Criatividade no trabalho ajuda a tornar tarefas mais prazerosas e aumentar produtividade

por marcel_gugoni — publicado 14/08/2012 18h14, última modificação 14/08/2012 18h14
São Paulo - Américo Barbosa, especialista em Gestão de Pessoas, Criação e Inovação, diz que criatividade é a melhor mola para a competitividade das empresas.
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Aliar prazer e produtividade no trabalho é possível. A criatividade ajuda a encontrar processos e resultados inovadores que, na grande maioria das vezes, ajuda a melhorar o resultado pretendido com o esforço. É o que diz Américo Barbosa, especialista em Gestão de Pessoas, Criação e Inovação e professor doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP.

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“O ser humano, ao longo da vida, se torna cada vez menos criativo. Mas é essa característica que serve como primeiro passo para vencermos os paradigmas do nosso dia a dia, na empresa, em casa, na vida”, afirmou ele em entrevista ao site. O professor participou terça-feira (14/08) do comitê aberto de Secretariado Executivo da Amcham-São Paulo.

No mundo empresarial, o profissional que sabe usar a criatividade a seu favor é capaz de enxergar o que pode ser modificado em prol de prazer e produtividade e diferenciá-lo do que não muda. “O segredo está em educar a percepção e buscar não a resposta certa, mas a pergunta adequada”, ensina. “Os paradigmas são problemas que costumam se tornar definitivos na nossa mente, e a forma como lidamos com eles é que os torna inquebráveis ou não.”

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“Como uma pessoa enxerga os fatos que aparentemente não têm solução? Quem responde que determinado problema ‘não tem jeito’ ou que o modo de executar certa tarefa ‘sempre foi assim’ acostuma-se a nunca buscar uma solução criativa.”

Perguntas certas

Barbosa ilustra a criatividade com histórias de dois gênios da ciência. Isaac Newton, inglês que viveu no século XVII, revolucionou o estudo da física ao desenvolver as principais teorias da gravidade. “Se ele tivesse simplesmente reclamado porque uma maçã lhe caiu na cabeça, talvez não tivesse pensado em um modo de explicar por que aquela fruta caiu sobre ele.”

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Albert Einstein, alemão que formulou a teoria da relatividade, se tornou notável ao resolver um paradigma científico formulado por Newton 200 anos antes. “Enquanto todos os outros achavam que o problema não tinha solução, ele pensou de forma criativa para achar solução adequada”, explica.

“A primeira postura para quebrar os paradigmas é fazer as perguntas certas”, reforça. “Quando alguém vem falar que algo não tem solução ou não vai dar certo, é preciso questionar ‘por que não?’. Dizer isso de forma fundamentada ajuda a avaliar se há alguma chance de quebrar um paradigma e transformar algo impossível em um bom resultado.”

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Depois, é preciso dizer “e daí?” para os acomodados e pessimistas que previam resultados desastrosos para um projeto ou processo inovador. “O criativo deixa-se envolver pelo problema para encontrar a solução, mas não se deixa ser engolido. Essa diferença demonstra atitude proativa diante das dificuldades e vontade de enfrentá-las.”

Disseminando criatividade

Barbosa diz que o ambiente é determinante para incentivar a criatividade. “O mercado está sempre mudando. Por esse motivo, a criatividade e a inovação são as chances que as empresas têm para se renovar. Mas há empresas que pensam no mercado como algo sempre igual”, pontua. “Uma empresa criativa se faz com pessoas criativas.”

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De acordo com o especialista, é uma questão da cultura da companhia. “Uma secretária criativa vai estimular seu executivo e vice-versa. Não é preciso ser um Professor Pardal, basta buscar fazer as coisas de forma mais prazerosa, inovadora, profissional e produtiva.”

A mais famosa pesquisa sobre a capacidade criativa foi feita por dois americanos, os pesquisadores  George Land e Beth Jarman. A conclusão, publicada no livro Pontos de Ruptura e Transformação (Cultrix, 1995), mostrou que os níveis de criatividade caem drasticamente ao longo da vida.

O estudo acompanhou 1600 jovens durante 15 anos. Os testes de seleção de cientistas e engenheiros inovadores da agência espacial dos Estados Unidos (Nasa) serviram de base para o estudo. Na primeira aplicação da prova, em crianças com idades de três a cinco anos, o índice de criatividade medido pelos pesquisadores foi de 98%. Aos dez anos, esse percentual caiu para 30%, e diminuiu novamente para 12% quando os mesmos voluntários estavam com 15 anos.

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Um levantamento similar feito pela dupla, dessa vez com 200 mil adultos, verificou uma capacidade criativa de 2%. Uma das explicações para o fato é de que o ambiente – escola, família e trabalho – não incentiva a criatividade, mas a repetição de modelos já testados – e nem sempre eficientes. “Nós nos deixamos entrar na zona de conforto”, resume Barbosa.

“Mas é cientificamente comprovado que uma vida robótica é ruim porque não estimula o cérebro por novos caminhos”, elucida. “O que precisamos saber é que tudo pode ser feito, sempre, de uma maneira melhor. E, para as empresas, a mensagem é de que estimular a criatividade é o caminho para antecipar necessidades e fabricar um futuro de sucesso. A necessidade é mãe da inovação, e a criatividade, melhor mola para a competitividade [das empresas].”

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