Como o design ajuda a gerenciar projetos e a identificar novas ideias

publicado 22/01/2016 08h30, última modificação 22/01/2016 08h30
São Paulo – Especialista em inovação Fabio Amado explica o que é o design thinking
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Em tempos em que inovar é o primeiro requisito para empresas e profissionais se manterem vivos no mercado, o design vira suporte tanto para identificar as novas ideias quanto para gerenciar projetos. O chamado design thinking, que pode ser entendido como “forma de raciocinar a partir do design”, permite chegar a uma solução que efetivamente faça sentido para o usuário do produto ou serviço.

Tudo começou quando a escola alemã Bauhaus pensou em algo que não fosse útil apenas para a produção em escala da indústria, mas relevante para o usuário, conta Fabio Amado, estrategista de design e inovação da Opt-Inn e da Mewe, que discutiu design thinking no comitê de Secretariado da Amcham – São Paulo, quinta-feira (21/01). O que a Bauhaus criava, em 1914, era o design.

“Design thinking é um nome elaborado que nada mais é do que a busca pela essência do design que a Bauhaus trouxe lá atrás: sempre que criar algo, seja serviço ou produto, é preciso pensar nas pessoas que vão utilizá-lo, as que fazem parte da cadeia”, explica Amado.

Sob essa abordagem, quando um banco planeja novo serviço de cartão, tem de pensar nas pessoas que vão utilizá-lo, nas situações de uso, nas lojas que vão aceitá-lo, nos funcionários da própria instituição financeira e em qualquer outro envolvido no processo todo, exemplifica o estrategista. “Utiliza-se o foco das pessoas para criar algo que faça sentido para elas”, resume.

É por causa desse aspecto que essa forma de pensar proporciona a inovação. Imagine que todas as TVs disponíveis no mercado sejam praticamente iguais. O que pode diferenciar uma da outra é a experiência de uso, pontua Amado. “Quanto mais mergulhar na vida do consumidor, mais diferenciado será o produto ou serviço oferecido”, afirma.

O pulo do gato está em reconhecer os problemas dos usuários que permanecem ignorados. “O design thinking ajuda a cavar problemas para os quais as pessoas nunca olham e faz com que eles se tornem reais possibilidades de projeto”, esclarece.

Três pilares

Essa qualidade do design thinking se apoia em três pilares: empatia, colaboração e experimentação.

A primeira ocorre quando se “mergulha” na vida das pessoas que são alvo do serviço ou do produto. Vale entrevistá-las pessoalmente, aplicar pesquisas e até observá-las para levantar dados que possam inspirar, levar a insights e entender seus problemas. “Quanto mais informações sobre elas, melhor”, diz o palestrante.

Com as informações em mão, é necessário então trazê-las para o processo criativo, na fase de colaboração, também conhecida como co-criação. O conhecimento do público-alvo e das áreas que participarão da realização do produto ou serviço é primordial para desenvolver soluções. “Sem isso, o resultado não será tão relevante para o cliente”, pondera.

Com as ideias criadas, é hora de partir para a experimentação ou prototipação. Nessa fase, as propostas são testadas para verificar se realmente funcionam. “A intenção é identificar que tipo de problema elas têm no primeiro uso. Aprendendo com o protótipo, podemos corrigi-lo até lançar o produto ou serviço em escala maior”, comenta Amado.

Ele lembra que o Itaú fez um protótipo do serviço de bicicletas na Vila Mariana, zona sul paulistana, antes de expandi-lo a outros bairros. “Assim, transforma-se a ideia em solução factível”, expõe.

No secretariado, a abordagem possibilita planejar ações diversas, desde a organização dos projetos até o gerenciamento de viagens de executivos e reuniões. “Numa viagem, é importante pensar nas atividades que os executivos terão, em locais apropriados para que fechem negócios e o que podem fazer na outra cidade em um momento livre”, sugere.

Pode desenhar?

Fabio Amado indica desenhar, pôr as informações no papel, incluindo os coloridos post-its. Essa configuração ajuda a visualizar os processos e a externa-los para outras pessoas de forma convidativa.

“Quanto mais expomos os insights, mais os compartilhamos e fazemos todos a trabalharem com aquilo. Qualquer pessoa que chegar vai entender em que pé está o projeto e ver oportunidades, porque ele não estará fechado numa planilha”, cita.

Numa reunião, o design thinking mantém o foco nas questões-chave. Se surgirem novos temas a partir do assunto inicial, eles podem ser anotados nos papeis e serem resgatados em momento oportuno.

Fabio Amado destaca que o design thinking pode ser utilizado para qualquer projeto, por diferentes profissionais, dos mais simples aos multimilionários. “Essa abordagem realmente dá certo porque possui as informações e a participação do usuário, um histórico que dá base e conforto ao lançar uma novidade”, declara.

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