Acordo comercial do Brasil com os EUA é foco para retomar competitividade, diz consultor político

publicado 10/04/2015 15h31, última modificação 10/04/2015 15h31
São Paulo – Para Ricardo Sennes, da Prospectiva, MDIC deve priorizar inovação e redução do custo Brasil
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O acordo de facilitação de comércio do Brasil com os Estados Unidos, anunciado em março, é um dos sinais dados pelo governo de que está retomando a agenda de competitividade, de acordo com o consultor político e economista Ricardo Sennes, sócio da consultoria Prospectiva.

“Isso é um ponto importante porque, no fundo, o acordo comercial é uma via de duas mãos. Ele favorece a exportação e barateia a importação, principalmente de insumos necessários para se manter competitivo”, afirma o consultor, após o comitê estratégico de Finanças da Amcham – São Paulo, da quinta-feira (9/4).

No dia 19/3, Brasil e Estados Unidos assinaram um memorando de facilitação de comércio, visando harmonizar normas de produtos e desburocratizar as relações de exportação e importação. A Amcham apoiou a construção do acordo e a elaboração das propostas de facilitação.

Para Sennes, o ministro Armando Monteiro, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), tem mostrado que vai dar atenção a temas como desenvolvimento tecnológico e combate ao excesso de burocracias. “O ministro traz a ideia de buscar inovação usando referências internacionais. O outro ponto, no qual ele tem falado bastante, é a redução do custo Brasil.”

O fato de o governo querer combater custos excessivos que freiam a economia é um ponto “bastante positivo”, de acordo com Sennes. “Essa é a boa notícia na agenda de competitividade.”

Cenário econômico

Apesar da expectativa de um ano ruim para a economia, Sennes disse que o Brasil está longe de uma crise financeira. “Na média, o país vai decrescer 0,5%, mas haverá setores que crescerão bem e outros que encolherão. A média esconde uma variação importante”, assinala.

As empresas claramente têm que se preparar para um ano difícil, mas isso não significa desmobilizar capacidades produtivas. “É um momento de ajuste, e não de passos para trás. O excesso de pessimismo nesse momento é prejudicial.”

Para Sennes, os setores exportadores devem ter bom desempenho este ano, em função do câmbio favorável. Setores ligados ao consumo de classe média foram citados, como TI e serviços médicos. “Hoje temos outra dinâmica social e de consumo que não vai retroceder. 40% da população ascendeu para a classe média e vai continuar consumindo os mesmos produtos e serviços dessa faixa populacional.”

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