Capacidade de organizar cadeia de suprimentos é determinante para ampliação da competitividade das empresas

por daniela publicado 18/10/2011 08h28, última modificação 18/10/2011 08h28
Daniela Rocha
São Paulo – Gestão deve prever alinhamento com estratégia corporativa, agilidade e adaptabilidade a mudanças de mercado, destaca Alex Rodrigues, professor da UFRJ.

As constantes mudanças no mercado, inerentes ao mundo globalizado e marcado pela evolução contínua das tecnologias, têm levado as companhias a organizarem suas cadeias de suprimentos de forma colaborativa.

Cada vez mais o grau de competitividade de uma empresa é ditado por sua capacidade de formar arranjos sofisticados com fornecedores de insumos e matéria-prima e parceiros relacionados a diversas outras atividades, como o abastecimento das linhas de produção e até a distribuição de bens para o mercado consumidor, envolvendo armazenagem, transportes, análises de demanda e estoques. É o que ressalta Alex Rodrigues, professor da Área de Operações, Logística e Tecnologia do Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (Coppead) da Universidade federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

“As empresas não competem mais entre si. Agora, são seus arranjos que competem. O diferencial está justamente na forma de organizarem suas cadeias de suprimentos de maneira colaborativa e integrada”, comentou Rodrigues, que é também PhD em Supply Chain Management pela Broad Graduate School of Management da Michigan State University, nos Estados Unidos. Ele participou nesta terça-feira (18/10) do comitê estratétigo de Compras Corporativas da Amcham-São Paulo.

Conforme o professor, o trabalho de inteligência – que envolve a articulação e negociação com fornecedores e prestadores de serviços terceirizados mediante metodologias de gestão e sistemas de tecnologia da informação (TI), garante maior alinhamento e agilidade operacional às estratégias corporativas, além de condições de adaptabilidade a novos cenários.

O Brasil vive ainda uma disparidade nessa matéria, avaliou Rodrigues. Enquanto existem grandes empresas com arranjos muito elaborados e resultados positivos, outras organizações ainda têm muito a avançar em termos gerenciais.

Gerente da área


A responsabilidade do gerente da cadeia de suprimentos é sincronizar as diversas áreas que têm ações específicas para o bom andamento do negócio. “Ele tem de coordenar os fluxos das operações desde o inicio da produção até a chegada dos produtos ao consumidor final. Cabe a ele orquestrar os departamentos, as empresas parceiras envolvidas, lidando com as diferentes hierarquias e os sistemas”, explicou o professor da UFRJ, em uma analogia com um maestro de orquestra.

Esse trabalho permite ajuste mais adequado do volume de produção e demanda. “O excesso de produção na ponta, assim como a falta dela no momento em que o consumidor deseja, são problemas que podem ser fatais”, disse. Além disso, as diretrizes da companhia passam a ser seguidas com maior critério. Por exemplo, caso o departamento financeiro indique a necessidade de redução de ativos, o gerente da cadeia de suprimentos orienta a equipe de compras para uma negociação diferente com os fornecedores, reduzindo estoques.”

No Brasil, o aprendizado para exercer esse cargo tem ocorrido na prática, no dia a dia da vida empresarial; porém, começam a ganhar força alguns cursos de especialização e MBAs. Em economias mais maduras, há maior grau de formalização do ensino, especialmente nos Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha e Holanda.

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