Cultura de gestão de risco começa a se disseminar na alta administração

publicado 26/02/2016 15h23, última modificação 26/02/2016 15h23
São Paulo – Quando eram executivos, conselheiros não lidaram com áreas de gestão de risco
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Mesmo com o surgimento de estruturas de compliance nas empresas, definir limites éticos e comerciais de atuação nos negócios é assunto que começa a ganhar atenção da alta administração, segundo Camila Araújo, sócia de Enterprise Risk Services da Deloitte.

“Ainda não existe uma linha de raciocínio que abranja todo o processo de gestão de risco que seja fácil e claro para a alta administração entender e supervisionar”, afirma, no comitê de Compliance e Gestão de Risco da Amcham – São Paulo da sexta-feira (26/2).

“É muito difícil o conselho cobrar gestão de risco porque eles não conhecem muito bem os conceitos. Mas isso está mudando com a chegada de novos conselheiros, que já vêm com bagagem no assunto. Vejo que estamos em momento de transição”, argumenta Camila.

“O topo da administração tem que definir quais os riscos aceitáveis para o negócio. Mas hoje, como no passado, definir tolerância a risco ainda é um grande desafio”, continua a especialista. O motivo da resistência é que a área de Gestão de Risco é relativamente nova nas organizações, e muitos conselheiros não lidaram com a atribuição quando eram executivos.

Outro ponto de resistência é que estabelecer limites operacionais e éticos também vem com atribuição de responsabilidades – o que também gera resistências. “Uma vez definido o apetite por risco, se algo acontece, a pessoa se enxerga como responsável e cai no accountability (prestação de contas) da empresa”, continua a executiva.

É por isso que a definição de limites deve ser feita através dos comitês de gestão de risco, segundo Camila. “A tendência é que tudo será feito em conjunto para compartilhar o risco e a tomada de decisão. Assim fica mais fácil dizer o que é tolerável ou não.”

A Deloitte possui uma metodologia de gestão de riscos que costuma aplicar em clientes, baseado na estratégia da companhia, cultura organizacional e governança corporativa. “O grande diferencial dessa metodologia é sempre olhar onde a companhia quer chegar e quais valores está colocando nisso.”

Para Camila, uma boa gestão de risco se reflete na preservação de valor. “Monitorando riscos, se evita perdas operacionais e impactos negativos de reputação.”

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