Transição para IFRS requer visão holística das empresas

por giovanna publicado 12/11/2010 18h41, última modificação 12/11/2010 18h41
São Paulo – Processo de implementação não pode ficar centrado nas áreas de contabilidade, orienta PwC.

A transição bem sucedida ao novo padrão contábil, o International Reporting Financial Standards (IFRS), demanda uma visão holística por parte das empresas, isto é, capacitação e integração dos mais diversos departamentos. A implementação não pode permanecer concentrada somente nas áreas de contabilidade, orienta Ivan Clark, sócio da PricewaterhouseCoopers (PwC) na área de Mercado de Capitais para o Brasil e a América do Sul.

“O recado central é que esse processo é holístico, não uma questão a ser resolvida somente pelos contadores. Toda a organização precisa comprender o novo padrão contábil e estar envolvida, desde os profissionais da tesouraria, das áreas de compras e vendas e do departamento jurídico até os de relacionamento com investidores, entre outros. O IFRS consiste em uma riqueza de informações”, alertou Clark, que participou nesta quinta-feira (11/11) do comitê estratégico de Finanças da Amcham-São Paulo.

O volume de informações e notas explicativas cresce no IFRS em relação ao modelo anterior. Dessa forma, são exigidos investimentos em tecnologia da informação (TI) e cuidados redobrados na imputação dos dados relativos ao dia a dia dos negócios. “Os investimentos em sistemas e capacitação são relevantes porque as mudanças são grandes”, disse o consultor.

Novidades e benefícios

Entre novidades trazidas pelo IFRS, as empresas terão de informar em seus balanços os resultados separados – lucro ou prejuízo – de cada um dos segmentos do negócio, bem como diferir essas informações pelas regiões geográficas em que operam. “Uma indústria de papel e celulose precisará demonstrar o desepenho da área de papel destacado daquele referente à celulose. Antes, o resultado vinha de uma maneira geral.”

Para reforçar o caráter complexo do IFRS, Clark também destacou que as companhias com ativos biológicos necessitarão apresentá-los a valor de mercado, distinguindo no balanço as alterações decorrentes de efetiva mudança de desempenho da empresas das resultantes de volatilidade dos ativos.

A principal vantagem da adoção do IFRS, ainda segundo Clark, se deve ao fato de se tratar de uma linguagem internacional, que permite aos investidores melhores leitura e base de comparação em relação aos balanços de companhias em diversas partes do mundo.

Histórico

O IFRS começou a ser utilizado na União Europeia em 2005 e atualmente está presente em mais de 100 países – em alguns já consolidado e em outros em processo de conversão.

No Brasil, a lei 11638/07 foi o marco legal para a convergência obrigatória ao IFRS pelas companhias de capital aberto, limitadas de grande porte (faturamento de R$ 300 milhões por ano ou ativos acima de R$ 240 milhões), instituições financeiras e seguradoras. O período de transição foi inicado em janeiro de 2009 e o prazo limite para adequação é 31 de dezembro deste ano.

No final de 2009, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis – formado por membros da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), do Banco Central (BC), da Receita Federal, da Superintendência de Seguros Privados (Susep) e da BM&FBovespa, entre outras entidades –, responsável pela promoção e pelo acompanhamento da adoção do modelo no País, desenvolveu um conjunto de normas específicas para a inclusão das pequenas e médias empresas no novo padrão, de modo menos complexo, o IFRS-PME.

“Existe uma colher de chá paras as pequenas é médias. Elas podem divulgar (as informações) de maneira mais simples”, explicou o Clark, da PwC.

No País, segundo o consultor, muitas companhias, principalmente as de capital aberto, que têm de seguir obrigações legais e regulatórias específicas, fizeram uma transição gradual desde 2008 de maneira bastante estruturada. Entretanto, há outra parcela de corporações que deixaram a implementação para a última hora, correndo o risco de se atrasarem na divulgação de seus balanços. “Agora, o desafio para adotar o novo modelo, em curto espaço de tempo, será certamente muito maior.”

Estados Unidos

Apesar da adoção do IFRS estar avançada no mundo, os Estados Unidos ainda não decidiram quando realizar sua migração para o padrão. A SEC (Securities and Exchange Commission), comissão americana de valores mobiliários, anunciou no final do ano passado que comunicará o cronograma de implementação somente em 2011.

“Na visão de analistas de mercado, a adesão dos EUA se dará em 2015 ou 2016”, afirmou Ivan Clark. Atualmente, os Estados Unidos têm aceitado o registro de empresas estrangeiras no padrão IFRS, mas as empresas americanas devem seguir o modelo contábil americano US GAAP.