Tecnologia no fim do túnel: como tem sido a retomada do cotidiano na China com o coronavírus

publicado 22/05/2020 13h23, última modificação 22/05/2020 15h19
Brasil – No país epicentro da pandemia, medidas de segurança agora já fazem parte do dia a dia da população
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"A China já está digitalizada até nas vilas mais pobres, o que facilita o controle da pandemia por parte do governo e da população", afirma Rafael Gonçalves Lima, Editor do XInhua News

O novo normal já chegou na China. O país hoje vive um cotidiano diferente para conter a pandemia, onde tudo começou. Embora a população da nação asiática esteja voltando a viver o dia a dia comum, novas regras de segurança como a utilização de máscaras e registros de entrada e saída de locais públicos devem ser estritamente seguidas.

As medidas tomadas pela China devem-se muito ao grande avanço tecnológico no local, segundo relatam Thomaz Machado, CEO na ChinaInvest e Rafael Gonçalves Lima, Editor portal de notícias XInhua News. “A China já está digitalizada mesmo até nas vilas mais pobres, o que facilita esse controle da pandemia por parte do governo e da população”, afirma Rafael, acrescentando que todo o aparato tecnológico já estava sendo usado no país, ele apenas foi adaptado para o momento atual.

“Aqui a quarentena é um pouco diferente do Brasil, porque é uma quarentena que você é monitorado por uma pulseira com um QR code e chamado por vídeo pelo governo para verem se você está mesmo fazendo a quarentena”, explica Thomaz. Para controle, o país aproveitou a conexão da população e conseguiu criar QR codes para monitorar cada um dos cidadãos, verificando por onde passam, se estão doentes e se estão seguindo as regras de segurança. “Estamos cercados do uso da tecnologia nesse momento” acrescenta Rafael.

Na análise de Thomaz muitas coisas vão mudar, e o vírus veio adiantar determinadas tecnologias que até estavam à disposição das pessoas, mas existia certo receio de mudar e ainda se aguardava o momento certo. “O vírus fez com que aumentássemos em cinco anos as tecnologias que usaríamos”, confirma, acrescentando que na China já se vivia no sistema digital e isso foi justamente o que permitiu o governo fazer o monitoramento.  

 

CULTURA

Ambos os especialistas estiveram presentes em nosso webinar ‘O pós-China: estratégias inovadoras de negócios’, no dia 21/05. Além da tecnologia, eles mencionaram a cultura do país como um dos fatores para a retomada. “A China tomou atitudes muito rapidamente: quando a doença apareceu e eles identificaram com o que estavam lidando, a primeira escolha era preservar a saúde dos cidadãos”, explica Rafael, lembrando que o fator determinante foi a preocupação, principalmente, com a prevenção, e não com o tratamento.

Além disso, o jornalista menciona que o continente asiático todo já leva vantagem na 'cultura da máscara' porque isso já existia antes da pandemia. Thomaz lembra também da colaboração da população: “O que eu posso falar em um primeiro momento que eu considero mais importante é a união entre todos, todos seguem os mesmos comandos e cumprem esses comandos, tendo, assim, os resultados positivos”. Para o executivo, a grande chave do sucesso do país foi o planejamento, implementação e a participação da sociedade em seguir o que está sendo proposto.

Os exemplos da mídia e do governo também são fatores a serem lembrados: nenhum apresentador de televisão deixou de usar máscaras desde o início da pandemia e todos os políticos, a qualquer momento, estavam de máscaras de proteção. “A mídia teve um papel de estabelecer um exemplo e está ajudando a China a sair desse momento”, pontua.

Para ver a íntegra da atividade, acesse o Amcham Connect.