Burnout: especialistas dão dicas de como ajudar colaboradores a viverem em harmonia com o trabalho

publicado 06/11/2019 09h09, última modificação 06/11/2019 12h21
São Paulo – Especialistas de RH e terapeutas estiveram presentes na nossa Reunião Especial de Saúde Mental e falaram sobre stress e emoções no ambiente corporativo
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Da esq. para a dir.: Eduardo Ferreira Santos, Malena Martelli (Genuine) e Silvia Cavicchiolia

O ambiente de trabalho é um dos fatores mais importantes e contributivos para a qualidade da saúde mental, seja ele um ambiente saudável ou um ambiente tóxico, acredita a diretora executiva de RH da Accenture, Beatriz Sairafi. “Não devemos ter medo de falar desse assunto e também de nos expormos sobre ele”, afirma. Na visão dela, o RH precisa entender mais sobre as patologias para estar mais preparado para lidar com o tema.

A executiva esteve presente durante a nossa Reunião Especial de Gestão de Pessoas, com o tema saúde mental. Ao lado dela, o psicoterapeuta e co-autor de livros como ‘Psicodrama nas instituições’ e ‘Sentimentos que causam stress’, Eduardo Ferreira Santos, dialogou sobre a abordagem clínica do assunto, e a psicóloga e terapeuta Silvia Cavicchiolia fez a abordagem preventiva do tema. A mediação do painel ficou por conta da fundadora da Genuine, Malena Martelli.

Todas as pessoas têm a capacidade técnica de se adaptar ao meio, acredita Santos. Entretanto, se o ambiente de trabalho exige mais do que a pessoa pode ser, ela cria medos e acaba sucumbindo a transtornos como depressão e burnout. “Nós não somos doentes, mas acabamos nos tornando doentes dependendo do ambiente que nos cerca e a forma com a qual lidamos com isso”, afirma.

Sendo assim, as empresas têm papel fundamental no incentivo da resiliência. “O que se deve fazer nas empresas de maneira geral é, através de eventos como esse, ajudar as pessoas a desenvolverem a resiliência”, pontua. Isso para que os colaboradores não necessitem de afastamento por conta de transtornos mentais.

Ele explica também que, todas as pessoas contam com um potencial biológico que lidou um ambiente e que essa junção as fez criar uma personalidade para enfrentar o mundo. Sendo assim, alguns desenvolveram maior autoconhecimento que outros. “Uma pessoa criada com insegurança em si mesma já vai para a vida com dúvidas sem ao menos saber o que quer e isso desencadeia os medos que geram problemas maiores”, comenta.

AUTOCONHECIMENTO E EMOÇÕES

Por isso, Silvia acredita que a inteligência intrapessoal – que envolve também o autoconhecimento – é tão importante na prevenção de transtornos mentais. “Reconhecer o que você é e o que você sente te dá a oportunidade de começar a entender a função das suas emoções tão presentes e necessárias em tudo que você faz”, comenta.

“Alfabetização afetiva é uma boa forma de nos prevenirmos de boa parte das coisas que acontecem conosco no nível psíquico”, afirma a psicóloga. Segundo ela, fazer terapia seria o primeiro passo para lidar com as emoções e, em seguida, desenvolver a inteligência emocional.

Na visão dela, esta é uma forma de autoconhecimento, que permite a percepção das funções das emoções em nossa vida e as ferramentas emocionais que temos como recursos de convívio e sobrevivência dentro do trabalho. “Eu tenho no consultório pessoas que não conseguem nomear as emoções que sentem, e nem usa-las de acordo”, analisa. Ela lembra ainda que confundir a emoção – que é momentânea e causada por algum agente externo – com si mesmo é também um erro.