Brasil passa por “rearranjo partidário” no cenário político, diz colunista do Valor Econômico

publicado 18/10/2016 14h34, última modificação 18/10/2016 14h34
São Paulo – Para César Felício, recomposição de partidos é parte do processo de renovação
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A crise política tem provocado um “rearranjo” de forças partidárias, de acordo com César Felício, editor de Política e colunista do Valor Econômico. “Está havendo um rearranjo partidário no Brasil, que continuará produzindo resultados mesmo após as eleições de 2018. É um processo de renovação da classe política que ultrapassa o ciclo eleitoral”, disse, no comitê estratégico de CEOs & Chairpersons da Amcham – São Paulo na terça-feira (18/10).

Para Felício, os principais partidos devem sofrer um processo de fragmentação e recomposição de forças, buscando se fortalecer e disputar as eleições com maior chance de vitória. O PMDB, partido do presidente Michel Temer, e o DEM, que apoia o governo, devem permanecer relativamente estáveis. Temer não deve disputar a eleição presidencial, em função de o impacto das medidas econômicas adotadas não poderem ser capitalizadas em curto prazo. “O PMDB não deve ter candidato próprio em 2018. Alguns nomes, como Henrique Meirelles, Paulo Hartung e Eduardo Paes, não são unanimidade. Mas a probabilidade de apoiar o PSDB é grande”, assinala Felício.

Por sua vez, o PSDB é um partido dividido. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, uma de suas principais lideranças, se fortaleceu para a disputa presidencial em 2018 ao conseguir eleger o empresário João Dória para a prefeitura de São Paulo. Mas obter a indicação do partido não será fácil. Alckmin teria que superar o presidente da legenda, Aécio Neves, que muitos consideram o candidato natural. “Será uma surpresa se Alckmin não for candidato, dentro ou fora do PSDB”, afirma Felício.

O futuro de Alckmin no PSDB depende das eleições internas do partido em 2017. Segundo o especialista, o governador de São Paulo não descarta sair da legenda caso não obtenha a indicação. “A data chave para isso é a convenção nacional do partido em abril de 2017, onde a direção será renovada. Aécio não pode mais se reeleger e Alckmin quer o comando nacional.” A indicação do partido deve ficar entre os dois políticos. Para Felício, o terceiro postulante, José Serra, ministro das Relações Exteriores, perdeu espaço para Alckmin em São Paulo e não tem apoio suficiente para se lançar candidato.

Os partidos de esquerda também deverão ser reformulados. “Há pelo menos quarenta deputados petistas falando em sair e formar uma nova legenda, ou se unir a outro partido”, segundo Felício. Até mesmo um novo partido de esquerda, formado por PSol e PDT, tem sido comentado nos bastidores, acrescenta o especialista.

Já as legendas do Centrão tendem a se aglutinar entre si. O chamado Centrão é um bloco de 12 partidos com cerca de 220 deputados que apoiam o governo, formado por PP, PR, PSD, PTB, PROS, PSC, SD, PRB, PEN, PTN, PHS e PSL. “Há espaço para que as maiores absorvam as menores”, assinala Felício.

Mesmo com uma recomposição prevista de forças para 2018, Felício não acredita no surgimento de uma nova liderança no período. “Não há tempo para isso nesta eleição presidencial. Vamos trabalhar com as peças que estão aí”, comenta.

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