Como cultivar saúde e bem-estar em tempos de isolamento social?

publicado 05/05/2020 10h59, última modificação 05/05/2020 10h59
Brasil - Manter uma boa alimentação, praticar atividade física e priorizar o sono são ações que podem ajudar a amenizar os impactos negativos da quarentena
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Segundo o Marcio Atalla, o isolamento social deve ser aproveitado para adotar boas práticas e mantê-las: "Não adianta ter qualidade de vida agora, mas abandoná-la quando acabar o período de quarentena”

Desde que a COVID-19 foi classificada como pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a rotina de milhares de pessoas se transformou. O consenso para diminuir a proliferação do vírus e o número de infectados, até o momento, é o isolamento social. Mas, manter a mente sã e o corpo são em meio à recomendação de quarentena e às incertezas em torno da doença não é uma tarefa fácil. 

Ansiedade, insônia, alterações de apetite e desmotivação são alguns dos sintomas de ordem emocional, decorrentes do autoisolamento. Para ajudar a amenizar impactos negativos causados pela doença, que vai além da transmissão, Marcio Atalla, Professor de Educação Física na Clínica BemStar, e a nutricionista Danielle Fontes, compartilharam dicas sobre pequenas ações que podem fazer a diferença no dia a dia, durante webinar transmitido no dia 30/04.

 

PRESERVE A ROTINA

Manter a rotina o mais próximo possível do que era antes da quarentena é essencial para preservar a saúde mental e física. “Não é porque estamos em casa que não temos horários específicos para dormir e se alimentar. Nosso cérebro procura automatizar ações para poupar energia e fazê-las sempre da mesma maneira. Manter uma rotina nos ajuda e nos deixa mais seguro”, explica Atalla. 

 

PRATIQUE ATIVIDADE FÍSICA

Toda vez que uma pessoa fica ansiosa, o organismo libera um hormônio chamado cortisol. Para mantê-lo controlado, basta praticar exercícios regularmente. “A atividade física não só luta contra a ansiedade, mas também contra o estresse e o medo. Isso acontece porque há a liberação de dopamina, responsável pela sensação de bem-estar”, afirma a Dra. Danielle Fontes. Além disso, a nutricionista explica que treinos de força podem ajudar a manter ou ganhar massa magra durante o período de isolamento.

Em relação às crianças, Marcio Atalla chama atenção para a criatividade. De acordo com ele, os pais precisam trazer para a vida deles brincadeiras nas quais o físico é mais exigido e apostar em ações que diminuam o tempo de tela. “A atividade mais completa é a dança. A dança desenvolve o físico, o sistema cognitivo, o ritmo, equilíbrio, além do componente social”. 

 

MANTENHA UMA BOA ALIMENTAÇÃO

A principal dica dos especialistas é: organize sua alimentação e reduza o consumo de alimentos industrializados. Para ajudar nessa tarefa, segundo a Dra. Danielle Fontes, é importante planejar e preparar as refeições antecipadamente. “Ter comidas prontas facilita o acesso a alimentos saudáveis quando você sentir fome. Quando você não tem nada preparado, qualquer pacote é mais fácil de ser consumido”, diz.

Além disso, de acordo com a nutricionista, não se deve comer sempre que sentir fome – é preciso entender sua relação com a comida. Quando alguém sente sintomas físicos, como dor no estômago e queda de energia, é sinal de que o corpo está pedindo nutrientes. Geralmente, essa ‘fome do corpo’ pede alimentos neutros e refeições completas.

Por outro lado, se não há nenhum sintoma físico, o mais provável é que seja ‘fome emocional’. “A crise age como uma espécie de lupa. Se uma pessoa já tinha uma relação conturbada com a comida, isso se intensifica. Por isso, nós precisamos entender o motivo da nossa fome”, explica a Dra. Danielle Fontes.  

 

VIVA NO PRESENTE

Em tempos de isolamento, cada pessoa precisa trabalhar seu estado de atenção no presente. “Passamos muito tempo pensando no futuro ou no passado. E isso nos deixa receosos e ansiosos”, diz a nutricionista. Para diminuir o estresse, técnicas de atenção plena, meditação e mindfulness são extremamente úteis nesse momento. 

Marcio Atalla aconselha que todos se mantenham ‘próximos’, mesmo que à distância. Vale ligação, chamada de vídeo e até mensagens de texto. “Converse, brinque. Esse tipo de contato é extremamente relaxante e tem um poder muito grande na nossa saúde emocional”. 

 

PRIORIZE UMA ROTINA DE SONO SAUDÁVEL

O sono é fundamental para o reparo emocional, mas se desconectar do mundo físico e virtual pode ser uma tarefa difícil. Em quarentena, a situação fica ainda mais complicada. Apesar dos impedimentos, ter boas noites de sono faz toda a diferença na qualidade de vida. Quando há privação de sono, explica Atalla, a tendência é que a imunidade seja reduzida, o humor alterado e estresse amplificado. 

Segundo ele, o indicado é dormir e acordar sempre no mesmo horário. Para melhorar a qualidade do sono, o especialista também aconselha ficar de 30 minutos a 1 hora sem olhar para nenhuma tela antes de dormir e meditar. "A meditação equilibra nosso sistema nervoso para que relaxemos e possamos dormir melhor".

 

CRIE UM HÁBITO

Não há outra maneira de criar um hábito sem ser criando uma nova conexão com o cérebro. Para isso, o ideal é apostar na repetição. “Em um espaço de três, é preciso repetir uma tarefa pelo menos 70 vezes para se tornar um hábito. Mas não é preciso ser nada grandioso – podem ser mudanças simples, mas repetíveis. É melhor se exercitar por 10 minutos, mas repetir isso todos os dias do que fazer uma aula incrível de uma hora apenas uma vez”, diz Marcio Atalla. 

Segundo o especialista, o isolamento social deve ser aproveitado para adotar boas práticas, fazer atividade física, manter uma alimentação saudável e cuidar do espiritual. “É preciso usar esse tempo para adquirir esses hábitos e carrega-los para a vida pós pandemia. Não adianta ter qualidade de vida agora, mas abandoná-la quando acabar o período de quarentena”, finaliza. 

 

O QUE SÃO OS WEBINÁRIOS?

São transmissões ao vivo de bate-papos e entrevistas, exclusivos online, sobre diversos assuntos do mundo empresarial. Diante da atual situação com a COVID-19 no Brasil, transformamos os encontros presenciais em atividades digitais e webinários.

PARA QUEM SÃO E COMO FUNCIONAM?

Os webinários especiais sobre a Covid-19 são públicos, totalmente gratuitos e podem ser acessados pelo link amcham.com.br/aovivo.