Alta administração tem priorizado avaliação de risco para a tomada de decisões

publicado 04/05/2016 16h02, última modificação 04/05/2016 16h02
São Paulo – Sidney Ito, sócio da KPMG, apresentou pesquisa que revela preocupação crescente com controles internos
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Para Sidney Ito, sócio líder de Risco e Governança Corporativa da KPMG para o Brasil e América do Sul, a adoção compulsória de práticas de governança corporativa nas empresas despertou na alta administração a importância do controle de riscos. “Hoje, o que os conselhos de administração têm procurado fazer é equilibrar e trazer os conceitos de risco para as decisões estratégicas que devem ser tomadas. É meio impossível não conjugar as duas coisas”, observa, no comitê estratégico de Governança Corporativa da Amcham – São Paulo, realizado na quarta-feira (4/5).

Ito revela que a preocupação com os riscos que podem atingir os negócios cresceu em função de novas leis de transparência administrativa (Lei Anticorrupção) e escândalos de corrupção (Operação Lava Jato). “De repente, surge risco cibernético, mídia social e pressão de resultado e o conselho acaba deixando de lado uma discussão que muitas vezes é de médio e longo prazo como, por exemplo, o desenvolvimento de inovação.”

O dado foi evidenciado na pesquisa ‘ Governança Corporativa e o Mercado de Capitais’ da KPMG, que está na décima edição. Das 227 empresas listadas na BM&FBovespa que foram objeto do estudo, 45% delas (102) informam ter uma área destinada ao controle do gerenciamento de riscos. “Essa média vem aumentando dois pontos percentuais por ano ao longo dos últimos estudos”, conforme consta no relatório da KPMG.

O aumento das iniciativas de transparência nas organizações também vem acontecendo em função de mudanças culturais, comenta Ito. “O próprio administrador vê que há um valor e uma vantagem em fazer por decisão própria, que mostrar uma boa estrutura de governança e praticar boas práticas de governança gera valor pra própria empresa.”

Além das empresas, a adoção de práticas de governança corporativa vem ganhando adesão de agentes importantes de mercado. Como exemplo, Ito cita a BM&FBovespa, que está em processo de consulta pública para reavaliar suas próprias regras de transparência em cima das anotações das empresas abertas. “A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) é outra instituição que também está criando mais regras e atuando em cima das empresas”, acrescenta.

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