema ainda é de mão de obra.

“A mão de obra não é só a falta de motoristas, mas de gente qualificada em todas as áreas, incluindo liderança”, afirma. Ele avalia que o setor está perdendo muitos trabalhadores para a construção e a indústria devido a salários maiores ou outros benefícios trazidos pelo aquecimento da economia em geral.

A fim de qualificar seus empregados e retê-los nas vagas, a empresa oferece até o financiamento da habilitação para os motoristas. “Temos uma universidade corporativa, a Universidade do Transporte, com cursos e palestras de capacitação, e por meio dela ajudamos até a financiar a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) e ensinamos a operar os veículos”, conta.

Entre outras estratégias, há premiação por produtividade a funcionários de todos os níveis profissionais da empresa e bônus aos motoristas que conseguem cumprir os prazos de entrega. “Com esses benefícios, aumentamos a pontualidade e o cumprimento do trajeto em mais de 26%.”

Corte de custos

Magri diz que a automatização permitiu adotar modelos mais flexíveis de terceirização e franquia, mantendo o controle da frota e expandindo a área de atuação da empresa para regiões mais distantes. Caíram os gastos de frete e aumentou a qualidade do processo de entrega.

“Nossas filiais estratégicas têm como premissa atender com a nossa qualidade”, afirma. “Se quiséssemos chegar a algumas regiões distantes, sem parceiros pagaríamos só de frete o equivalente a 40% [do valor da carga]. Com nossa rede, esse valor fica em 10% a 15%.” Há centros de distribuição em dez Estados e no DF.

Os franqueados funcionam como um braço da empresa, trabalhando exclusivamente com os clientes, métodos e processos da matriz, embora os parceiros tenham sua própria gestão. Os terceiros são empresas independentes que podem compartilhar processos, mas não têm exclusividade de clientes.

“Acontece de a produtividade ser maior em algumas terceirizadas do que nas unidades próprias”, revela. A decisão de operar com um ou outro depende do investimento. “Há casos em que a demora da construção de uma unidade, da compra de veículos e do início da operação inviabilizam o atendimento à demanda no curto prazo. Então buscamos parceiros.”

Para Magri, o setor precisa mudar o paradigma de gestão do transporte para ganhar com a sinergia. “Com informações compartilhadas é possível evitar o erro de transportadoras e embarcadoras, por exemplo, atuarem como concorrentes”, afirma. “Sem envolvimento, não há comprometimento.”

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