Conselheiro deve ter participação ativa no desenvolvimento da empresa, afirma especialista em governança corporativa

por marcel_gugoni — publicado 04/04/2012 17h58, última modificação 04/04/2012 17h58
São Paulo – Cresce o interesse das empresas por formar conselhos de administração com profissionais devidamente certificados para a função.
alberto195.jpg

O conselheiro de uma empresa é o profissional que não só ajuda a abrir portas, mas aquele que acompanha de perto a gestão, atua no controle de riscos e participa ativamente no desenvolvimento dos negócios da empresa, na avaliação do vice-presidente do IBGC (Instituto Brasileiro de governança Corporativa), Alberto Emmanuel Whitaker. Para ele, tem crescido o interesse das empresas por formar conselhos de administração com profissionais devidamente certificados para a função.

Leia também: Conselho de administração mostra maturidade da empresa e ainda garante consultoria com menores custos, destaca especialista

Whitaker diz que a certificação é garantia de “contratar alguém que tem um nível de conhecimento adequado”. Por “conhecimento adequado”, entendam-se o alto nível de conhecimento técnico e a experiência do especialista. 

“A certificação é feita a partir da demonstração por experiência ou por exame, com conhecimentos de matérias específicas relacionadas com a função do conselheiro, desde questões de legislação até problemas de contabilidade e estratégia”, explica Whitaker, que participou do comitê estratégico de Governança Corporativa da Amcham-São Paulo nesta quarta-feira (4/4).

Quer participar dos eventos da Amcham? Saiba como se associar aqui

A governança corporativa é reconhecida no mundo como o melhor método de mostrar aos stakeholders (clientes, fornecedores, acionistas e mercado financeiro) o rumo da empresa e a direção estratégica dos negócios. Transparência, equidade de tratamento dos acionistas e prestação de contas são conceitos-chave das boas práticas de governança. 

O especialista estima que existam “perto de 700 conselheiros certificados em um programa que está sendo disseminado no Brasil”, mas o mercado potencial é ainda maior – em torno de 10 mil conselheiros atuam nas empresas dos mais diferentes ramos no País. Pela lei, é obrigada a ter um conselho de administração toda e qualquer empresa de capital aberto, mas a realidade é que companhias familiares também já aderem à prática. 

Investimentos e gestão 

Um conselho bem escolhido indica amadurecimento da gestão e atrai mais investimentos. O conselheiro do IBGC afirma que o Brasil tem avançado muito na certificação desse tipo de profissional. “O Brasil tem uma boa base de governança corporativa, e o que é muito positivo é que as empresas daqui se preocupam em sempre estar se otimizando”, afirma.

Veja aqui quais são as vantagens de ser sócio da Amcham

O IBGC indica que a governança corporativa está intimamente relacionada a um ambiente institucional equilibrado. “O programa de certificação, que começou como certificação para conselho de administração e evoluiu para conselheiros ligados ao conselho fiscal, segue modelos de certificações semelhantes nos EUA, na Europa e na Ásia”, aponta. 

Ao comitê, Whitaker mostrou alguns modelos de governança internacional. Ele diz que as particularidades e as práticas de cada país determinam o método de formação de um conselho de administração e as exigências de qualificação da equipe. 

Nos EUA e Reino Unido, onde estão as raízes da governança, os mercados de capitais atingiram grande pulverização do controle acionário das empresas, afirma. Na Alemanha e no Japão, as instituições financeiras participam de forma importante no capital social das empresas industriais. Em outros países da Europa, chegou-se à organização de blocos de controle para que os acionistas exerçam, de fato, o poder nas companhias. 

Objetivo e especialização 

Mas, independentemente do formato, a escolha de um conselheiro depende dos objetivos da companhia para adotar um conselho. 

“O conselho não se confunde com a gestão. Ele vai contribuir com sua experiência para ver como está sendo definida a estratégia, vai se dedicar ao controle de riscos e saber se esse controle está sendo feito adequadamente”, explica. “Se uma empresa quer se internacionalizar, terá que procurar ter no conselho alguém que tenha uma experiência boa de mercado internacional.” 

Whitaker demonstra que a capacitação e o constante aprimoramento são essenciais. O próprio especialista do IBGC, que se formou em direito e administração, participou ao longo da carreira de vários cursos de extensão focados em governança corporativa, entre eles o da University of Chicago, do International Institute for Management Development (IMD), em Lausanne (Suíça); do National Association of Corporate Directors (NACD), em Washington (EUA); e do Global Corporate Governance Forum (IFC). 

Para Herbert Steinberg, presidente da Mesa Corporate Governance, conselheiro da Amcham e presidente do comitê estratégico de Governança Corporativa, que foi o palestrante da reunião anterior, a certificação está em amadurecimento nas empresas e deve crescer cada vez mais. “Ser certificado não significa que ele seja ótimo conselheiro ou estará em um conselho de ponta, mas não há dúvida de que é parte importante do currículo [de um conselheiro].”

registrado em: