Sucesso da agenda bilateral não é totalmente dependente do resultado das eleições nos EUA

publicado 22/06/2020 14h40, última modificação 22/06/2020 14h40
Brasil – Ainda que Trump simpatize com Bolsonaro, impasse na facilitação comercial vem da parcela do Senado norte-americano que não aprova o governante brasileiro
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Webinar trouxe análises dos impactos das eleições norte-americanas na relação bilateral entre EUA e Brasil

Mesmo com a sintonia entre Trump e Bolsonaro, o sucesso da agenda bilateral não depende totalmente do resultado das eleições nos Estados Unidos. Isso porque, segundo o gerente de análise política da consultoria Prospectiva, Thiago Vidal, a facilitação comercial precisa de apoio do Senado norte-americano, do qual uma parcela se opõe ao governante brasileiro. O executivo participou do webinar “Panorama das eleições dos EUA e seus reflexos para o Brasil”, promovido por nós no dia 19/06.

“Além do governo Trump não ter dado muita vantagem até agora, a facilitação comercial precisa de um apoio do senado e os democratas já anunciaram que não farão acordo com o Brasil enquanto tivermos o Bolsonaro como presidente”, afirma Vidal. A fala refere-se à carta do Comitê de Assuntos Tributários (“Ways and Means”) da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, publicada na quarta-feira (03/06), na qual democratas afirmam se opor ao plano do governo Trump de expandir os laços econômicos com o Brasil.

O motivo seria a desconsideração pelos direitos humanos e meio ambiente durante o governo Bolsonaro. O direcionamento da carta partiu do presidente do comitê, Richard Neal, e seus colegas democratas para o representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer. Ainda assim, Vidal acredita que não será uma derrota de Donald Trump ou sucesso do candidato Joe Biden que vai mudar o discurso do presidente brasileiro.

Além disso, o especialista não acredita que haverá para o Brasil uma frente muito mais segura com o Trump do que com o Biden e não aposta em um grande acordo comercial na agenda. Para o Distinguished Fellow do Wilson Center's Brazil Institut, Paulo Sotero, também presente no webinar, nunca houve, de fato, uma ação efetiva durante o governo Trump para com o país sul-americano. “Não há nenhum interesse em engajar com o Brasil, não acreditem nisso e não se iludam”, provoca Sotero.

Para o especialista do Wilson Center's Brazil Institut, as reuniões entre os representantes de ambos os países são pouco produtivas. “Pode haver reunião mesmo, porque o Brasil e os EUA são especialistas em criar reuniões e grupos de trabalho, mas isso não tem substância eu acho que não vai acontecer nada a partir delas”, manifesta.  A jornalista Correspondente da Folha de São Paulo, Marina Dias, também presente no webinar, concorda com Sotero e acrescenta: “O Brasil é tratado num grupo da América Latina onde outros países, como México e Colômbia, por exemplo, são muito mais importantes.” 

 

CORRIDA ELEITORAL

Para além do comércio, o atual governo dos Estados Unidos de Donald Trump é um dos pilares de sustentação para o governo Bolsonaro. Entretanto, os três especialistas acreditam que as circunstâncias atuais no país norte-americano dificultam a reeleição do candidato republicano. “O Trump é um promotor de instabilidade para um país tradicionalmente estável”, afirma Sotero.

Para Mariana, autora da série de reportagens “Os americanos”, da Folha de S.Paulo, a economia é peça-chave para o eleitorado que de Trump e hoje está em declínio devido à pandemia. Com o alto índice de desemprego no país e as grandes manifestações raciais, as pesquisas mostram que a popularidade do atual presidente dos EUA vem caindo drasticamente até por parte dos votantes que foram decisivos nas eleições de 2016.

A queda de aceitação do atual presidente de 49% para 39% em um mês é um campo a ser explorado por Biden. “As pesquisas indicam que o candidato republicano perde popularidade entre os eleitores independentes e isso é muito perigoso para ele porque ele venceu as últimas eleições por conta desse eleitorado”, avalia Marina, lembrando que isso pode ser decisivo para nas eleições desse ano.

 

ELEIÇÕES NOS EUA E IMPACTOS NO BRASIL

Para analisar quais serão os impactos das eleições norte-americanas no Brasil, em parceria com a Prospectiva, elaboramos uma série de relatórios sobre a disputa eleitoral. A primeira edição do relatório já está disponível para download. Além das publicações, organizaremos outras atividades online com debates sobre os candidatos e perspectivas. Baixe o app da Amcham (na Apple Store ou no Google Play) para ter o calendário de atividades atualizado e realizar sua inscrição.