Inovação, considerada estratégica, passa a ser mensurada pelas organizações

por daniela publicado 17/08/2011 16h20, última modificação 17/08/2011 16h20
Daniela Rocha
São Paulo - Segundo especialistas, esse é a forma de aprimorar a gestão dessa área, direcionar recursos de forma adequada e alcançar metas.
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Considerada estratégica ao desenvolvimento dos negócios e das nações no mundo globalizado, a inovação - capacidade de transformar ideias em fins produtivos e benefícios à sociedade - é cada vez mais mensurada pelas empresas e universidades. As quantificações nessa área levam a uma gestão eficiente, pois facilitam tomadas de decisão, readequação dos processos e direcionamento mais adequado de recursos. É o que defenderam especialistas que participaram nesta quarta-feira (17/08) do comitê de Inovação da Amcham-São Paulo.

“As métricas nos ajudam a compreender o quanto estamos próximos dos objetivos que foram estabelecidos e são importantes para avaliarmos melhor a destinação de recursos, que são limitados. No caso das empresas, a inovação tem de gerar lucro; já nos órgãos de governo, a lucratividade é desejável, porém a ênfase é o atendimento da sociedade”, disse Eduardo Brito, diretor de Prospecção, Análise e Gestão de Projetos da Agência USP de Inovação, que é o núcleo de inovação tecnológica da Universidade de São Paulo.

A missão da agência é prestar assistência em questões ligadas à propriedade intelectual e estimular a inovação e o empreendedorismo. De acordo com Brito, os principais indicadores para medir a inovação são os recursos investidos em pesquisas; a participação de pesquisas em chamadas públicas (órgãos de fomento); os artigos científicos publicados; os convênios e contratos com o setor privado para o desenvolvimento de novos produtos; os produtos que efetivamente chegam ao mercado; as empresas atraídas para atuar no Estado; e a formação de novas companhias.  

O diretor apresentou alguns desses números. A USP tem aportado em pesquisas cerca de R$ 1,2 bilhão e, em 2010, publicou 27.656 artigos científicos no Brasil e no exterior. Em relação aos licenciamentos de patentes, a universidade vem efetuando cinco por ano. “Precisamos ampliar esse número”, comentou.

Na avaliação de Brito, para que o País avance em inovação, é fundamental intensificar a cooperação entre o setor privado e o meio acadêmico. “As empresas precisam usar mais a capacidade instalada que as universidades têm - laboratórios e equipamentos caríssimos - e conhecer melhor os estudos desenvolvidos e os especialistas."

Setor privado inovador

A Whirlpool, detentora das marcas Brastemp e Consul, obtém hoje cerca de 25% de seu faturamento na América Latina a partir da inovação, sendo que o Brasil tem papel relevante.

“O País é considerado pela companhia o local para experimentar coisas diferentes e tem apresentado resultados diferenciados em relação às operações no resto do mundo”, comentou Rogério Martins, diretor de Desenvolvimento de Produtos e Inovação da Whirlpool na região. 

O crescimento do mercado consumidor doméstico e as dificuldades enfrentadas pelas economias maduras dos Estados Unidos e da Europa contribuem para que o Brasil mantenha elevados os aportes de investimentos nesse segmento.

A Whirlpool é a empresa privada que mais deposita patentes no Brasil e a quarta no ranking das 50 maiores depositantes no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).

Segundo Martins, a Whirlpool aplica métricas em todas as etapas da inovação, passando por descoberta de oportunidades, gestão das soluções e projetos e resultado dos negócios. “Essa é uma forma de acompanhar todo o processo desde o princípio, o que garante a cobertura de necessidades, de alguns gaps que podem existir em algumas etapas, garantindo o resultado final”, disse.

Conforme o executivo, normalmente, as companhias fazem avaliação da inovação na fase dos resultados finais, mas, nesses casos, fica mais complicado detectar quais foram os eventuais problemas de percurso para corrigi-los. A metodologia da Whirlpool para medir o grau de inovação em todas as fases de suas atividades faz com que área financeira libere os recursos com mais facilidade, uma vez que se tem acesso a informações detalhadas.

Outra iniciativa do grupo é a aplicação constante de pesquisas junto aos colaboradores para mensurar se a inovação está arraigada na cultura da empresa, que realiza treinamentos e fóruns para captura de ideias.

Case de sucesso

Na Alpargatas, gestora das marcas Havaianas, Mizuno, Topper, Rainha e Timberland, entre outras, a inovação também dá o tom dos negócios. “A inovação é importante para projetar a imagem da empresa, fortalecer sua reputação e conquistar a lealdade dos consumidores”, afirmou René Los, diretor de Operações. De acordo com ele, a inovação é medida a partir de margem de lucro, vendas e tempo para o cumprimento de cronogramas. “Mas nosso princípio é criar, ter ideias, sem muitas métricas”, ponderou. 

O maior case de sucesso da empresa, referência até na Universidade de Harvard, é a Havaianas, marca de sandálias que teve explosão de vendas no mundo a partir de transformações efetuadas a partir de 1993. Hoje são comercializados 200 milhões de pares ao ano. O calçado que, no passado, era voltado às classes D e E e tinha a sua funcionalidade ressaltada nas campanhas publicitárias - “não deforma, não tem cheiro, não solta as tiras”- passou a ser um item fashion. Os vários modelos e cores de sandálias, que refletem diferentes estilos, agora ocupam pontos de venda mais nobres e são desejados por consumidores de maior renda.

Setor de comunicação

A rede ESPN tem inovado constantemente para acompanhar as mudanças do comportamento das pessoas devido ao acesso às novas tecnologias, destacou Marcelo Pacheco, diretor comercial e de Novos Negócios. Além de oferecer programação na TV paga, a empresa passou a ofertar aos assinantes um aplicativo para que tenham acesso a três canais no Ipad, no Iphone e no aplicativo Android, além de eventos sob demanda.  A companhia também começou a disponibilizar conteúdo na rádio (Estadão ESPN) e na mídia impressa (Revista ESPN).

De acordo com Pacheco, a companhia não tem uma metodologia própria para medir a inovação; contudo, vem acompanhando a evolução da receita e dos anunciantes a partir de iniciativas diferenciadas.

Segundo ele, a oferta de conteúdo dependerá cada vez mais de parcerias com empresas de diversos segmentos, sobretudo da área de tecnologia. “A Copa de 2010 foi marcada pela transmissão HD (alta definição). Em 2014, será 3D (tridimensional).

Altamente focada em inovação, a ESPN mantém interação com a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e com algumas instituições estrangeiras. “A companhia pretende estabelecer contato com outras universidades brasileiras”, anunciou o diretor.

 

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