Busca por profissionais de marketing mais generalistas e conectados com o mundo digital está aquecida

por andre_inohara — publicado 28/11/2012 08h20, última modificação 28/11/2012 08h20
São Paulo – Capacidade de analisar dados e transformá-los em negócios é bastante valorizada pelas empresas, que carecem desse perfil.
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As empresas estão demandando profissionais de marketing com bagagem recheada de habilidades analíticas e conhecimento do meio digital, e os que preenchem os requisitos são disputados a peso de ouro.

No comitê de Marketing da Amcham-São Paulo desta terça-feira (27/11), os participantes debateram sobre as habilidades que os profissionais de marketing precisam ter para atender a clientes e mercados mais exigentes e segmentados.

Como mostraram os palestrantes, as empresas querem pessoas que não entendam apenas de desenvolvimento de produtos, canais de venda e comunicação. Elas precisam de gente com conhecimentos aprofundados de tecnologia e análise de informações para que sejam capazes de identificar tendências e transformar dados em oportunidades de negócios.

Com o aquecimento do mercado de trabalho, cada vez mais profissionais ingressam nos cursos de marketing. Entretanto, as instituições de ensino têm dificuldades para preparar grandes levas de gente qualificada, devido a carências estruturais de formação de boa parte dos estudantes. A falta de formação adequada é uma barreira que prejudica empresas e profissionais.

Diante de um mercado demandante, profissionais têm sido requisitados com certa urgência pelas empresas, o que abre espaço para contratações de pessoas que ainda não estão completamente à altura das exigências. Quando os resultados esperados não são entregues, inicia-se um processo de afastamento que atrasa o planejamento das empresas e a carreira dos profissionais envolvidos.

Demanda das empresas

O profissional de marketing que a seguradora Liberty Seguros considera ideal tem que unir o conhecimento de Humanas com Exatas. “Hoje o mercado exige que o profissional combine essas características, que víamos tão separadas anteriormente”, afirma Adriana Gomes, diretora de Marketing da Liberty Seguros.

No ramo de seguros, o domínio de capacidades analíticas e estatísticas é uma necessidade. “Um dos grandes desafios do nosso mercado é conseguir fazer a análise de cada cliente individualmente. O marketing precisa ter a capacidade técnica para analisar estatisticamente a base de clientes, entender o comportamento individual e oferecer soluções personalizadas”, acrescenta a executiva.

Adriana cita um estudo da IBM que fala das novas tendências trazidas pelo mundo digital, indicando que a necessidades de análise de dados serão cada vez mais necessárias.

“O caminho analítico começou com as pesquisas de mercado e de benchmark, que hoje não são mais suficientes [para desenvolver negócios]”, comenta Adriana. “Com a internet, a quantidade de informações e dados disponíveis na rede é grande, e é preciso ter a capacidade de reuni-los e transformá-los em insight de negócios”, aponta.

Soluções de comunicação e negócios

Para Fernanda Coelho, diretora de RH da agência de publicidade Publicis Brasil, uma competência que o profissional de marketing tem que agregar ao perfil é a de consultor. “Não basta ser criativo e comunicativo. É preciso pensar como homem de negócios, entender o ramo do cliente e trazer ROI [retorno sobre investimento]”, disse Fernanda.

O conhecimento das ferramentas de comunicação digital também é muito requisitado. “É preciso falar com o consumidor de forma integrada, com o online e o offline [mundo físico], dando soluções de comunicação e negócios.”

Como não há tantos executivos com esse perfil no mercado – e os que existem são muito caros –, a solução é treiná-los internamente. “As agências estão se transformando, com o desenvolvimento do planejamento estratégico por conta da crise de formação dos profissionais”, comenta Fernanda.

Compensação da baixa qualificação dos estudantes

Em se tratando da área de marketing, a academia se esforça para formar o maior número de profissionais no menor tempo possível. No entanto, a ausência de conceitos básicos e a falta de experiência que muitos dos estudantes trazem quando começam os cursos são grandes limitadores.

“As empresas exigem coisas que as pessoas têm dificuldade para entregar”, afirma Daniela Khauaja, coordenadora acadêmica de Pós-Graduação na área de Marketing da ESPM. Para ela, muitas vezes é necessário adaptar os cursos ao perfil dos estudantes.

“Muitos alunos não trabalham em grandes empresas, sendo que boa parte é de empreendedores. Em comum, a grande maioria não vem com preparo educacional”, constata Daniela.

Um dos cursos de pós-graduação da ESPM, por exemplo, teve que ser redirecionado em função da qualificação dos alunos. “Montamos um curso para gestores, mas vimos que os alunos não tinham experiência executiva”, comenta. A saída é trabalhar conceitos básicos e incentivar o hábito da leitura, aponta ela.

Imediatismo

Os profissionais com até 30 anos, a chamada Geração Y, estão mais preparados para lidar com novas tecnologias e executar várias tarefas ao mesmo tempo. Por outro lado, são mais imediatistas e pouco afeitos à hierarquia.

Ocorre que o imediatismo é uma característica que pode atrasar a carreira dos profissionais, alerta Zuca Palladino, gerente de Marketing de Varejo da assessoria de RH Michael Page International. Muitas vezes, os profissionais dessa geração atrasam a carreira ao galgar posições antes de estarem devidamente preparados.

“Antes de chegar ao nível de responsabilidades, é preciso valorizar algumas coisas que muitas vezes não se fundamentam em decisões técnicas, mas de vida”, observa Palladino.

Protagonismo na carreira

Desenvolver as habilidades corretas para ser um profissional de marketing é importante, mas o fundamental é saber planejar a carreira. “O protagonismo é fundamental porque a carreira é sua”, disse Carlos Eduardo Koelle, diretor de DHO (Desenvolvimento Humano e Organizacional) da consultoria Doers Human Capital Solutions.

A recomendação do especialista, que participou do comitê estratégico de Marketing da Amcham-São Paulo em 14/11, é não esperar que a companhia seja a responsável pela carreira do executivo. “Ainda ouvimos de pessoas jovens que a empresa não tem plano de carreira. Cabe ao profissional definir o que quer e se articular, com seu networking, para correção de rotas”, comenta.

Para Koelle, uma virtude bastante valorizada em marketing é a visão de negócios. “O principal para aproveitar oportunidades é ter visão forte de negócios, saber quantificar mais o retorno de marketing e, a partir daí, entender o setor em que atua, a empresa em que está e quais as demandas específicas.”

 

 

 

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