Setor elétrico deve investir até 500 bilhões de reais nos próximos anos, afirma presidente da Eletrobrás

publicado 24/10/2016 15h13, última modificação 24/10/2016 15h13
São Paulo – Wilson Ferreira aponta a necessidade de melhorar processos de licenciamento para agilizar projetos
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Os investimentos do setor elétrico devem chegar perto de 500 bilhões de reais até 2026, de acordo com Wilson Ferreira Junior, presidente da Eletrobrás. “Estamos falando de 75 mil MW (megawatts) a serem instalados nos próximos dez anos, o que equivale a quase oito usinas de Itaipu. Para geração dessa energia, os investimentos necessários devem chegar a 270 bilhões. As linhas de transmissão vão exigir mais 108 bilhões de reais, aumentando o sistema em 70%, e a distribuição deve chegar a 100 bilhões”, disse, no seminário Soluções Para a Expansão da Infraestrutura no Brasil, realizado pela Amcham e Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib). “É o volume necessário para atender ao crescimento previsto de 4% do consumo no período”, acrescenta.

Ferreira se reuniu com empresários e instituições públicas para debater as perspectivas de investimentos em infraestrutura. Também participaram das discussões Marcos Almeida, sócio da Brookfield, Nilson Silva, diretor da Petrobras, Paulo Stark, presidente da Siemens, Bruno de Sena, presidente da Barbosa Mello Participações, Marcelo Elias, diretor da Marsh, Marilene Ramos, diretora do BNDES, e Paulo Galli, diretor da Caixa Econômica Federal, e Solange Pinto Ribeiro, presidente da Neoenergia.

O papel das agências reguladoras foi abordado por Dino Batista, secretário de fomento para Ações de Transportes, Rose Hofmann, diretora de licenciamento Ambiental do Ibama, Romeu Rufino, diretor geral da ANEEL (agência reguladora de energia elétrica),  e Jorge Bastos, diretor geral da ANTT (agência de transportes terrestres).

No entanto, Ferreira cita que a demora nos processos de licenciamento ambiental é um dos obstáculos à expansão dos projetos. O executivo defende a estabilidade de regras de atuação e financiamento que facilitariam a execução pelas empresas. “Isso daria mais credibilidade ao setor”.

As agências de regulação, responsáveis pelo cumprimento e fiscalização de normas, reconhecem a morosidade dos processos e comentaram algumas ações para melhorar a eficiência. No Ibama, a recomendação é que os empresários entendam os projetos e enviem os documentos estritamente necessários. Muitas vezes, recebemos estudos com mais de 15 mil paginas que pouco contribuo com a tomada de decisão, disse Rose.

“É preciso usar o bom senso. Não é preciso enviar um estudo detalhado de impacto hidrológico da construção de uma usina eólica, por exemplo. Sabemos que os efeitos são limitados em função da característica do projeto.”

Bastos e Rufino ressaltaram a importância de as agências possuírem autonomia para cumprir o papel de regulação setorial. Para Bastos, o governo tem sinalizado que pretende fortalecer a atuação das agências, oferendo mais recursos e respaldo operacional. “O ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) disse ser a favor da autonomia das agências. O tema está bem encaminhado.”

Para dar mais previsibilidade às regras de atuação do setor de transportes, Batista disse que a secretaria estuda a padronização de regras de investimentos dos vários modais, como rodovias e ferrovias. “Também somos favoráveis à adoção de arbitragem para a solução de conflitos”, afirma.