“Nossa cidadania é tirada muito cedo”, afirma Ariel Nolasco

publicado 23/11/2016 14h29, última modificação 23/11/2016 14h29
São Paulo – Fórum de Gestão de pessoas reúne empresários e entidades civis para debater a inclusão do público T no mercado de trabalho
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A realidade da população T (composta por travestis, transexuais e transgêneros) no Brasil é uma das mais difíceis no mundo, segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais. A entidade aponta que cerca de 90% das travestis e transexuais no Brasil trabalham na prostituição, por encontrarem dificuldades em completar os estudos em função do preconceito. “Enquanto trans, temos nossa cidadania tirada muito cedo. Nossos direitos básicos são negados desde a infância e a adolescência. Então como seremos inseridas no mercado de trabalho sem termos direitos básicos?”, questiona Ariel Nolasco, técnica administrativa do Programa Transcidadadania. 

Além do Programa, empresários e representantes de entidades participaram do Fórum de Gestão de Pessoas da Amcham – São Paulo para discutir a questão T no mundo corporativo na quarta-feira, 23/11. Confira os destaques:

Claudio Neszlinger, Chief Talent Officer Brazil, Dentsu Aegis Network
“Quando começamos a lidar com esse assunto [população trans], vemos o quanto somos ignorantes nisso.”
“Todas as empresas falam que precisam de inovação. E a inovação começa com a inclusão da diversidade, que é essencial para a sustentabilidade das organizações a longo prazo.”

Karina Chaves, Gerente de Responsabilidade Social e Diversidade, Carrefour
“Esse tema apareceu como relevante para nós, pois temos colaboradores e clientes que são T. Mas nem sempre foi fácil, pois o tema ainda é muito novo.”
“No Brasil, ainda não temos legislação adequada para a pessoa mudar seu nome civil, o que pode ser constrangedor para uma pessoa T.”

Ana Lucia Caltabiano, diretora de Recursos Humanos, GE Latin America
"Temos uma abordagem muito educacional em relação às questões de diversidade dentro da GE, porque acreditamos que o caminho a percorrer é do entendimento."
"Dentro das empresas, buscamos competitividade e resultado e nosso trabalho é perguntar de que forma o aspecto humano faz com que essa entrega seja a melhor possível."

João Torres, Líder de Projetos da Dow – Lidera Networking LGBT
“A inclusão da população trans precisa de políticas afirmativas e positivas.”
“Uma das desculpas que ouvimos nas empresas é que elas não estão preparadas para receber a diversidade. Mas as empresas nunca estarão completamente preparadas para isso.”

Ariel Nolasco, técnica administrativa do Programa Transcidadadania
“Enquanto trans, temos nossa cidadania tirada muito cedo. Nossos direitos básicos são negados desde a infância e adolescência.”
“Como seremos inseridas no mercado de trabalho sem termos direitos básicos?”

Ângela Lopes, ex-diretora da Divisão de Políticas para a Diversidade Sexual de São Carlos e primeira gestora transexual

“A expectativa de vida média de uma pessoa trans no Brasil é de 35 anos de vida.”
“Quando falamos de trabalho, é um direito elementar. Emprego, para nós, é a capacidade de subsistir. Por que será que 90% das travestis e transexuais subsistem da prostituição?” 
“A Constituição Federal Brasileira fala muito do direito a personalidade, a identidade como inviolável e inalienável Só que nós, trans, não temos esse direito garantido.”

Cristina Saturnino, Rede Cidadã
“Temos que entender o outro como um humano e não como uma letra – porque ninguém é uma letra.”
“A gente faz um esforço pra capacitar as pessoas e, do outro lado, sensibilizar as empresas para contratar essas pessoas. Não é um trabalho simples ou fácil e poucas empresas se engajam nisso.”
"Quando ouço que uma empresa de 50 mil funcionários tem 30 pessoas trans contratadas, fico triste. Isso me mostra o quanto precisamos melhorar."

Marcia Rocha, TransEmpregos
“Costumo falar que a primeira coisa que a pessoa trans perde quando se assume é a família. E quando ela fica no armário e não se assume, ela perde a vida.” 
“Não escolhemos quem somos. A opção sexual e de gênero que existe é de assumir ou não, porque a opção de escolher ser não existe.”

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