Veja três dicas para manter o capital de giro e liquidez em tempos de coronavírus

publicado 14/04/2020 13h05, última modificação 14/04/2020 13h05
Brasil – Medidas serão decisivas paras empresas na retomada após a crise
Estender canais de liquidez, desenvolver plano de contingência e realizar gestão de stakeholders são medidas decisivas para empresas na retomada após a crise.jpg

Estender canais de liquidez, desenvolver plano de contingência e realizar gestão de stakeholders são medidas decisivas para empresas na retomada após a crise

Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), o crescimento global de 2020 ficará bem abaixo dos níveis do ano passado devido à pandemia do coronavírus. Assim, para superar as dificuldades financeiras, as companhias estão correndo para encontrarem as melhores soluções diante de um cenário tão incerto. “Esse é o momento de priorizar liquidez acima de tudo”, afirma Beni Rosenzvaig, Diretor Executivo da EY e especialista em finanças corporativas.

O executivo, que participou do nosso webinar “Finanças: fluxo de caixa e liquidez em tempos de crise”, no dia 07/04, acredita que esse é o momento certo para recorrer ao crédito. “Os bancos e fundos estão vendo que tem que afrouxar um pouco nesse momento também para não perderem os clientes”, pontua.

Além do crédito, ele também listou três ações importantes para manter os negócios durante a pandemia:

 

ESTENDER CANAIS DE LIQUIDEZ

Pause operações que queimam caixa; postergue investimentos em CAPEX e P&D; maximize receitas pontuais, e, principalmente, empregue técnicas de gestão de crise ao capital de giro. “Olhe seu fluxo de caixa, veja aquilo que você tem adiante e aquilo que você pode contar que gerará retorno do seu cliente. Estamos vendo empresas, por exemplo, que mudaram a produção para apenas insumos necessários nesse momento”, explica.

“Eu acho que uma das coisas que as empresas poderiam fazer agora é pagar o que é relevante, não ‘matar’ o melhor fornecedor e, mesmo que já tenha caixa, manter uma linha de crédito alternativa preparada”, esclarece Cristiano Furtado, CFO Latam da Assurant, que dividiu a palavra com Beni durante o nosso webinar. Ele exemplifica com o caso da Assurant, que está financeiramente bem posicionada, mas deixou linhas de crédito já contratadas para uma situação de deterioração de caixa ou alongamento da crise.

Isso tudo porque, segundo Beni, a preocupação maior das empresas deve ser ter liquidez e se preservar, porque, em algum momento, haverá uma retomada a qual exigirá esse tipo de preparação. “Se nosso horizonte for de dois ou três meses, já temos um horizonte de retomada, e se você conseguir manter a liquidez, mesmo que seja mais difícil para você, isso vai fazer diferença”, esclarece, lembrando que essa decisão preparará a organização e manterá o capital de giro para os próximos meses.

 

DESENVOLVER PLANOS DE CONTINGÊNCIA

Nesse caso, é importante saber identificar desempenho temporário vs. Desempenho regular; sensibilizar fluxos de caixa ao panorama de riscos e aos planos de contingência; alinhar plano operacional; desenvolver e monitorar KPIs, e ter dashboards de resultados em tempo real. “É preciso se comunicar com os clientes e fornecedores para entender e negociar o fluxo de pagamentos e o fluxo de entregas”, pontua.

A redução de algumas despesas também é uma forma de conter os gastos e manter o fluxo de caixa. Entretanto, é preciso atenção para não tomar medidas que a longo prazo possam ser prejudiciais ao negócio. “O foco principal é o curto prazo e a preservação da liquidez. Se hoje você tem a capacidade de cortar esses gastos, tudo bem, mas se tomar medidas muito fortes, você pode não ter seu parceiro lá na frente”, adverte Beni.

Cristiano explica que a Assurant mantem no radar a necessidade de manter investimentos que vão nos garantir ganhos no futuro. “Investimos em tudo que traz capacidade operacional e melhora o atendimento ao consumidor”, comenta, lembrando que o grande problema ainda não chegou para as companhias: ele chegará daqui 45 ou 60 dias e impactará o fluxo de caixa. Beni finaliza: “Se você hoje não tem o benefício do fluxo de pagamento é possível rever e propor alguma medida alternativa que te traga algum benefício lá na frente”.

 

GESTÃO DE STAKEHOLDERS

Inicialmente, Beni sugere que se priorize e negocie condições que permitam a viabilidade a curto e longo prazos. “Tem que fazer isso com clientes, fornecedores, equipe interna, porque estão todos muito estressados”, lembra o executivo. Para isso, é preciso de um plano de comunicação conciso a todos os stakeholders (fornecedores, clientes, credores, acionistas, governo e funcionários) para estabelecer credibilidade e manutenção do controle. “No meu entendimento, as últimas medidas do governo dão liquidez ao mercado e buscam, exatamente, manter essas cadeias as mais estáveis possíveis”, finaliza.

 

O QUE SÃO OS WEBINÁRIOS?

São transmissões ao vivo de bate-papos e entrevistas, exclusivos online, sobre diversos assuntos do mundo empresarial. Diante da atual situação com a COVID-19 no Brasil, transformamos os encontros presenciais, inicialmente programados até o dia 31 de março, em atividades digitais e webinários.

PARA QUEM SÃO E COMO FUNCIONAM?

Os webinários especiais sobre a Covid-19 são públicos, totalmente gratuitos e podem ser acessados pelo link amcham.com.br/aovivo.