Automatização da saúde permitirá acessar imediatamente histórico do paciente para tratamento personalizado

por andre_inohara — publicado 27/06/2013 16h24, última modificação 27/06/2013 16h24
São Paulo – Modernização de infraestrutura, mobilidade e telemedicina são tendências
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A automatização do setor de saúde nos próximos anos vai possibilitar tratamento personalizado de pacientes e abrir oportunidades promissoras para empresas e profissionais que se especializarem. Com serviços desenvolvidos por Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC), os dados dos pacientes serão acessados por dispositivos móveis “na beira do leito, no pronto atendimento ou no centro cirúrgico”.

“A informação do paciente vai estar sempre disponível para o médico”, afirma o especialista Cláudio Giulliano, sócio da consultoria Folks e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Informática na Saúde (SBIS). Ele esteve no comitê de Saúde da Amcham-São Paulo na quarta-feira (26/06), para comentar as perspectivas do setor de saúde.

Ao lado dele, participaram Cristiane Aparecida Silva, executiva de contas da integradora de TI T-Systems do Brasil, e de Ricardo Santoro, CIO da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Hospital Albert Einstein.

A disponibilidade imediata de informações do paciente é apenas uma das melhorias que a TIC proporciona. Sistemas gerenciais e operacionais integrados entre instituições de tratamento, médicos e pacientes permitirão visualizar o histórico do paciente, para saber se ele tem reação a determinados medicamentos, exemplifica Giulliano.

Os pacientes também terão acesso facilitado a informações sobre sua condição de saúde. “Principalmente os pacientes com doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, que poderão gerenciar melhor suas doenças.”

Pesquisa revela intenção de investir mais

O especialista apresentou os dados de uma pesquisa do Grupo IT Midia de 2012 sobre o uso de TI na saúde, realizada com 203 instituições do setor. A intenção de investimentos em TI se revelou alta.

Questionados sobre como pretendem investir em TI, 94% dos respondentes disseram que será em equipamentos e softwares novos, enquanto que 79% vão focar em ampliação e reforma dos equipamentos. Além disso, 72% afirmaram que o treinamento e desenvolvimento de pessoal também será priorizado, e 69% disseram que vão investir em equipamentos médicos.

Sobre o planejamento estratégico de TI, as principais respostas foram a melhoria das condições de segurança e disponibilidade do ambiente virtual (49% das respostas), aumento da inteligência do negócio (40%), aplicações clínicas como prescrição e prontuário eletrônico (37%) e preparação para crescimento da demanda com ampliação da infraestrutura (31%).

As tendências em TIC na área da saúde

O crescimento de TI na saúde será baseado em dois pilares, segundo Cristiane Silva, da T-Systems do Brasil: a ampliação de investimentos em recursos tecnológicos e humanos. “Vejo com satisfação que os principais executivos de TI de pequenas a grandes empresas estão preocupados com o crescimento estratégico, e não apenas com o de infraestrutura”, comenta ela.

Até 2018, o uso de TI vai mais que dobrar nos hospitais, estima Giulliano, “em especial por causa da modernização de instituições públicas e privadas”. Cristiane, por sua vez, traçou algumas mudanças previstas para o horizonte de 2020:

- Individualização

O modelo de negócios centralizado em operadoras e hospitais, com contratos padronizados de serviços, terá foco no paciente, sob prestação customizada de serviços. “Muitas operadoras já usam ferramentas de Business Intelligence (BI) para fazer pesquisas sobre pacientes, exames e doenças de determinadas regiões, para criar pacotes específicos de serviços”, conta Cristiane.

- Descentralização

No modelo atual, o tratamento médico é centralizado em hospitais, mas as tecnologias de mobilidade vão facilitar cada vez mais o monitoramento remoto dos pacientes.

- Digitalização

Cristiane também mencionou que o atendimento ficará menos dependente de contato pessoal. O modelo baseado em papel e atendimento pessoal receberá processos digitalizados que permitirão o agendamento via dispositivos móveis e comunicação por vídeo.

“Por videoconferência, médicos brasileiros poderão consultar seus pares na Europa sobre o tratamento de doenças que nunca foram realizadas aqui”, exemplifica Cristiane.

- Integração

Tanto os tratamentos de saúde realizados em determinados centros como os registros individuais de pacientes poderão ser compartilhados por outras instituições, graças às tecnologias de TIC. Há certa desconfiança entre as operadoras em partilhar informações, mas isso está mudando, argumenta a executiva.

- Serviços de TIC

Outra tendência é que as soluções de TI dependam menos de estruturas físicas e sejam mais baseadas em atualizações de programas.

Hospital Albert Einstein

As tecnologias que o hospital Albert Einstein está adotando para tratamentos médicos também envolvem cuidados com a segurança, aponta o CIO do hospital Albert Einstein, Ricardo Santoro. “O sistema não pode cair em hipótese alguma, porque há pacientes cuja prescrição de tratamento está digitalizada”, disse Santoro.

Além de sistemas gerenciais, o hospital disponibiliza aplicativos para visualização de informações médicas tanto por pacientes como médicos. Outra vertente tecnológica é a telemedicina, que trata do compartilhamento de informações e atenção médica a pacientes localizados à distância.

O serviço foi testado com sucesso em parcerias com o governo, para alguns hospitais no Brasil. Como eles não contam com especialistas 24h por dia, o Einstein pode atuar no diagnóstico de AVC (acidente vascular cerebral). A recuperação do paciente depende muito da rapidez com que o problema for identificado. “O projeto foi bem sucedido e vai se transformar em unidade de negócios”, disse Santoro.

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