Urbanização pressiona cadeia global de agronegócio e países devem encontrar soluções customizadas

publicado 13/08/2015 10h25, última modificação 13/08/2015 10h25
São Paulo – Para a DuPont, aumento de produção e redução do desperdício devem andar juntas
urbanizacao-foto01.jpg-7553.html

Até 2050 o planeta deve ter 9 bilhões de habitantes, urbanização crescente e maior classe média, principalmente na África e na Ásia. Esse novo cenário vai pressionar a agricultura sobremaneira, levando os países a realizar políticas conjuntas e soluções customizadas, opina Judd O’Connor, presidente para a América Latina da DuPont.

“Precisamos concentrar na qualidade dos alimentos. As abordagens devem ser mais locais e sustentáveis”, analisa O’Connor, que participou do Seminário Competitividade Setorial – Agronegócio da Amcham – São Paulo, na quarta-feira (12/08).

O evento também contou com o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues; Dolivar Coraucci Neto, CEO da Ourofino Saúde Animal; Floris Bielders, presidente da Mosaic Fertilizantes; e Julian Thomas, diretor superintendente da Hamburg Süd. Eles discutiram os desafios para a inserção do Brasil na cadeia de valor do agronegócio mundial, em paineis mediados por Miguel Daoud, comentarista, analista financeiro e apresentador do Canal Rural.

O’Connor cita que 80% do fornecimento alimentar no mundo são provenientes de pequenos agricultores e que há, atualmente, 800 milhões de mal nutridos. “Pertencentes a famílias de pequenos agricultores”, ressalta.

O ideal, segundo o executivo, é que se encontrem formas de impulsionar a tecnologia para os pequenos produtores, em ações que devem envolver soluções locais. “Temos que preparar próximos líderes para garantir a cadeia: cientistas, pesquisadores, professores, engenheiros, advogados e formadores de políticas”, diz.

Ele afirma que o debate deve priorizar a nutrição, em vez de calorias. E alerta para o desperdício de alimentos, que hoje chega a 1/3 do total, no mundo todo, o que também desperdiça mão-de-obra. Essa quantidade daria para alimentar 2 milhões de pessoas. No Quênia, por exemplo, 30% do leite produzido são perdidos por falta de refrigeração, armazenamento e tecnologias contra micróbios, entre outros fatores.

“É necessário proteger a segurança alimentar com colaborações entre instituições”, sugere.

“A urbanização não é novidade, mas nesse ritmo, há muita pressão na cadeia global. Precisamos reunir esforços para garantir o acesso à alimentação para todas as populações”, declara.