“Curtir” na internet é modo de alavancar qualquer produto, afirmam especialistas em vendas

por marcel_gugoni — publicado 17/02/2012 09h24, última modificação 17/02/2012 09h24
Marcel Gugoni
São Paulo – Internet se consolida como canal de vendas e de troca de opiniões entre consumidores, e ficar de fora pode significar fracasso da empresa.
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Um pequeno botão azul com um sinal de positivo em uma rede social pode ser responsável por impulsionar as vendas de um produto, da mesma forma que uma reclamação inocente pode significar o fim da produção daquele item. O fato é que a internet se consolidou tanto como um canal de vendas e de troca de opiniões entre consumidores que, para qualquer empresa hoje, ficar de fora da web pode significar seu fracasso.

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“O consumidor ganhou voz. Antes de comprar, ele vai ao Reclame Aqui [site que reúne reclamações de consumidores] pesquisar sobre o produto, pergunta no Facebook e considera fundamental as opiniões dos amigos na decisão de compra”, afirma André Carvalho, gerente nacional de Key Accounts da fabricante de calçados Grendene. “Hoje, o ‘like’ [o botão curtir do Facebook] em massa alavanca qualquer venda.

O tema foi um dos assuntos debatidos no seminário Perspectivas Comerciais 2012, realizado na Amcham-São Paulo nesta quinta-feira (16/02). Participaram executivos de empresas como Sodexo, Microsoft, Grendene, Serasa Experian, Whirlpool, C&A Modas, Cielo, Singer do Brasil e Coca-Cola Femsa Brasil.

Carvalho avalia que as novas mídias, que englobam não só as redes sociais mas também o acesso à web pelo smartphone e outros meios de mobile commerce, vieram para ficar. “São novos canais, com demandas diferentes dos clientes”, afirma. “Essa é uma tendência de canal de negócios que, se não for a primeira [da lista de vendas das empresas], estará entre as primeiras.”

Roberto Souto, gerente nacional de canais da Coca-Cola Femsa Brasil, diz que há um mundo inteiro de possibilidades ainda pouco exploradas, sobretudo na área de vendas. “A popularização dos smartphones e da geolocalização abre possibilidades enormes, como o mapeamento do consumidor no PDV [ponto de venda]”, analisa. “O crescimento dos sites compra coletiva também está no radar da Femsa.”

Mudanças cautelosas

Sérgio Leme, vice-presidente de Marketing, Vendas e Logística da fabricante de eletrodomésticos Whirlpool, afirma que a velocidade das mudanças dos modelos de negócio na internet deixa muita empresa para trás, mas isso não necessariamente é algo negativo.

“Estamos atrás nesse novo ecossistema digital, mas isso não é só ruim ou bom”, afirma. “A sensação de estar atrás em qualquer coisa é um receio de que tem alguém fazendo alguma coisa melhor do que eu. Mas é bom porque há uma fronteira enorme para melhorar. Esse é um ano em que vamos fazer nossos maiores investimentos em mídias sociais.”

Nesse sentido, ele afirma que cada empresa precisa avaliar cautelosamente o passo que vai dar em direção à entrada nos novos canais de contato com o consumidor. “Quando se está bem posicionado em um canal, convence-se o cliente a comprar o produto”, afirma. “O consumidor que compra produtos da linha-branca pesquisa muito antes de fechar negócio. Se aprendermos a tirar mais benefícios desse contato com o consumidor, interagir com ele de forma a impressioná-lo, conseguimos sair na frente do nosso concorrente.”

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José Goulart, diretor de Vendas para o Mercado Público da Sodexo Motivation Solutions, defende que as empresas devem pensar em segmentação de seus canais de negócios, mas não hesitar em avançar rumo às novidades desse mundo virtual. “Não dá para entrar atrasado nessa segmentação, porque tem vantagem quem avança primeiro.”

Velhos meios

Apesar de apostar em web, Carvalho também diz que os antigos meios de comunicação com o cliente e com parceiros não vão morrer. “Vemos uma movimentação grande em todos os canais. Ela ocorre tanto no online quanto nas lojas e no porta a porta, que chegamos a achar que tinha acabado mas que volta a se mostrar uma boa saída.”

O importante, segundo os especialistas, é saber ouvir o consumidor e atender bem suas demandas, seja pela compra no meio online ou pela lojinha de bairro. “O segredo é nos perguntarmos o que estamos aprendendo com o consumidor. Pela internet, ele nos mostra como podemos ser ágeis e rápidos na resposta, trazendo uma solução eficaz para sua exigência”, diz Leme, da Whirlpool.

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“Temos que estar ligados em mudanças e entrar na onda”, complementa Élio França, diretor de Marketing da C&A Modas. “Não podemos ser competentes em uma única frente. Temos que ser em todas, entregando ao consumidor uma experiência consistente de consumo.”

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