A demanda crescente por viagens corporativas exige maior preparo das empresas

por gustavo_galvao — publicado 03/06/2013 11h59, última modificação 03/06/2013 11h59
São Paulo – Profissionais do setor afirmam que é necessário reestruturar todo o processo logístico
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A mobilidade corporativa está cada vez mais aquecida no Brasil. No ano passado, as receitas com viagens corporativas chegaram a R$ 32,3 bilhões, o que representa uma alta de 13% em relação a 2011. Os dados são do último indicador econômico da Alagev (Associação Latino-Americana de Gestores de Eventos e Viagens Corporativas). 

Como a demanda está em alta, empreender no setor exige mais planejamento. Primeiramente, é preciso fazer uma análise do mercado para que seja possível enfrentar a concorrência. De acordo com Alexandre Pinto, diretor da Shift Mobilidade Corporativa, a reestruturação das equipes depende de uma consultoria jurídica e um novo plano de mídia e marketing. “É importante se organizar e estimular treinamentos, lançamento de produtos e investir no transporte de pessoas”, ele orienta.

Para discutir a mobilidade corporativa, Alexandre Pinto participou, ao lado de Bob Rossato, sócio-fundador da ViajaNet, do Comitê de Viagens e Mobilidade Corporativa, realizado na terça-feira (28/05), na Amcham-São Paulo.

De acordo com o diretor da Shift Mobilidade Corporativa, é importante estruturar a empresa para a relação com fornecedores e transportadoras e o agenciamento dos serviços. “Agregar know how de logística no planejamento do transporte, dos grupos de motoristas e da infraestrutura portuária”, explica. Entre as alternativas, estão a terceirização e a escolha da modalidade de fretamento que seja adequada aos objetivos da companhia.

Fretamento eventual

Existem dois modelos principais para o fretamento: o contínuo e o eventual. A principal diferença entre eles é a flexibilidade em relação ao tempo e ao número de viagens. Enquanto o primeiro tem um contrato fixo e pré-estabelecido por um período regular (como meses ou anos), o segundo se destina a um evento em específico, que pode durar apenas alguns dias ou semanas. No entanto, o fretamento eventual ainda é pouco utilizado, mas pode ser uma boa opção para as viagens corporativas.

“Apenas 5% das empresas recorrem ao fretamento eventual”, disse Alexandre Pinto, diretor da Shift Mobilidade Corporativa. De acordo com ele, a legislação brasileira favorece o fretamento contínuo, por causa da garantia de contratos e da relação fidelizada com as prestadoras de serviços de transporte. “A demanda oscila demais no modelo eventual, mas o lucro pode ser maior”, explica.

O fretamento eventual pode oferecer maior rentabilidade justamente por causa do investimento específico em uma operação. Dessa forma, em vez da empresa manter uma relação permanente com a transportadora, a terceirização por um serviço único pode agilizar a mobilidade corporativa de funcionários e diminuir possíveis ônus causados por problemas de logística. “Quem está começando a procurar esse serviço são os laboratórios farmacêuticos, os bancos, montadoras de automóveis, o mercado varejista, o agronegócio e o setor de TI”, anuncia Pinto.

Perfil dos clientes

Bob Rossato coordena o portal ViajaNet, que oferece uma busca por descontos e melhores preços em passagens aéreas. Segundo ele, a demanda dos funcionários que precisam se locomover por causa da empresa é crescente. “30% dos nossos clientes são corporativos”, informa.

Ao mesmo tempo, ele acredita que é preciso estar atento às necessidades dos funcionários das grandes companhias, que se diferem dos demais consumidores pela frequência na procura por passagens aéreas. “Enquanto o cliente convencional compra a longo prazo e uma vez por mês, o corporativo compra com antecedência curta e várias vezes por mês em horários comerciais, das 8h às 17h”, aponta o sócio-fundador da ViajaNet.

Por isso, ele acredita que o Brasil deve buscar condições mais flexíveis para melhorar a mobilidade corporativa, seja em novas modalidades de fretamento como no atendimento diferenciado, pois o setor de viagens e turismo está crescendo cada vez mais.

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