Case Transcendemos: como estruturar jornadas de diversidade de sucesso na sua empresa

publicado 10/09/2021 18h55, última modificação 17/09/2021 09h31
Confira 4 dicas práticas para colher os frutos da diversidade e ajudar a construir um mundo com oportunidades iguais para todo mundo
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Case Transcendemos: valorizando a diversidade de gênero de porta em porta até as maiores empresas do Brasil

No último ano, assuntos relacionados à diversidade e inclusão de grupos minoritários ganharam corpo e passaram a figurar como prioridade na agenda das empresas brasileiras. A matemática é simples: organizações que contam com a colaboração de funcionários plurais são mais inovadoras, criativas e lucrativas.

De acordo com uma pesquisa publicada em 2020 pela McKinsey na América Latina, funcionários de empresas que apoiam a diversidade relatam níveis mais altos de colaboração e têm probabilidade 152% maior de explorar novas formas de fazer negócio. Além disso, quando há equidade de gênero, a chance de uma empresa superar a performance financeira de seus concorrentes de mercado é 93% maior.

O estudo não é o único que comprova as contribuições da diversidade para o sucesso das organizações – e no episódio do nosso podcast desta semana, convidamos Gabriela Augusto, Diretora e Fundadora da Transcendemos, para falar sobre o potencial estratégico de práticas efetivas de diversidade e inclusão. Além disso, contamos com a participação especial de Nathalia Sobral, Talent Aquisition da Cargill como especialista do case.

Você pode conferir os detalhes, alegrias e ciladas desse papo no último episódio do nosso podcast ‘Um Case pra Chamar de Seu’, disponível em todas as plataformas digitais.

O CASE TRANSCENDEMOS

Desencorajada na faculdade por ser uma mulher trans, Gabriela Augusto decidiu se movimentar para que outras pessoas da comunidade LGBTQIA+ não enfrentassem os mesmos desafios pelos quais lidou no início da sua transição.

Um dos eventos mais marcantes, mas não o único, foi a ida a um espaço de eventos em São Paulo. Antes mesmo de conseguir entrar no local, na hora de passar pelo processo de revista feminina, a segurança exigiu que ela provasse que era uma mulher. Sem documentos retificados, Gabriela seguiu para a fila dos homens e, mesmo assim, os responsáveis pela organização da festa não sabiam como autorizar sua entrada. “Não era uma situação ridiculamente difícil de ser resolvida, mas foi algo profundamente triste. Eu me culpei por um tempo, mas cheguei a conclusão que, se tinha alguém que deveria ser responsabilizado, era a empresa”, conta.

Foi assim que surgiu a Transcendemos, uma consultoria que ajuda organizações a se tornarem mais inclusivas e ajuda talentos plurais a se desenvolverem profissionalmente. “A primeira coisa que eu fiz foi criar um livro com algumas dicas básicas sobre como promover uma cultura de respeito dentro das empresas e distribuí-lo de graça, de porta em porta”, relembra. Mesmo não cobrando pelos manuais, Gabriela passou a ser chamada para palestras, treinamentos e, mais tarde, para consultorias estratégicas nas maiores empresas do Brasil.

Porém, apesar de muitas organizações enxergarem a diversidade como um valor ou prioridade do negócio, apenas 5% dos executivos ouvidos pela Pesquisa Global de Diversidade e Inclusão, da PwC, afirmam que estão tendo sucesso nas principais dimensões de um programa de inclusão bem-sucedido.

Mas é preciso começar: confira 4 dicas práticas sobre como estruturar jornadas de diversidade de sucesso na sua empresa e ajudar a construir um mundo com oportunidades iguais para todo mundo.

 

1-  O PRIMEIRO PASSO É SE POSICIONAR

Repetir sempre as mesmas formas de fazer negócio não trará resultado positivo no futuro. E, quando o assunto é diversidade, o primeiro passo é se posicionar e posicionar sua empresa como aliados para um mundo mais justo e igualitário. “Você não precisa ser uma pessoa negra para lutar contra o racismo e não precisa ser LGBT para ser uma pessoa aliada contra a LGBTfobia. Todo mundo pode apoiar e todo mundo tem o seu papel”, diz a fundadora da Transcendemos.

Perguntar os pronomes que a pessoa com quem você está falando se identifica, sem violar ou invadir a intimidade do outro, usar uma linguagem inclusiva para não excluir ninguém e reforçar que a diversidade é bem-vinda na sua empresa são boas ações para tornar essa jornada mais fluída.

“Muitas pessoas têm medo de mandar currículo por não saber se são bem-vindas em uma determinada empresa. Fortaleça sua marca empregadora para que os talentos busquem organicamente sua organização e estejam sempre ao seu redor. Faça, arregace as mangas e fale”, completa Gabriela Augusto.

 

2- OLHE ALÉM DA CONTRATAÇÃO

Contratar talentos plurais é a tarefa mais fácil dos programas de diversidade e inclusão no mundo corporativo. O problema é que muitas empresas se esquecem do básico: respeito ao nome social, política de uso de pronome, conscientização do corpo de colaboradores sobre questões práticas do dia a dia e transformar processos burocráticos para que eles se tornem mais ágeis.

As companhias precisam mapear as jornadas de talentos e dos colaboradores, estudar cada ponto de contato e tornar eles mais amigáveis para a diversidade. “Contratar não é o que faz a transformação. Nós precisamos ter uma estrutura que acompanhe, desenvolva e coloque essas pessoas na linha de sucessão de posições estratégicas, e isso é um trabalho continuo”, alerta Nathalia Sobral.

 

3- DÊ VOZ A DIVERSIDADE

Além de tornar o mundo mais justo e igualitário, diversidade e inclusão tem a ver com a ideia de tornar a empresa uma empresa melhor. Quando a Cargil percebeu que seus resultados não mudavam e que na alta liderança só havia homens brancos, eles decidiram apostar na pluralidade. O resultado não poderia ser diferente: mais inovação e novos resultados.

Porém, só trazer a diversidade para o time não basta. “Se queremos as melhores pessoas nos nossos times, precisamos fortalecer uma cultura onde todos se sintam livres para ser quem são. Nós precisamos trazê-las para dentro do processo criativo. As pessoas precisam ser ouvidas e ter segurança psicológica para expor suas ideias”, diz a fundadora da Transcendemos.

LEIA MAIS: Participe do Fórum de Diversidade e acelere mudanças para construir empresas inclusivas

 

4- APOIE O DESENVOLVIMENTO DE TALENTOS

Você provavelmente já se deparou com o seguinte dado: homens se candidatam a um emprego quando atendem apenas a 60% das qualificações, mas mulheres se candidatam apenas se atendem a todas elas. A descoberta veio de um relatório interno da Hewlett Packard, mas promete ser ainda pior quando esse recorte é interseccionado.

Reduzir os pré-requisitos necessários, evitar terminologias específicas e estar aberto para desenvolver pessoas podem alavancar a jornada inclusiva da sua empresa. Guerrear pelos mesmos talentos não contribui para a mudança, apenas satisfaz a necessidade de bons números em relatórios de diversidade: são as empresas que transcendem essa guerra e estão interessadas em arregaçar as mangas que colhem os frutos no dia a dia. 

Confira outras dicas e análises de Gabriela Augusto e Nathalia Sobral no episódio bônus do ‘Um Case pra Chamar de Seu’ e fique por dentro dos bastidores do mundo corporativo.

UM CASE PARA CHAMAR DE SEU

Você já conhece o nosso podcast? No Um Case pra Chamar de Seu, nós convidamos CEOs, empreendedores e especialistas de todo o Brasil para conversar sobre negócios, gestão de pessoas e inovação com transparência e leveza.

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