Continuidade é principal desafio para programas de qualidade de vida nas empresas

por giovanna publicado 15/02/2012 12h39, última modificação 15/02/2012 12h39
Recife – Comunicação intensa e avaliação constante são chaves para sucesso deste tipo de iniciativa.

O maior desafio dos programas de qualidade de vida no ambiente corporativo são sua continuidade, avalia Paulo Erlich, diretor da Lumina Consultoria.

“O desenvolvimento é a etapa mais crítica do programa por ser imprevisível. Engajar as pessoas nas atividades e mantê-las participando das ações requer persistência dos gestores envolvidos, comunicação intensa e avaliação constante junto aos colaboradores”, destaca Erlich, que esteve no comitê de Gestão de Pessoas da Amcham-Recife nesta terça-feira (14/02).

Ele analisa que, com um programa de qualidade de vida estruturado, há significativa  redução do absenteísmo. As faltas de colaboradores podem cair entre 15% e 40%. “Isso acontece devido à quantidade de fatores que influenciam um programa de qualidade de vida, como clima organizacional, capacidade de envolver os funcionários e comunicação efetiva”, afirmou.

Atividades

O consultor cita que as ações mais adotadas nos programas de qualidade de vida em curso nas companhias são atividades físicas acompanhadas, orientação nutricional e estratégias de gerenciamento de stress.

“A tendência nos próximos anos é que as empresas comecem a pensar esse tipo de programa olhando cada vez mais o funcionário como um todo. Por exemplo planejando tanto atividades para a saúde física quanto para melhorar o clima organizacional”, disse Erlich.

Um ponto importante, segundo o consultor, é trabalhar a conscientização dos funcionários sobre os benefícios que um programa nessa linha pode proporcionar. “Já ouvi de muitos funcionários que ‘qualidade de vida é dinheiro no bolso’. Por isso, uma comunicação efetiva é necessária para esclarecer que há outros fatores tão importantes quanto remuneração”, comentou.

Perdas por absenteísmo

Para exemplificar o impacto de um alto absenteísmo sobre um negócio, o consultor utiliza a hipótese de uma empresa com 500 funcionários, com salário médio de R$ 1.000,00, em que cada um produz um valor quatro vezes superior ao seu custo. “Se a média anual de faltas por questões relacionadas à baixa qualidade de vida for de quatro dias por funcionário, a companhia perderá R$ 909 mil por ano”, calculou.

Esta situação hipotética foi comprovada por Erlich através de entrevistas com 15 clientes da Lumina Consultoria, quando teve a oportunidade de comparar o exemplo com situações reais. Entretanto, ele declara que já se deparou com realidades mais graves.

“Há empresas que chegam a enfrentar médias de dez dias de afastamento por funcionário, em ambientes onde cada um rende até 50 vezes mais do que seu custo para a organização. Neste caso, a melhoria da qualidade de vida dos colaboradores é imprescindível para a rentabilidade da companhia”, ilustrou.

Segmentos

Segundo o consultor, a indústria é atualmente o segmento mais engajado em aumentar a qualidade de vida de seus funcionários no ambiente organizacional. “É mais fácil avaliar a produtividade de uma pessoa na indústria, é um valor mais palpável. Da mesma maneira, é mais fácil medir quanto um dia de trabalho perdido pode prejudicar na produtividade da empresa”, avaliou Erlich.

Ele destaca que os órgãos públicos também despontam no grupo dos mais preocupados com a questão. “Vejo um movimento forte no setor público em promover qualidade de vida para seus funcionários”, apontou.

Etapas de implementação

Confira os passos para implementar um programa de qualidade de vida em uma empresa:

- Diagnóstico: levantar quais os principais problemas a serem combatidos; analisar o clima organizacional;

- Planejamento: estipular metas para o programa; formar um comitê voluntário responsável pela estruturação das ações (geralmente composto por gestores de diversas áreas, equipe de Recursos Humanos e funcionários engajados);

- Desenvolvimento: lançar o programa com evento ou ação junto aos funcionários; executar o plano de ações com foco na comunicação constante com os colaboradores; oferecer suporte para aqueles que tiverem dúvidas em relação às atividades;

- Avaliação: mensurar por meio de indicadores como satisfação dos funcionários, melhora no clima organizacional, aumento ou redução de custos com assistência médica.

Erlich considera que, para obter sucesso, o programa de qualidade de vida precisa da adesão das lideranças, além de engajamento dos funcionários. “Nesses parâmetros, uma ação como essa tem o poder de gerar mais confiança no ambiente de trabalho”, finalizou.

 

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