Business Round Up: Após crescer por uma década, setor da aviação depende de implementação de agenda para enfrentar momento crítico

por marcel_gugoni — publicado 10/10/2012 16h07, última modificação 10/10/2012 16h07
São Paulo – Ideia é trabalhar na redução de custos e fazer ajustes de oferta para evitar impacto preço final, explica presidente da Abear.
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O setor de aviação viveu nos últimos uma grande expansão, que colocou o Brasil na posição de quarto maior mercado doméstico de aviação do mundo. Com o aumento da renda da população e a queda dos preços médios das passagens aéreas, as vendas de tickets evoluíram de 33 milhões em 2002 para 80 milhões em 2011. Atualmente, porém, o segmento vive um momento crítico e depende da implementação de uma agenda que viabilize sua competitividade para continuar a crescer, mostrou a Business Round Up da Amcham-São Paulo nesta terça-feira (09/10).

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Os bons ventos mudaram em 2011 para as companhias aéreas, por conta de desvalorização do real – comprometendo custos dolarizados –, elevação dos preços dos combustíveis na casa dos 42% e das tarifas aeronáuticas em torno de 130%, e ainda em função da subida do custo da mão de obra.

Agora, é preciso promover mudanças para que o setor consiga prosseguir. Dessa agenda, dependerão os futuros números do segmento, diz Eduardo Sanovicz, presidente da Associação Brasileiras das Empresas Aéreas (Abear), que reúne as empresas responsáveis por 99% do tráfego aéreo nacional.

“A ideia é trabalhar na redução de custos e gargalos e no aprofundamento diálogo, e fazer ajustes necessários de oferta para evitar impacto preço final, uma tentativa de não aumentar os valores das passagens para não excluir passageiros que foram incluídos nos últimos tempos”, explica Sanovicz.

Agenda de desafios

A agenda a que o representante da Abear se refere diz respeito a alguns desafios centrais. O primeiro é baixa competitividade devido ao alto custo operacional e à infraestrutura deficitária – esta responsável por dois terços dos problemas enfrentados nos aeroportos.

A desoneração da folha de pagamentos no setor foi elogiada por Sanovicz, que calcula que isso trará importante economia ao setor. Falta ainda atacar o custo dos combustíveis, que poderia ser atenuado com redução de impostos. “Estamos em um diálogo interessante para rever a fórmula de precificação de combustível no Brasil, que não muda há duas décadas”, adianta o executivo.

O segundo desafio é a formação de pessoal, um objetivo que foi facilitado pela desoneração de folha recentemente estendida ao setor. “Temos de formar pessoas altamente qualificadas, não só de nível técnico de manutenção, mas com doutorado e pós doutorado.”

A sustentabilidade é outro grande desafio, que inclui desde temas de alta complexidade tecnológica até biocombustíveis. “O biocombustível para aviação existe, mas ainda não é viável comercialmente. Ele está sendo pesquisado junto com Embrapa, Boeing e Embraer. Na medida em que consigamos usá-lo em alta escala, haverá um impacto brutal”, adianta.

O tráfego também não cabe mais na atual formatação. “As aerovias da forma como foram traçadas décadas atrás não se sustentam. Sua revisão economizaria tempo de voo e combustível.”

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