Comunicação eficiente é primeiro passo para construir equipe de alta performance, receita consultor

por marcel_gugoni — publicado 14/05/2012 17h56, última modificação 14/05/2012 17h56
São Paulo – Cadu Lemos acredita que empresas podem ser tão eficientes como uma equipe de Fórmula 1 ao adotarem postura de engajamento da equipe.
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A comunicação é o primeiro passo para a construção de uma equipe de alta performance, capaz de se adaptar rapidamente às mudanças e avançar com velocidade rumo aos objetivos traçados. Porém, a maior parte das empresas peca exatamente neste ponto, afirma o consultor Cadu Lemos, especialista em marketing e em treinamento de equipes.

As mudanças bruscas de direção exigem uma comunicação fluida entre as equipes. “Nas consultorias que faço, o primeiro diagnóstico de todas as companhias quase sempre mostra problemas na comunicação”, afirma Lemos. Segundo ele, melhorar a comunicação da empresa significa melhorar as relações entre cada funcionário e criar vínculos capazes de gerar resultado.

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O consultor conversou com a reportagem do site pouco antes de fazer palestra no comitê aberto de Secretariado Executivo na Amcham-São Paulo nesta terça-feira (15/05). Para ele, as empresas deveriam se basear na experiência das equipes de F-1 para atingir o nível ideal de alta performance.

“O paralelo com a Fórmula 1 tem tudo a ver com o modo de atuação de equipes”, afirma. “Numa equipe de F-1, todos sabem muito bem o que acontece o tempo inteiro. Não tem agenda oculta ou segundas intenções em ordens e execução de tarefas.”

O especialista diz que, durante 14 anos, refinou um método tendo em vista o funcionamento das competições de automobilismo. Lemos considera que o funcionamento é muito parecido, mas as empresas deixam de mirar o essencial, que é o crescimento por meio da competição e do aprendizado com erros e acertos, para olhar para si mesmas.

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“É muito comum no mundo corporativo usarem o termo ‘vantagem competitiva’. Na F-1 isso não existe. O que existe é a ‘vantagem relativa’”, destaca. “Isso significa que a equipe só é tão boa quanto a sua última corrida. Isto é, ela se compara o tempo todos com os outros e não se coloca na posição de melhor do que ninguém, porque a cada volta outra equipe pode superá-la.”

Segundo Lemos, “o problema das empresas é que elas se comparam consigo mesmas o tempo todo, vendo o quanto elas cresceram em relação ao trimestre anterior ou o ano passado, e deixam de olhar o que acontece fora, entre os concorrentes delas”.

Os nove C

A metodologia desenvolvida por Lemos, chamada de Nove C, costuma ser aplicada em um workshop – o Pit Stop Experience – que envolve trabalhos reais de manutenção em um bólido de automobilismo. Trata-se de uma réplica de um carro da F-1, em que os participantes se dividem em grupos para aplicar os conceitos desenvolvidos durante uma simulação de pit stop.

“É um paralelo que faz todo o sentido quando vemos que cada equipe tem que executar tudo aquilo que planejou durante meses, desde o projeto do carro até o treino do pessoal, e aplicar tudo em um único dia, o da corrida”, afirma. O método de transportar os conceitos da F-1 para o mundo executivo deve virar um curso de MBA em breve. A metodologia, transposta ao papel, é um ciclo que envolve nove etapas inter-relacionadas. “Trata-se de uma série de competências importantes para o desenvolvimento de equipes de alta performance.”

Tudo começa com a comunicação, o primeiro C. “Se ela flui bem em todos os sentidos, de cima para baixo, de baixo para cima e para os lados, de uma maneira verdadeira e sem agenda oculta, é possível construir um ambiente em que haja confiança, que é o segundo C”, explica.

Ele afirma que “a confiança tem muito de fé: não vejo e não sinto, mas eu acredito no que faço, confio no meu trabalho e no do outro assim como no ambiente em que estamos”.

E a confiança é o que permite alcançar o ponto seguinte, o do compromisso. “O terceiro C implica em que assumir compromisso com o outro é ter agendas iguais, sem concorrência, baseada em um objetivo maior daquele time”.

“Se há uma boa comunicação e estabelece-se a confiança, assumindo compromissos verdadeiros, surge a colaboração, o quarto C”, diz o especialista. Equipes de alta performance não competem consigo mesmas, ressalta. Elas cooperam internamente.

E quem coopera, conquista, diz ele. “Passamos 70% da nossa vida adulta no trabalho, então essa conquista também é pessoal, além de profissional. É um tempo relevante despendido no trabalho que o torna significativo.” E, quando conquistamos algo, temos que celebrar a vitória. Este é o sexto C.

“A comemoração cria vínculos entre as pessoas. Isso é fundamental para um time que trabalha junto”, avalia.

Corrigindo e adaptando

O sétimo C é uma moeda com duas faces: “Depois da celebração, é preciso avaliar o que fizemos de certo ou de errado. Corrigir o que falhou ou dar continuidade ao que funcionou são as duas tarefas”, aponta. “Como o que aprendemos não podemos guardar, compartilhar surge como o C seguinte, o oitavo.”

Lemos defende que dividir o conhecimento adquirido melhora o aprendizado da equipe, diminuindo o retrabalho e facilitando a volta ao primeiro C – o da comunicação. “Graficamente, os nove C não são uma linha reta, mas uma esfera em que todos os pontos estão interligados de forma dinâmica.”

No centro dessa roda está a causa de ser da companhia, do departamento, da equipe e, em última análise, do indivíduo e seus objetivos de vida. “O propósito é que faz com que toda essa esfera gire em torno dos Nove C.”

No começo, o projeto envolvia somente quatro C. Depois, o ciclo cresceu para seis etapas, e depois para nove. Atualmente, há um décimo C que permeia todos os outros, mas não entra na contagem: “Reconheço que há um C que não aparece no ciclo, mas falo sobre ele. É o C da coragem, que depende do perfil de cada um para executar cada etapa.”

Entre os executivos que participam da experiência, diz ele, muito se fala na questão da comunicação, por meio da melhoria de processos, e da capacitação das pessoas. “Fala-se de futuro, mas o real poder é o agora. A melhor maneira de ter sucesso é criar o futuro que queremos, é assumir o compromisso de mudar.” E isso depende simplesmente de coragem para colocar a roda dos nove C para girar.

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