Acordo de Paris sinaliza mudanças pelo clima e pela competitividade, dizem especialistas

publicado 28/01/2016 15h37, última modificação 28/01/2016 15h37
São Paulo – Governos e empresas devem se apressar em viabilizar energias renováveis
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O Acordo de Paris fechado em dezembro na 21ª COP (Conferência das Partes), sinaliza mudanças que afetam também a competitividade, alertam especialistas em clima e em energia. Governos e iniciativa privada devem apressar os investimentos em energias renováveis, com foco nas metas climáticas e também no desenvolvimento econômico, recomendam.

“A partir de agora, por questões de clima ou por competitividade, governos e empresas têm de acelerar a redução de custos em energias renováveis e aumentar os investimentos na área”, afirma Carlos Ritti, secretário executivo do Observatório do Clima, durante o comitê de Energia da Amcham – São Paulo, quarta-feira (27/01).

Também participaram Oswaldo Lucon, pesquisador do Instituto de Energia e Ambiente da USP e assessor de Energia e Mudanças Climáticas da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, e o subsecretário Antônio Celso de Abreu Junior, da Secretaria de Energia e Mineração do Estado de São Paulo.

Grandes potências já estão nesse caminho, incentivando a mudança de perfil de sua indústria, ressalta Oswaldo Lucon. Estados Unidos e China, por exemplo, têm enfatizado ciência e tecnologia, eficiência energética, painéis solares, veículos elétricos e estocagem de energia. No caso dos chineses, a indústria tem deixado de ser apenas manufatureira para ser mais tecnológica.

“Ou segue essa trajetória (de aumento da temperatura e riscos à humanidade) ou muda, e para fazer essa transformação, é preciso identificar pontos em que há vantagens comparativas. A mudança tem sido incentivada no comportamento não apenas individual, mas corporativo”, comenta.

Para ele, o que há uma década julgava-se heresia de ambientalistas hoje se configura como questão de competitividade. “O mundo está se transformando e nós estamos assistindo”, avalia.

“O Congresso está parado, mas deveria estar pensando em ratificar o acordo de Paris”, defende Lucon, referindo-se ao fato de que, para entrar em vigor em 2020, o Acordo de Paris deve ser ratificado por pelo menos 55 países responsáveis por 55% das emissões de gases de efeito estufa.

“É importante que o governo abra as premissas por trás da INDC e as coloque em discussão para que virem ‘NDC’. A gente precisa discutir as questões climáticas como agenda positiva”, complementa Ritti.

Financiamento estadual

O alto custo para inserir as energias renováveis na matriz energética requer a adoção de políticas públicas, diz o subsecretário Antônio Celso de Abreu Junior. Há duas linhas de financiamento estaduais, na agência de fomento Desenvolve SP: uma de economia verde e outra para máquinas e equipamentos.

“Os valores são pequenos para serem financiados, basicamente para o segmento de geração distribuída, com taxa de juros de 0,53% ao mês e prazo de 120 meses. Para máquina e equipamentos, é a metade do prazo, com carência de 12 meses”, expõe.

Para ele, o grande mercado que está surgindo é o de geração distribuída, realizada próximo aos centros de carga. “Ela permite que consumidor gere energia e comercialize o excedente”, explica..

Empresas

Companhias de todos os portes e segmentos devem buscar entender o acordo e se adaptar a ele, destaca Oswaldo Lucon. Ele indica fazer benchmarking com outras organizações e a utilizar programas oficiais para obter parâmetros, como o protocolo climático do estado, disponível no site da Secretaria de Meio Ambiente.

“Ele permite às empresas voluntariamente informarem suas emissões, sob sigilo, e ajuda a estabelecer uma métrica dentro da lógica do Acordo de Paris. Tem empresa que não sabe nem quanto gastou de gasolina, sabe apenas o custo, mas não a quantidade e a emissão consequente,” comenta.

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