Brasil já é sétimo mercado mundial de Tecnologia da Informação, mas enfrenta desafios para evoluir negócios

por daniela publicado 25/11/2011 17h47, última modificação 25/11/2011 17h47
Daniela Rocha
São Paulo - Formação de mão de obra qualificada, desoneração tributária e estímulos à inovação são questões que devem ser resolvidas para impulsionar o setor, avaliam especialistas.
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O Brasil já é o sétimo mercado mundial de Tecnologia da Informação (TI) - hardware, software e serviços. O País vive uma janela de oportunidade para avançar mais posições nos próximos anos; porém, para aproveitá-la, será fundamental enfrentar uma série de desafios, avaliaram especialistas que participaram do "Fórum de TI – CEOS e CIOS debatem as projeções para o mercado brasileiro de TI" promovido pela Amcham-São Paulo nesta sexta-feira (25/11).

De acordo com Sérgio Alexandre Simões, sócio da Consultoria de TI da PwC (PricewaterhouseCoopers), que apresentou um panorama do setor, há um cenário positivo para expansão dos negócios. Esse ambiente é marcado pela estabilidade econômica; pela ascensão da classe C, com entrada maciça de novos consumidores; e pelo movimento de fusões e aquisições, com inserção de recursos estrangeiros, que, somados à melhoria da infraestrutura e dos negócios, serão alavancados com a Copa do Mundo e as Olimpíadas.

“O Brasil tem uma equação difícil a resolver para não perder oportunidades relacionadas a TI. É necessário um bom plano educacional e acesso às experiências de fora para que, no pós Olimpíadas, o setor não sofra um apagão financeiro e continue crescendo”, disse Simões.

O mercado brasileiro de TI deve crescer 13,5% em 2011, de acordo com levantamento da IDC, empresa global de inteligência de mercado, que foi apresentado pelo representante da PwC. Tendo movimentado mais de US$ 37 bilhões no ano passado, deve superar US$ 42 bilhões em 2011. Já o mercado mundial deverá  encerrar este ano com mais de US$ 1 trilhão, o que representa um crescimento de 7,5% em relação a 2010.

Equação para o sucesso

A fórmula para a expansão dos resultados em TI, segundo o consultor da PwC, é a soma de inovação, mercado e estímulos. O tamanho de mercado consumidor não é um problema, mas mudanças têm de ser conduzidas nos outros dois pilares, destacou Simões.

Na visão dele, a inovação no País ainda está muito fechada na academia e há necessidade de maior aproximação entre instituições de ensino e empresas.”A inovação no País tem foco em produtos, e quase nada em processos. Além disso, o que o Brasil inova em produtos é pouco na comparação com países como Estados Unidos ou Coreia do Sul”, ressaltou. 

De acordo com Simões, os benefícios fiscais que fazem parte da lei de Inovação ainda são subutilizados. “É importante que haja mais divulgação”, acrescentou José Messina, CEO da Unideias e também presidente do comitê de Tecnologia da Informação e Comunicação da Amcham-São Paulo.

Messina comentou ainda que no País há volume considerável de crédito à inovação, em linhas disponibilizadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP); no entanto, o acesso precisa ser mais facilitado pois os processos são burocráticos. Por outro lado, o meio empresarial necessita passar por uma capacitação adequada para aprovação dos projetos e liberação de recursos, o que ainda é incipiente.

“Outros desafios para TI são a necessidade de formação de mão de obra capacitada e a redução de impostos”, disse Messina. Ele reconhece como um importante avanço a desoneração de encargos trabalhistas ao setor de software prevista no Plano Brasil Maior, voltado ao incremento da competitividade da indústria nacional, mas defende que a mesma política seja adotada para hardware.

A partir de 01/12, para o setor de software, será feita a substituição da contribuição previdenciária - alíquota de 20% sobre a folha de pagamento - por tributação sobre a receita bruta, com alíquota de de 2,5%. As empresas exportadoras dessa área não terão recolhimento sobre a receita bruta (isenção total).

Atualmente, TI emprega 1,2 milhão de pessoas no País, sendo 400 mil nas empresas da cadeia desenvolvedora e o restante em companhias de segmentos variados, em seus departamentos próprios.  “Em dez anos, precisaremos do dobro  de profissionais. A academia e as empresas têm de unir esforços e há necessidade de se criarem planos de carreira”, afirmou Paulo Marcelo Lessa Moreira, vice-presidente da CPM Braxis de serviços de TI.

CEOs e tendências

Uma pesquisa global da PwC realizada neste ano mostra que os CEOs veem nos clientes a principal fonte para inovação, tendência que vem sendo intensificada com a crescente participação nas redes sociais e o uso de dispositivos móveis. Sendo assim, um dos caminhos que serão seguidos, conforme o consultor Sérgio Alexandre Simões, é dar o tratamento adequado à captação de dados e informações para o desenvolvimento das estratégias.

“Há muitas informações disponíveis nas redes e temos de aproveitar também as ideias da geração Y (jovens nascidos na década de 80) para desenvolver softwares poderosos para melhorar a vida das pessoas e das empresas”, compartilhou Moreira, da COM Braxis.

“A inovação mais rápida é a aberta, pelo diálogo com clientes, e não a fechada, baseada somente em ideias dentro da companhia”, concordou Thack Brown, CFO Latin America da SAP, desenvolvedora de software para gestão empresarial. Segundo ele, a empresa vê chances de desenvolver mais soluções ligadas à mobilidade e às plataformas abertas, que não são vinculadas a um único provedor.

Para Brown, a inovação tecnológica aplicada aos negócios será fundamental para que as companhias estabelecidas no País consigam ganhar competitividade para lidar com a acirrada concorrência acirrada no País, que tem recebido novas companhias multinacionais e produtos importados nessa fase de contração nos mercados maduros da Europa e dos Estados Unidos, entendendo que aqui estão as melhores chances.

A Itautec, por sua vez, também apostará no segmento de dispositivos móveis, mais especificamente tablets com conteúdos e aplicativos específicos para empresas, anunciou José Roberto Ferraz, vice-presidente da Unidade de Negócios Computação da companhia. Ele reforçou ainda possibilidades em Green IT, que visa eficiência energética dos equipamentos, e cloud computing (computação em nuvem), que é o acesso a programas, serviços e arquivos remotamente, através da Internet.


Carlos Bretos, presidente da Lexmark, especializada em outsourcing de impressão, conta que a companhia foi por muitos anos centrada somente  no segmento de comercialização de impressoras. “Mas nos reinventamos com base nas necessidades dos clientes. O momento requer que se deem mais asas à criatividade de quem usa do que de quem oferece”, enfatizou. A companhia pretende agora, informa Bretos, conquistar espaço na área de gestão de documentos digitalizados.

Bretos acredita que o setor de TI brasileiro, de uma maneira geral, tem espaço para aplicação de soluções em educação, devido à necessidade de qualificação de mão de obra; em saúde, devido ao movimento pela eficiência; nos governos, por conta da ampliação dos serviços sociais; no meio financeiro, com condições de lançar mais produtos e serviços à população que acessa; e na engenharia civil, por causa dos projetos de infraestrutura.

“As soluções têm de dar conta de amarrar o ‘novo’ ao legado dentro das companhias”, analisou Marco Stefanini, presidente da Stefanini IT Solutions. Ou seja, a modernização tecnológica deve ser feita com critério, agregando valor às operações. Para filtrar ideias, ele destacou que a empresa mantém centros de inovação em parceria com universidades e um programa de inovação envolvendo seus 14 mil funcionários, sendo 8.500 no País e o restante no exterior.

 

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