Tecnologia, globalização e mudanças climáticas são drivers de mudança no século XXI, segundo Friedman

publicado 02/03/2018 09h29, última modificação 26/03/2018 16h47
São Paulo - Colunista do New York Times participou da cerimônia de Posse do Conselho de Administração da Amcham

Desde que foram lançados, os chips da Intel tiveram uma melhora de performance de mais de 3 mil por cento, 90 mil em eficiência energética e de maneira cada vez mais barata. Se pudéssemos aplicar o mesmo nível de transformação nas últimas décadas a um carro – ou seja, se um veículo pudesse ser melhorado na mesma velocidade que esses microprocessadores foram, o que aconteceria? A Intel respondeu a essa pergunta. Se um modelo Volkswagen Beetle de 1971 passasse por tudo isso, ele viajaria a 300 mil milhas por hora e alcançaria dois milhões de milhas por galão de combustível - e custaria quatro centavos.

O exemplo, dado pelo jornalista e colunista do New York Times Thomas Friedman, ilustra a chamada Lei de Moore. Preconizada pelo cofundador da Intel Gordon Moore em 1965, a ideia é que o processamento de computadores e da informática de maneira geral dobraria a cada 18 meses. Friedman, convidado de honra da cerimônia de posse do Conselho de Administração da Amcham, realizada em 01/03, aponta que a transformação tecnológica é o principal driver de aceleração de mudanças, junto com o mercado e a natureza. “A Lei de Moore leva a mais globalização; mais globalização leva a mais mudanças climáticas, e também a mais soluções [tecnológicas]. E isso não está mudando o mundo – está reformulando tudo”, ressaltou.

O que aconteceu em 2007?

Esse é o ano em que Friedman identifica como um dos mais significativos em relação a tecnologia. Em 2007, Steve Jobs apresentava o primeiro modelo do iPhone. Ao mesmo tempo, empresas de software open source e armazenamento em nuvem começavam a despontar, o Airbnb surgia, saía o primeiro artigo que discutia o conceito de bitcoin e o Kindle era lançado.

A explosão dessas inovações colocou muito poder na mão de cada indivíduo – para ser um maker ou um breaker, como define. “O presidente que pode estar na Casa Branca, de pijama, e twittar diretamente pra um bilhão de pessoas sem um editor, sem filtro. O que é assustador: o ISIS pode fazer exatamente a mesma coisa de um bunker”, explicita.

As três mudanças climáticas

Segundo Friedman, há ao menos três “mudanças climáticas” atuando na sociedade de forma conjunta. As mudanças na natureza, com a destruição dos recursos naturais; a criação de um mundo interdependente, em que as nações precisam se unir e se ajudar para continuar a crescer; e, por fim, a mudança que a inovação está trazendo às empresas.

E como sobreviver a elas? Resiliência. Em busca de inspiração, o jornalista observou a própria natureza para buscar algumas respostas. “A natureza é extremamente adaptável, empreendedora, pluralista – os ecossistemas mais diversos são os mais resilientes -, nada é desperdiçado. A natureza também mata todas as falhas para alimentar seus sucessos. A empresa deve olhar para essas estratégias”, finaliza.

Inteligência artificial, educação e trabalho

Um dos principais desafios deste século, para Friedman, é saber usar a inteligência artificial e outras inovações como ferramentas de ajuda para pessoas trabalharem e a aprenderem melhor. Atualmente, a tecnologia está se desenvolvendo mais rápido que a média humana ou comunidade pode se adaptar. Por isso, é necessário que o trabalho e a educação se reformulem. “Ninguém mais pode se formar e depender só do diploma. O que você aprendeu no primeiro dia de aula na faculdade vai estar ultrapassado já no seu quarto ano", explica. O único jeito de ser um funcionário a longo prazo, explica, é ser também um aprendiz a longo prazo.