Sociedade tem que ajudar a desenvolver propostas efetivas para melhorar gestão de recursos pelo poder público, avalia presidente da Whirlpool

por marcel_gugoni — publicado 24/09/2012 16h56, última modificação 24/09/2012 16h56
São Paulo – Para João Carlos Brega, diálogo produtivo para propor eficiência na gestão de tributos é uma das saídas para enfrentar dificuldades que comprometem competitividade País.
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Empresas e consumidores estão acostumados a reclamar da alta carga tributária, que abarca 36% de todas as riquezas geradas no País. Mas uma discussão mais produtiva envolve propor soluções e cobrar maior eficiência do uso destes recursos. É o que afirma João Carlos Brega, presidente da Whirlpool, fabricantes de eletrodomésticos e bens de consumo durável.

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“A prioridade é de gestão”, defende. “Não podemos somente criticar, mas entender o que impede que o governo seja mais ágil [nos investimentos de recursos]. Temos que ajudar o governo a desenvolver propostas efetivas.”

A avaliação foi compartilhada durante o seminário “O que devemos fazer já para crescer 5% pelas próximas duas décadas?”, organizado pela Amcham-São Paulo na quinta-feira (20/09). O aumento dos investimentos em educação, para o executivo, apenas se dá com um uso mais racional do dinheiro público. Isso se consegue com diálogo e propostas consistentes das empresas e dos cidadãos.

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“Para mim, o ponto mais necessário é criar a consciência em cada um de nós de que temos que fazer a nossa parte e não só criticar”, aponta. “Vejo que é necessário que haja um diálogo construtivo com os agentes que de fato podem mudar algo, seja o governo ou o Congresso. A indústria e o comércio já fazem uma interlocução com os governos bastante produtiva. Com associações, temos canais de interlocução. Nosso papel é de propor pontos e rever a relação que inibe o setor público de ser produtivo como deveria.” 

Leia os principais trechos da entrevista com João Carlos Brega:

Amcham: Entre os temas tratados durante o evento, o que o sr. destaca?

João Carlos Brega: Não podemos somente criticar, mas entender o que impede que o governo seja mais ágil [nos investimentos de recursos]. São barreiras de tributação ou é o excesso de normas? É esse tipo de solução que nós, como sociedade civil, precisamos colocar em pauta. Temos que ajudar o governo a desenvolver propostas efetivas. É a gestão que precisa melhorar. No curto prazo, esse é o problema.

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Amcham: Quais aspectos mais chamam a sua atenção dentre as necessidades do País?

João Carlos Brega: O ponto mais necessário é criar a consciência em cada um de nós de que temos que fazer nossa parte e não só criticar. Vejo que é necessário que haja um diálogo construtivo com os agentes que de fato podem mudar algo, seja o governo ou o Congresso. A indústria e o comércio já fazem uma interlocução com os governos bastante produtiva. Com associações, temos canais de interlocução. Nosso papel é de propor pontos e rever a relação que inibe o setor público de ser produtivo como deveria. Nós como sociedade temos que nos unir. Temos que colocar nossa inteligência à disposição. Nessa medida, acreditamos que o Brasil tem condições de crescer. A sociedade civil precisa dar um passo adiante para atualizar e modernizar o que hoje é uma trava ao crescimento.

Amcham: Ter um mercado interno forte ajuda a resolver esses problemas, principalmente olhando do ponto de vista da sua empresa, que atua no setor de bens de consumo?

João Carlos Brega: Ter um mercado interno forte é o desejo de consumo de qualquer empresa ou pessoa que tenha um negócio. Olhando para trás, comparando com o nosso chamado “voo de galinha”, nós exportávamos e dependíamos do mercado externo. S qualquer país tivesse uma gripe, nós teríamos uma pneumonia forte e não sabíamos como curar isso. Hoje temos um mercado doméstico representativo, que faz com que, no curto prazo, sobrevivamos ou soframos menos por conta de uma força interna. Claro [que se as crises externas] durarem um período longo podem nos afetar também. O ideal é que, de fato, haja um balanço [entre o mercado externo e o interno].

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Amcham: Como o sr. vê o Brasil buscando enfrentar seus problemas internos em meio a uma tentativa de recuperação dos países da Europa e dos EUA?

João Carlos Brega: Os países afetados pela crise estão tentando resolver seus problemas. Nós também estamos fazendo nossos esforços.