Sudeste terá período de menor precipitação de chuvas até 2040

publicado 13/02/2015 11h05, última modificação 13/02/2015 11h05
São Paulo – Análise do professor Antonio Carlos Zuffo considera média histórica da atividade solar e de chuvas
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A atual baixa nos índices pluviométricos no Sudeste brasileiro não é novidade. O mundo está revendo um fenômeno visto entre 1935 e 1970, quando houve seca no Sudeste e no Nordeste do Brasil e nos EUA, enquanto a região amazônica, a Europa e o Japão eram atingidos por enchentes. O pior ano, com resultados drásticos para a população e a economia em todo o mundo, foi o de 1953. Na China, cerca de 30 milhões morreram pela fome, em consequência de secas e também inundações, coincidindo com forte inquietação social.

“Foi um período de 35 anos com severa estiagem nas bacias do Sudeste, o que acontece de novo agora. Até 2040 vamos observar redução da precipitação de chuva no Sudeste brasileiro”, alerta Antonio Carlos Zuffo, professor associado da área de Hidrologia e Gestão dos Recursos Hídricos, FEC – Unicamp. “Isso é fundamental para o planejamento energético e de abastecimento de água. As administrações têm que considerar que há esses períodos mais secos e os mais chuvosos”, reforçou no Seminário Eficiência no Uso de Recursos Naturais da Amcham – São Paulo, quinta-feira (12/02). Ele avalia que a falta de transparência e de participação popular na gestão agrava a crise da água (leia aqui).

Também participaram Marco Antônio Siqueira, da PSR Consultoria, que abordou o cenário energético no país (leia mais aqui), e representantes das empresas Syngenta, Aquapolo, Whirpool, Volkswagen e Nestlé, que apresentaram projetos de eficiência com resultados positivos.

Atividade solar

O quadro é resultado das variações da energia emitida pelo sol, o que se observa em séries históricas da atividade solar e dos ciclos hidrológicos. Quando a temperatura solar cai, reduz-se também a quantidade de chuvas.

O que determina qual região terá cheias e qual terá seca é a incidência de raios devido à inclinação do eixo de rotação da terra. Pesa, ainda, a redistribuição do calor pelas circulações atmosférica e oceânica, que têm capacidade de redistribuir o calor recebido do sol.

“Não acredito em aquecimento global, mas nas variações da atividade do sol. Estamos agora num período descendente, em que a temperatura do sol baixa, o que faz com que chova menos na nossa região e nos EUA, enquanto chove mais na Europa e no Japão”, explica. “Isso se repete na história, com ciclos solares de diferentes durações”, complementa.

Sufoco nos próximos meses

O estrangulamento do sistema Cantareira, na região metropolitana de São Paulo, está ligado ao período de seca que atingiu o Sudeste na metade do século passado, afirma Zuffo. “O sistema foi projetado na década de 70, dimensionado para períodos de baixa chuva. Depois ele operou em períodos de alta e não foi regularizado para a realidade de hoje”, expõe.

No entanto, as consequências da atual seca são diferentes das de 1953. “Naquela época, a agricultura fio mais impactada. Hoje, a população está nas cidades, há mais consumo e o impacto também é maior”, ressalta.

No curto prazo não há soluções e somente a chuva pode aliviar o quadro, que beira o racionamento em áreas como a Grande São Paulo, diz Zuffo.

Ele afirma que, antes do Cantareira, os sistemas Alto do Tietê, Rio Claro e Cotia vão entrar em colapso, deixando 70% da população do norte da região metropolitana sem água. “Vamos passar por períodos de sufoco nos próximos meses. O secretário de Segurança Pública já está preparado para a ocorrência de manifestações, que fatalmente vão acontecer quando a população ficar sem agua cinco dias, semanas, um mês”, avalia.