Comunicação assertiva faz parte das necessidades do profissional moderno, defende Reinaldo Passadori

por marcel_gugoni — publicado 17/07/2012 17h02, última modificação 17/07/2012 17h02
São Paulo - Falar com assertividade não é acertar, mas discursar com propriedade, segurança e naturalidade, ensina especialista em recursos humanos, comunicação e neurolinguística.
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A simples ideia de ter que falar em público dá medo em muita gente. Na vida profissional, quem já precisou fazer uma palestra ou liderar uma reunião e travou na hora H sabe o quanto o medo e a hesitação comprometem a mensagem que deveria ser passada. Reinaldo Passadori, especialista em recursos humanos, comunicação e neurolinguística, afirma que a comunicação assertiva é necessidade das empresas e elas buscam isso em seus profissionais, principalmente nos líderes.

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Falar com assertividade não é acertar, mas discursar com propriedade, segurança e naturalidade. Passadori diz que a boa comunicação é aquela em que o falante mostra quem é, o que pensa e o que sente ao seu interlocutor. “Construir essas ligações é importantíssimo na comunicação”, defende. “Mas as pessoas preferem fugir a enfrentar o público. A principal razão é o medo”, diz.

Proferir uma aula ou conduzir uma exposição de um projeto podem ter resultados muito melhores se essa questão psicológica for enfrentada. “Todos temos que falar. Quem não se comunica não é nada e não faz valer seu ponto de vista e seu potencial.”

Passadori participou nesta terça-feira (17/07) do comitê aberto de Secretariado Executivo na Amcham-São Paulo e conversou com a reportagem do site antes do evento.

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Ele ressaltou que a grande maioria das empresas sofrem com a comunicação – ou com a falta dela. “Vejo diariamente casos de diretores, empresários, engenheiros, médicos, dentistas e todo tipo de pessoa que não consegue organizar as ideias para vender, negociar, entender clientes, dar entrevistas, apresentar projetos, falar com superiores ou integrar novos funcionários.”

Formação melhor

O grande descompasso está na formação. “As pessoas não têm esse tipo de atividade desenvolvida na escola e não sabem como trabalhar a timidez, lidar com o medo ou impostar a voz de maneira a transmitir uma ideia de forma clara e objetiva”, explica. “Algumas têm mais facilidade por já ter um certo dom, mas muitas têm até MBA e excelente formação, mas travam.”

“Sempre tivemos dificuldades na formação das crianças”, complementa. “E quanto mais o tempo passa, em vez de melhorar, o cenário piora. As crianças não estão sendo preparadas para falar bem, resultado da falta de estímulo de um sistema de ensino fraco e da relação informal tão cheia de gírias.”

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Pensando em contribuir com o desenvolvimento pela via da comunicação eficiente, o especialista criou um instituto com seu nome especializado em educação corporativa. Em 28 anos, o Instituto Passadori treinou mais de 50 mil pessoas com problemas de comunicação.

O instituto oferece 19 cursos voltados às mais variadas áreas, de técnicas de vendas e relacionamento com o cliente a marketing pessoal e media training. E o trabalho rendeu três livros: Comunicação Essencial – Estratégias Eficazes para Encantar seus Ouvintes (Editora Gente, 2003), As 7 Dimensões da Comunicação Verbal (Editora Gente, 2009) e Media Training - Como construir uma comunicação eficaz com a Imprensa e a Sociedade (Editora Gente, 2009).

Passos da assertividade

Passadori diz que qualquer empresa hoje precisa entrar em contato umas com as outras para fecharem negócios. E como esses acordos são feitos entre pessoas, a assertividade entra para eliminar e reduzir problemas de comunicação.

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Ensinar a comunicação assertiva é mostrar como dialogar sem ser invasivo, respeitando o ponto de vista do outro e falando de maneira educada. “É ser gentil e firme sem ignorar a percepção do outro”, explica. Do outro lado, há quem mantenha a comunicação passiva, “uma fala medrosa, de quem conversa olhando para baixo, e autoritária, cujos pedidos mais parecem ordens”.

Ele diz que há sete dimensões de comunicação passíveis de ser trabalhadas.

1. A comunicação intrapessoal é a que rege a autoestima e a autopercepção, o respeito a si mesmo e a motivação. “É aqui que o profissional se conhece de verdade”, analisa o palestrante.

2. A comunicação interpessoal está ligada à sensibilidade, à empatia, ao respeito, à consideração e à vontade de interagir.

3. “Na dimensão vocal entram como aspectos a serem tratados o volume, a dicção, e o direcionamento da voz”, explica.

4. A dimensão corporal trata de aspectos do corpo, desde o olhar e a expressão até a postura, a elegância, o estilo, o modo de apresentação e o marketing pessoal.

5. A técnica tem a ver com recursos audiovisuais e tecnologia usada na comunicação, no caso de uma palestra ou aula por exemplo. “Faz diferença na captação da mensagem o posicionamento das cadeiras em uma sala e a iluminação.”

6. A dimensão intelectual rege a estruturação de pensamento e organização das ideias para o bom encadeamento da mensagem. É possível trabalhar com isso mesclando o vocabulário correto a metáforas, o conhecimento adquirido em vida à ilustrações de como compartilhá-lo.

7. A dimensão espiritual envolve os valores, a ética, a responsabilidade social e a moldura cultural que temos – e que não deixamos de fora ao nos comunicarmos –, conta Passadori.

A necessidade de melhoria e de desenvolvimento varia dentro desses aspectos e podem ser tratados de forma independente.

E o professor ensina que “de nada adianta ter um enorme potencial se não o mostramos”. Resumindo em uma frase, ele diz que “somos valorizados não pelo que sabemos, mas sim pelos que fazemos com o que sabemos”.

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