Conduta ética tem que começar de cima e atingir toda a empresa

publicado 16/12/2015 08h40, última modificação 16/12/2015 08h40
São Paulo – Transparência, prestação de contas e ética dominaram debates em congresso do IBGC
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O comportamento ético nas empresas foi o principal assunto debatido no 16º Congresso do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), de acordo com a superintendente-geral do IBGC, Heloísa Bedicks. O encontro aconteceu em novembro.

“Em diversos módulos e painéis, se discutiu muito a questão da conduta ética. Está no radar das pessoas e, principalmente dos conselheiros, que o topo da hierarquia empresarial tem que respeitar questões ligadas à transparência, prestação de contas e conduta ética”, afirma Heloísa, no comitê estratégico de Governança Corporativa da Amcham – São Paulo, em 2/12.

O congresso é um dos principais fóruns de discussão sobre o papel do conselheiro e tendências de mercado, e Heloísa comentou que o comportamento ético foi campeão de menções durante o congresso, “talvez pelo momento que o Brasil está vivendo (denúncias de corrupção envolvendo políticos e empresas estatais)”.

Além de dar o exemplo, os conselheiros precisam estimular a criação de estruturas de governança corporativa, defende a superintendente. “Criar um código de conduta não é suficiente, ele tem que ser divulgado. Não adianta ter uma governança só de parecer técnico, ela tem que ser efetiva.”

Também é preciso garantir que as pessoas possam denunciar práticas ilícitas com segurança. “Isso significa criar um canal de ouvidoria, de preferência externo, onde a pessoa terá a certeza de não vai ter represália no futuro”, detalha Heloísa.

Para a executiva, o governo também é responsável pela disseminação de práticas de transparência corporativa. A governança pública foi tema de um painel com o ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) Augusto Nardes e o (economista) Paulo Rabello de Castro (RC Consultores). Ambos falaram sobre a importância da governança. “Nosso governo precisa ter uma governança pública, coisa que hoje não tem. É uma crítica mesmo, porque o estado brasileiro precisa de boas práticas de governança”, afirma Heloísa.

Tendências para 2016

Outros desafios que os conselheiros enfrentarão no próximo ano é a cultura do imediatismo e a falta de políticas de sustentabilidade e incentivos para a inovação. Sobre o primeiro assunto, Heloísa disse que o conselho de administração tem o papel de incentivar as empresas a atuar mais com foco de médio e longo prazos.

Em relação à sustentabilidade, o caso da Samarco [responsabilizada pelo desastre ambiental que deixou desabrigados e poluiu o rio Doce, em Minas Gerais] foi citado como exemplo de falta de comprometimento da direção com as práticas de respeito socioambiental. Heloísa também destaca a inovação, que “pela primeira vez trouxemos o assunto para o congresso e foi excelente”.

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