Avanços genéticos criam necessidade de medicamentos personalizados

por giovanna publicado 27/01/2011 18h03, última modificação 27/01/2011 18h03
São Paulo – Constatação de que nem todos reagem igualmente a um mesmo remédio também demandará diferenciação de tratamentos.
luiz_fernando_reis.jpg

O avanço das descobertas genéticas criará novas oportunidades na indústria farmacêutica e alguns remédios terão de ser personalizados, antevê Luiz Fernando Lima Reis, diretor de Pesquisa Médica do Hospital Sírio Libanês.

“Existem diferenças genéticas entre pacientes que fazem com que os medicamentos tenham eficiência diferenciada. Tudo leva a crer que precisaremos de fármacos de maneira customizada”, afirmou Reis, que esteve na reunião do comitê de Saúde da Amcham-São Paulo nesta quinta-feira (27.01). “Em vez de dar aspirina para a dor de cabeça de todos, precisamos entender que, para alguns, ela não fará efeito. Temos que dar novalgina”, exemplificou.

Para ele, o melhor conhecimento do genoma humano trouxe mudanças importantes no entendimento de como as drogas interagem nos indivíduos. O mapeamento do genoma humano foi concluído em 2003 por um consórcio de países – entre eles o Brasil. Os resultados possibilitaram, além da criação de medicamentos mais potentes, maior compreensão em relação a algumas doenças genéticas.

Outra tendência apontada por Reis é que, como nem todos os pacientes reagem da mesma forma a determinados medicamentos, haverá necessidade de maior precisão dos diagnósticos. “Foi por conta das pesquisas genéticas que conseguimos identificar novas formas de doença e avaliar sua origem genética ou não”, observou ele.

Benefícios por toda a cadeia de saúde

Os avanços genéticos criarão oportunidades de mercado não apenas para a indústria farmacêutica, mas em toda a cadeia da saúde, acrescentou Rodrigo Araújo, sócio-diretor e especialista em Ciências da Vida e Saúde da consultoria Korn/Ferry.

“Em serviços de saúde, hospitais e laboratórios serão os grandes geradores de oportunidades de mercado”, comentou.

Ele avalia que tudo está integrado que e os maiores beneficiados por esse movimento serão os pacientes. “Quanto maior a prevenção, menor é o custo do tratamento”, lembrou.

Conforme Araújo, além da necessidade maior de precisão em medicina diagnóstica, novas vacinas também terão que ser desenvolvidas.

O diretor e sócio fundador do laboratório curitibano Genetika, Salmo Raskin, complementou o quadro de palestrantes do comitê desta quinta.

registrado em: