“A cultura da empresa é como os clientes a enxergam”, avalia guru de liderança empresarial

publicado 08/06/2016 15h14, última modificação 08/06/2016 15h14
São Paulo - Para Dave Ulrich, o cliente tem que sorrir de satisfação antes da empresa
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Um dos maiores especialistas mundiais em liderança e gestão de pessoas, professor da Universidade de Michigan Dave Ulrich se apresentou na quinta-feira (8/7), no Fórum Liderança para a Transformação, promovido pela Amcham-São Paulo. Participaram também Rodrigo Santos, presidente da Monsanto Brasil, Julio Zaguini, diretor de Relacionamento com Agências do Google e João Carlos Brega, presidente da Whirlpool América Latina, para discutir os desafios da liderança no Brasil de hoje.

Confira os destaques do evento:

Dave Ulrich, professor da Universidade Michigan e especialista em RH

Se você for transformar a sua empresa, mude a identidade e a imagem dela na mente do consumidor. Comece de fora para dentro: deixe os clientes definirem o seu valor.

Não importa tanto se você sorri para seu cliente. O que realmente vale é o sorriso do consumidor. A cultura da empresa é como os clientes e consumidores a enxergam.

Todas as empresas têm vírus em comum que impedem a mudança e cabe a nós identificar, expor e discutir esses problemas, como num casamento.

Tempos difíceis nos dão a oportunidade de gerenciar a transformação, a mudança e a agilidade para nos dar a posição vencedora para o futuro.

O que sabemos sobre implementar mudanças é que você precisa transformar o que você sabe que precisa fazer naquilo que você faz. Nossa obrigação é ter a disciplina necessária para realizar essa transformação.

Vemos líderes falando uma coisa e fazendo outra. A hipocrisia atrapalha a mudança.

A falha é uma coisa muito boa se a gente fracassar na direção do progresso, porque assim estamos aprendendo e melhorando. Pesquisas dizem que o item que mais prevê o sucesso na liderança é a resiliência, a habilidade para melhorar.

Se pegar a nossa energia e concentrar no governo, vai sobrar pouco combustível para a nossa transformação e liderança do negócio.

A maior parte das empresas não tem sucesso porque não consegue se transformar, se ajustar e se renovar naquilo que é necessário. Há pessoas que viram as mudanças e pessoas que não viram.

 Julio Zaguini, diretor de Relacionamento com Agências do Google

Aproximadamente 25% das perguntas feitas na ferramenta de buscas do Google, todos os dias, são coisas que ninguém perguntou antes. São assuntos absolutamente novos. Ou seja, é preciso adotar um modelo organizacional que leve em conta a atual velocidade da transformação do mundo.

Em conversas com o mercado, descobrimos que muitos de nós[executivos brasileiros] ainda tenta lidar com desafios a partir de fórmulas antigas, que a gente deveria revisitar, como o papel dos líderes e dos dirigentes.

Nós estamos vivendo uma transformação a partir da tecnologia que é brutal e que nos permite encarar os desafios do momento de formas diferentes, levando em conta de que forma a tecnologia nos permite enfrentar esses desafios.

Nesse mar de incertezas, os líderes tem um desafio gigante que temos é a de combinar a necessidade de adaptar os negócios à transformação da sociedade, impactada pela tecnologia, com o momento econômico peculiar do nosso país. É difícil, mas existem fórmulas e jeitos de lidar com isso.

Rodrigo Santos, presidente da Monsanto do Brasil

O desafio no setor [do agronegócio] é transformar a agricultura aumentando a produtividade e de forma sustentável.

Foi-se o tempo em que a liderança estava no topo da organização. A liderança hoje está na base da organização.

Um dos desafios é ser um líder que promove uma cultura de inclusão.

Gostaríamos muito de ser uma empresa que se beneficia pelo tamanho e pela presença, pelo fato de ter 115 anos, mas que pudesse operar como uma startup, com velocidade, agilidade e capacidade de transformação.

 João Carlos Brega, presidente da Whirlpool para a América Latina

Não adianta ter incentivo aos funcionários se, na primeira falha, ele é demitido. A meritocracia é baseada em falhas. Quando começamos a inovar, a taxa de falha é alta. É importante que as organizações reconheçam isso.

Nosso papel como executivos é preparar as mudanças, não importa se nossa área é o Recursos Humanos ou Finanças.

A transformação é exigida todos os dias por causa do mercado competitivo em que estamos.

Na Whirpool, temos um ponto central na nossa cultura que é: não existe jeito certo de fazer a coisa errada. É vencer respeitando as regras.

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