Acompanhar detalhadamente o processo de demissão é ferramenta para retenção de talentos

por giovanna publicado 13/06/2012 17h04, última modificação 13/06/2012 17h04
Recife – Na Vitarella, foi criado um grupo de trabalho para avaliação de demissões.
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 Dedicar atenção aos motivos que levam a um processo de demissão ainda não é prática corrente em boa parte das empresas. Trata-se de um equívoco a ser corrigido, na avaliação de Mara Amorim, diretora de Recursos Humanos da Vitarella. Ela considera que uma análise detalhada das causas de um desligamento pode ser um ponto a mais para a retenção de talentos nas companhias.

 

“As empresas trabalham muito detalhadamente o processo de admissão com entrevistas, dinâmicas de grupo e recursos de avaliação. Porém, a demissão, na grande maioria das vezes, não recebe essa atenção”, indica Mara, que participou do comitê estratégico de Gestão de Pessoas da Amcham-Recife nesta quarta-feira (13/06).

 

Para a gestora de RH da Vitarella, enfrentar esse desafio envolve tratar cada demissão individualmente, analisando todos os pontos que influíram na decisão. “É importante desacelerar a decisão e saber que, se realmente houver a demissão, ela foi bem trabalhada”, sugere.

 

Mara destaca que, a partir dessa nova visão, é possível evitar que aconteçam desligamentos precipitados. Ela defende que, muitas vezes, a situação de insatisfação da empresa ou do funcionário pode ser resolvida com medidas simples, como a mudança de turno de trabalho ou transferência para outro departamento.

 

Comitê de desligamento

 

Mara conta que, na Vitarella, foi criado em 2011 o comitê de desligamento, uma ferramenta para avaliação das demissões e auxílio das lideranças na decisão de dispensar um funcionário.

 

“O gestor passa o nome da pessoa que quer desligar para o departamento pessoal e é acionado então o comitê de desligamento. O [setor de] Serviço Social também se envolve nesse processo, que pode contar ainda com uma pessoa do Jurídico se a demissão for motivada por um desvio comportamento grave, por exemplo. Por fim, um gestor de outro departamento também é convidado a participar. Dessa forma, temos uma capacidade mais ampla de analisar o caso, minimizando fatores como a questão da emoção”, explica.

 

O profissional de Recursos Humanos, dentro do comitê de desligamento, tem como função prover informações que ajudem os gestores na tomada de decisões, incluindo dados do sistema de ponto eletrônico e de absenteísmo do funcionário.

 

“O grande objetivo é tentar reduzir ao máximo as demissões realizadas de forma intempestiva”, afirma Mara. A diretora da Vitarella avalia positivamente o impacto da aplicação da ferramenta na retenção de talentos da companhia. “Temos conseguido reverter algumas demissões. No final, alguns dos gestores até reavaliam [o caso em questão] e decidem manter o funcionário. Dependendo da situação, também realizamos um feedback estruturado com o funcionário para realinhamento do comportamento e renovação da  relação com a empresa”, comenta.

 

Para Mara, o ponto crítico da atuação desse grupo é o gerenciamento de tempo. “A ferramenta dá trabalho porque precisa de tempo, mas, com um bom gerenciamento, os resultados alcançados têm compensado o esforço”, finaliza.

 

 

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