Parte do empresariado vê continuidade de Dilma com desconfiança, segundo consultor

publicado 25/07/2014 15h32, última modificação 25/07/2014 15h32
São Paulo – Ulisses Rapassi, da Macropolítica, ressalta que presidenta reúne as melhores condições para vencer as eleições
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De acordo com o analista político Ulisses Rapassi, a reeleição da presidenta Dilma Rousseff é vista com desconfiança pelo mercado, em função da perspectiva de aumento dos gastos públicos e conseqüente piora do ambiente de investimentos. “O baixo crescimento da economia alimenta a campanha de parte dos empresários contra a Dilma”, disse Rapassi, sócio da consultoria Macropolítica, durante a reunião conjunta dos comitês estratégicos de Marketing e Diretores Comerciais que aconteceu quarta-feira (23/7), na Amcham – São Paulo.

O consultor traçou um panorama do cenário eleitoral aos executivos de marketing e vendas que participaram do encontro. Na avaliação de Rapassi, o governo frustrou as expectativas do empresariado ao optar por soluções de curto prazo, como a desoneração fiscal que segurou o desemprego (mas reduziu a arrecadação tributária), a alta dos juros e a maquiagem nas contas públicas feita em 2012, para atingir a meta de superávit daquele ano.

“Existe a percepção de que o governo interfere ideologicamente na regulação de setores da atividade econômica, especialmente no que se refere à limitação da taxa de retorno [dos projetos de infraestrutura].”

Cenário pessimista para a economia

Além disso, o esfriamento da economia, somado às eleições presidenciais de outubro, criou um cenário de congelamento dos investimentos produtivos, segundo o analista. Para reconquistar a confiança do setor privado, Dilma anunciou medidas de incentivo à indústria. Alguns deles são a oferta de crédito mais barato para investimentos, devolução de impostos para exportadores de manufaturados e parcelamento maior de tributos devidos à União.

Apesar do pessimismo, Dilma é a candidata que reúne as melhores condições para se reeleger em outubro. Rapassi enumerou algumas delas:

- Dilma disputa a reeleição no exercício do mandato;

- Vai mostrar as realizações econômicas e sociais do governo, comparando com as do PSDB;

- Tem apoio quase que incondicional dos beneficiários do Bolsa-Família;

- Não é pessoalmente questionada pela crise ética de seu partido e da parcela do governo que lidera. “Ela consegue separar o governo de sua pessoa”, disse o analista;

- Anunciou medidas de interesse do setor empresarial e da classe média

Sem reformas estruturais à vista

Analisando as propostas de governo dos três principais candidatos à Presidência da República – Dilma Rousseff, Aécio Neves e Eduardo Campos –, o analista político Ulisses Rapassi viu que todos priorizam a manutenção de programas sociais e austeridade fiscal, mas nenhum menciona o início de reformas estruturais da economia (tributária, trabalhista e política). “Tirando a reforma federativa que a Dilma citou em discurso, as outras não devem acontecer”, afirma Rapassi.

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