Como a transformação digital moldou o novo CIO

publicado 23/02/2016 16h51, última modificação 23/02/2016 16h51
São Paulo – Consultora Ana Claudia Reis e Orlando Cintra, VP da SAP, comentam o perfil do líder de TI
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Se a conectividade transformou a vida da sociedade e hoje há poucas atividades sem o apoio de um aplicativo, os profissionais que lideram as áreas de tecnologia das organizações mudaram ainda mais. O aspecto conservador que existia há 20 anos deu lugar a um perfil versátil, que “antecipa o futuro” e atua para impactar o negócio.

“Tudo está direcionado para a transformação digital. Ela mudou o perfil das pessoas em tecnologia e o CIO é o líder da transformação digital”, define Ana Cláudia Reis, sócia da Caldwell Partners.

Orlando Cintra, vice-presidente sênior de Tecnologia e Inovação da SAP concorda e diz que a mudança se deu principalmente nas atividades do líder: “quando comecei a trabalhar, a tecnologia ficava numa sala gelada chamada CPD (Centro de Processamento de Dados), um cenário que não existe mais. A transformação digital mudou completamente o papel do CIO”, avalia.

Os dois discutiram o tema durante o comitê de Tecnologia da Informação e Comunicação da Amcham – São Paulo, terça-feira (23/02).

A mudança ocorre porque a tecnologia passou a impactar os negócios por completo – alguns passaram a depender totalmente dela. Ao mesmo tempo, o perfil dos próprios colaboradores também se alterou, com a entrada da geração Y, totalmente conectada e com formações mais diversificadas. E como muitas funções relevantes às organizações foram terceirizadas, o quadro exige do CIO liderança de grandes times e gestão de contratos e fornecedores.

“Ele tem de saber estruturar equipes, escolher as pessoas certas e ser mentor delas, o que significa se preocupar com a essência dos profissionais”, pontua Ana.

Com o alto volume de informações hoje trabalhadas, o CIO também virou especialista em segurança da informação. Lida com big data, analytics e tudo o que ainda será tendência no digital. E, como conhece todas as áreas do negócio, sabe o que vai dar resultado para cada uma delas e para toda a organização.

“O líder de TI tem de ser um evangelizador, levantar a bandeira de tudo o que a tecnologia pode fazer pelo negócio. Quem não conseguir vender à empresa que a tecnologia pode ser mais próxima do negócio vai ter dificuldade para ficar no mercado”, analisa a consultora.

Orlando Cintra ressalta que a transformação digital não afetou apenas o CIO, mas a todos os profissionais “C level”, como CEO, CFO, CMO, CSO e CPO. “Todos estão criando novos negócios ou se acabando com a transformação digital”, brinca.

Com as novas demandas e a agilidade que elas requerem, o CIO deve manter o dia-a-dia funcionando “muito bem”, diz Cintra, para ter credibilidade. Tem de conhecer os processos do negócio tão bem quanto a área de TI e saber como ele vai operar no curto, médio e longo prazos.

“O CIO tem de liderar para o caminho de transformação digital em conjunto com outras diretorias. Não há outra área melhor preparada, com ferramentas e conhecimento do negócio e da tecnologia para puxar esse processo”, declara.

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