Brasil é a primeira opção para instalação de centros de serviços compartilhados

por simei_morais — publicado 07/05/2013 13h29, última modificação 07/05/2013 13h29
São Paulo – Pesquisa bianual da Deloitte põe América Latina e Brasil como principais destinos de CSCs mundiais
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A pesquisa bianual da Deloitte com multinacionais sobre Centros de Serviços Compartilhados (CSCs) detectou o crescimento da relevância da América Latina e do Brasil como principais destinos para instalação dessas unidades.

A América Latina foi apontada por 29% dos entrevistados, à frente do leste europeu, com 21%, passando de segunda para primeira opção regional. Em escala global, o Brasil é o principal destino a ser considerado, com 11% da preferência, seguido de Polônia (10%) e Índia (8%). Entre os latino-americanos, México e Argentina são as segunda e terceira opções.

Os dados foram apresentados por Ulisses de Viveiros, sócio-líder da área de CSCs da Deloitte, que participou do comitê aberto de Finanças da Amcham – São Paulo na terça-feira (07/04). O encontro contou, ainda, com a participação de Marcos Chaves, diretor financeiro da CPFL Energia, que comentou o processo de instalação do CSCs que atende à empresa, em Indaiatuba-SP.

O que são os CSCs

Operados pelas próprias empresas, terceirizados ou em formato híbrido, os CSCs são uma estratégia para buscar a eficiência operacional, principalmente em empresas que trabalham com grandes volumes, aponta Viveiros. “Eles centralizam as funções das unidades de negócios como um grande apoio, tendo a empresa e seus consumidores como clientes internos e externos”, explica.

Disciplinas como finanças, controladoria, RH, TI, supply e afins agregam-se em uma única unidade de apoio. A empresa fica, então, liberada para se concentrar no core business (negócios principais).

Segundo a pesquisa da Deloitte, os fatores ligados à mão de obra (qualidade, custo, disponibilidade) continuam a liderar as decisões sobre a localização dos CSCs. Espaço físico disponível, infraestrutura tecnológica e as competências em idiomas são outros fatores de importância.

Vantagens e riscos

O conceito de CSCs, praticado há 40 anos no exterior e há cerca de 15 anos no Brasil, já se estabilizou, afirma Viveiros. “No meio dessa última década vivenciamos um boom, no país. O principal benefício em todos os casos, em diferentes formatos, é a redução de custos e perdas de sinergias entre processos”, cita.

Padronização de processos, maior liberdade para foco no core business, melhoria de controles, redução de custos trabalhistas e tributários entram na lista de vantagens, além do pay back ocorrer em até três anos, para a maioria das organizações.

“Mas temos pontos de atenção. A iniciativa, em primeiro lugar, tem de ser de toda a empresa e não apenas de uma área. Não adianta a área de finanças ver vantagem se todas as outras não comprarem a ideia”, exemplifica.

Nova energia

Adotar um CSC foi a estratégia que a CPFL Energia adotou para otimizar os processos da companhia, que atua em vários segmentos do setor energético. Listada na Bovespa e na bolsa de Nova Iorque, a empresa é player em geração de energia, distribuição, comercialização no mercado livre e na instalação de subestações para clientes corporativos, além de fazer o atendimento aos clientes do mercado regulado, em São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais.

“Nossos negócios têm um volume muito alto e envolvem muitas pessoas, e o CSC é muito interessante nesse caso”, comenta Marcos Chaves, diretor financeiro da companhia.

Um dos detalhes da instalação foi a criação de um novo CNPJ para o CSC, por orientação da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), que regula o setor. As áreas foram incorporadas paulatinamente a partir de 2010, quando o centro foi formalizado. O centro congrega finanças, contabilidade, compras, logística, infraestrutura administrativa, contratos prediais, administração de frotas e TI corporativa.

“O desafio é conciliar negócios com dinâmicas diferentes, mas há benefícios no nosso ambiente, que conta com pressão da competitividade e de redução de custos constantemente”, diz Chaves. “Fizemos aquisições, a empresa cresceu muito, mas sem aumentar a mão de obra, que está concentrada no centro de serviços”, declara.

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