Capacidade de interagir com diversidade cultural e profissional é uma das habilidades mais requisitadas de liderança

por andre_inohara — publicado 17/06/2011 16h38, última modificação 17/06/2011 16h38
São Paulo – Diretores de empresas expõem suas visões sobre as capacidades mais desejadas dos líderes do presente e do futuro.
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A capacidade de interagir com profissionais de diferentes faixas etárias e a objetividade na comunicação são duas das características mais requisitadas no perfil atual de liderança. 

“O papel do líder é entender que existe uma diferenciação não só de cultura pessoal como também de estilo de gerência, e estar pronto para se adaptar a essa realidade”, disse o diretor de Capital Humano da consultoria Mercer, Pedro Alexandre Pinheiro.

Além da convivência com a diversidade, os líderes do presente e do futuro também precisam ser claros e objetivos na hora de se comunicar com a equipe, disseram outros diretores de empresas que participaram do comitê de Gestão de Pessoas da Amcham-São Paulo nesta sexta-feira (17/06).

“A habilidade de conviver harmoniosamente é um tema cada vez mais atual em organizações multiculturais”, afirmou o diretor de novas oportunidades de negócios da DuPont, Marcos Couto Gaio.

“Em nosso caso, temos um programa interno em que as pessoas são treinadas e trabalhadas para compreender melhor as diversidades dentro e fora da organização”, acrescentou o executivo.

Diálogo necessário

Por outro lado, a chegada de uma geração mais jovem, na faixa dos 30 anos, aos postos de liderança acentuou a necessidade de diálogo. “Temos uma geração mais complicada de se liderar”, observou o diretor de inovação e sustentabilidade da Philips, Walter Duran.

“Eles são muito familiarizados com as novas tecnologias de informação e se comunicam muito pelos meios eletrônicos”, continuou Duran. Para ele, o uso frequente de dispositivos móveis para envio de mensagens está desestimulando o diálogo presencial, necessário para trocar impressões e transmitir senso de integração.

Por isso, as lideranças precisam encontrar formas de estreitar o diálogo entre o gestor e a equipe. “O time precisa acompanhar o seu líder, e isso é facilitado pelo contato pessoal”.

Gaio, da Du Pont, lembra que a prioridade do diálogo tem aumentado nos últimos anos. Há cerca de vinte anos, o gestor costumava trabalhar em sua sala focado em sua meta de trabalho e separado da equipe.

“Hoje o líder é visto como um membro, pois em algum momento se reporta a algum superior, e seu comprometimento tem que ser o mesmo da pessoa que se reporta a ele”, ressaltou.

Líder tem que se comprometer com a empresa e o time

Um gestor que possui habilidades de liderança precisa dar o exemplo para os funcionários, comenta Pinheiro, da Mercer. “O líder tem que estar junto com o seu pessoal, para mostrar que ele está compartilhando os mesmos objetivos”, explicou.

Ou seja, o discurso tem que produzir a mesma ação. “Através do exemplo, as pessoas têm que olhar para o líder e se espelhar nele”, disse Pinheiro.

Além disso, o colaborador com perfil de liderança deve possuir outra característica: a auto-motivação. “Se ele tem consciência do seu papel,  continuará buscando inspiração interna em seu trabalho”, assinalou Duran, da Philips.

Capital humano é o mais rentável

Ter liderança competente é um diferencial estratégico, disse Pinheiro, da Mercer. Por isso, a importância de as empresas investirem na formação e retenção dos melhores quadros é essencial para o futuro.

“O capital humano formado por pessoas qualificadas é cada vez mais raro, principalmente no Brasil. Falando do ponto de vista de ativos, o humano é o que potencialmente pode ser mais bem utilizado. Vale a pena treinar pessoas”, comentou Pinheiro.

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