Aprender a lidar com mudanças é estratégia para se manter competitivo, diz especialista em gestão comercial

por marcel_gugoni — publicado 27/11/2012 12h36, última modificação 27/11/2012 12h36
São Paulo – Consultora Alessandra Assad defende que empresas aprendam a identificar a necessidade da mudança e sejam capazes de manter sua missão.
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Quem não muda fica para trás. Para as empresas, saber mudar a estratégia, os processos, os produtos e até o público-alvo a fim de acompanhar as demandas do mercado é uma forma de se manterem competitivas e sobreviverem em meio à disputa global. Mas nem sempre as pessoas conseguem acompanhar esse imperativo de constante atualização e adaptação de rota.

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Alessandra Assad, diretora da AssimAssad Desenvolvimento Humano e professora no MBA de Gestão Comercial da Fundação Getulio Vargas, diz que “para se manter vivo, a mudança é tão necessária quanto o ar que respiramos”. “No passado, ocorria uma grande mudança [nas empresas] a cada dez ou 20 anos. Agora, a mudança ocorre o tempo todo”, afirma.

O alerta serve para companhias e para pessoas. “A zona de conforto é o maior inimigo das realizações. Mudar é sair dela”, afirma Alessandra, que é autora do livro Atreva-se a Mudar! – Como praticar a melhor gestão de pessoas e processos (Thomas Nelson Brasil, 2008). Ela conversou com a reportagem do site pouco antes de participar do comitê aberto de Secretariado Executivo da Amcham-São Paulo nesta terça-feira (27/11).

“A própria tarefa de secretária mudou: hoje ela é tomadora de decisão, um cérebro na companhia porque detém informações corporativas e conhecimento sobre as pessoas mais importantes da organização”, compara. “Se a secretária não abraçar essas mudanças, fica obsoleta. Ela tem que mudar para não ser uma ‘agendadora’ de recados para ser a tomadora de decisão.”

Mudando a empresa

“A gestão das empresas muitas vezes ignora as mudanças exteriores e acha que não precisa mudar internamente”, analisa Alessandra. Toda mudança, se bem realizada, impacta no negócio e na lucratividade, com efeitos para a permanência (ou não) da organização no mercado. “As mais dinâmicas mudam o tempo todo.”

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Para exemplificar, ela cita o caso da centenária Coca-Cola, que, para manter sua marca forte já não vende mais só refrigerante, mas um estilo de vida. Roupas, músicas e acessórios entraram em seu portfólio para abarcar essa mudança. A necessidade de transformação também atingiu o McDonald’s, que aderiu ao café para concorrer com a Starbucks, que por sua vez busca uma expansão para o mercado de chás.

“O mundo muda o tempo todo e quem fica parado está sendo empurrado para trás”, ressalta a especialista. “O excesso de confiança faz muitas ficarem paradas e, mesmo com valor percebido pelo cliente, elas acabam ficando obsoletas porque acham que não precisavam fazer nada para crescer.”

Alessandra orienta que, depois de identificada a necessidade da mudança, é preciso capacidade para satisfazer essa demanda e alinhamento com a missão. Isso porque tão difícil quanto amargar problemas por não mudar na hora necessária é tomar novos rumos e falhar no processo.

Engajando pessoas

A consultora diz que a transformação, para ser bem sucedida, precisa passar a fazer parte do DNA da empresa. “A mudança de sucesso é aquela orientada pela missão e pela visão.”

Segundo Alessandra, costuma-se achar que a mudança vem de uma hora para outra, quando na verdade a mudança eficiente dura de um a três anos. “Não dá para chegar e falar ‘vamos mudar tudo’. É preciso levar em conta o perfil da empresa e de seus colaboradores”, defende. “Toda mudança imposta tem ao menos 80% de chance de não funcionar.”

Esse percentual representa o poder das pessoas, das equipes e seus líderes na execução das novidades. “É preciso fazer com que as pessoas entendam porque as mudanças acontecem e o que elas têm a ganhar com isso”, explica. “Quando as pessoas entendem, há maior engajamento. É impossível a mudança acontecer se a maior parte das pessoas não estiver disposta a colaborar.”

O efeito é parecido com o do regime, compara Alessandra. Quem precisa emagrecer define uma meta de emagrecimento, mas, se o próprio indivíduo não abandonar os doces pelo objetivo de perder uns quilos, o comprometimento acaba antes de a tarefa começar. Sem objetivos de curto prazo, como passar de 80kg para 78 kg em uma semana, acaba também o incentivo. “Numa empresa funciona da mesma forma. É preciso engajar com essas metas de curto prazo. E não dá para cantar vitória antes da hora”, complementa.

“A maioria dos esforços bem-sucedidos de mudança tem início com a transmissão de informações”, avalia. Equipes bem-orientadas e com uma missão clara são capazes de manter o funcionamento e o andamento da organização.

E a lição essencial disso tudo é que cada empresa tem seu modo de realizar uma guinada na rota dos negócios. “Por isso não dá para pegar o que outro fez e copiar, porque nem tudo que funciona em um vale para outro”, complementa a especialista. “O ensinamento é que é preciso não só manter a cultura e a essência da empresa como, depois, incorporar as mudanças ao seu DNA.”

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