Cultura de inovação é melhor diferencial, sustenta diretor técnico da Tecnisa

por marcel_gugoni — publicado 18/04/2012 17h23, última modificação 18/04/2012 17h23
São Paulo – Empresa que produz informação estratégica de fácil acesso, simples de entender e útil sai na frente das demais do mercado.
fabio195.jpg

Ao entrar em um apartamento, qualquer um é capaz de identificar, a partir de uma olhada rápida, os elementos usados no acabamento, na produção e outros detalhes técnicos. Fábio Villas Boas, diretor técnico da construtora Tecnisa, afirma que o segmento não tem segredos não possam ser copiados. “O diferencial da nossa empresa aparece na cultura de inovação e nos processos, não no produto.”

Veja mais: Conhecimento é capital que mais gera competitividade, avaliam especialistas em inteligência de mercado

Ela debateu o tema com executivos da área de inteligência competitiva no seminário “Gestão da Informação e do Conhecimento”, realizado pela Amcham-São Paulo nesta terça-feira (17/04). “O produto tem sempre algum diferencial, mas não é uma coisa duradoura, que vá se manter por anos. O segredo é se reinventar constantemente e ter um processo consistente, com uma cultura empresarial disseminada entre os funcionários”, defende.

Veja mais: Inteligência e gestão do conhecimento são ativos estratégicos para monitorar cenários e gerar negócios 

Para isso, ele diz que a empresa gosta de ouvir os clientes, as reclamações e os elogios sobre o produto oferecido. 

“Estamos em todas as redes sociais e isso amplia os canais de contato para sabermos o que gerou insatisfações nos clientes. O segredo está no modo como usamos essas informações”, diz. Poder atender rapidamente uma solicitação ou consertar um problema é questão de encaminhamento “Temos que descobrir essas coisas que as pessoas gostam e estimulá-las.” 

Veja os principais trechos da entrevista com Fábio Villas Boas: 

Amcham: Por que o sr. diz que a tecnologia é a melhor aliada e a pior inimiga da inteligência competitiva?

Fábio Villas Boas: Vemos uma produção cada vez maior de informação, toneladas de dados com infinitas possibilidades, mas que, se não forem bem analisadas e tratadas, não servirão para nada. Hoje, qualquer um é capaz de buscar uma informação na internet e encontrar respostas para dúvidas pontuais com um clique. Com inteligência de mercado não é diferente. A informação produzida pela empresa tem que ser de fácil acesso, simples de entender e útil. Se ela não tiver essas três características, é difícil compreender a infinidade de dados existentes. O conhecimento hoje tem validade cada vez mais curta e a TI [a partir da programação humana] serve para analisar qual informação é interessante, qual vale manter e qual vale descartar.

Veja aqui quais são as vantagens de ser sócio da Amcham

Amcham: A inovação é um diferencial competitivo?

Fábio Villas Boas: Com certeza. No nosso segmento, por exemplo, o desenvolvimento é quase diário, e não há algum segredo que não dê para copiar. É diferente da área farmacêutica, em que o desenvolvimento de um produto exclusivo demora anos e é caro. O diferencial da nossa empresa aparece na cultura de inovação e nos processos, não no produto. O produto tem sempre algum diferencial, mas não é uma coisa duradoura, que vá se manter por anos. O segredo é se reinventar constantemente e ter um processo consistente, com uma cultura empresarial disseminada entre os funcionários. Buscamos o que chamamos de MPC, ou “montão de pequenas coisas”, isto é, a nossa diferenciação tangível para que o cliente saiba o que fazemos por ele que os nossos concorrentes não fazem. Não há cultura de inovação forçada. Tudo tem que ser natural. Senão se gasta muita energia atrás de resultados pífios. E as pessoas têm que comprar a ideia, vestir a camisa. Uma das dificuldades, atualmente, é que muitos profissionais têm comprometimento consigo mesmos, não com as companhias.

Quer participar dos eventos da Amcham? Saiba como se associar aqui

Amcham: Com o avanço da tecnologia, a informação é acessível em volumes cada vez maiores. Como transformar isso em conhecimento?

Fábio Villas Boas: A informação é uma coisa muito efêmera. Ela corre rapidamente e, se antigamente havia a necessidade de uma formação geral e de conhecimento mais amplo, hoje cada um busca a informação de que necessita, usa e depois descarta. É muito comum ficarmos falando sobre gestão do conhecimento e não conhecermos nossos próprios funcionários, nossos clientes, nossos fornecedores. Com nossos clientes, por exemplo, queremos o feedback dos proprietários para defeitos, problemas e qualidades dos apartamentos. Para obter essa informação, temos que estar dispostos a ouvir as pessoas. Estamos em todas as redes sociais e isso amplia os canais de contato para sabermos o que gerou essas insatisfações dos clientes. E não podemos alimentar essas fontes de qualquer jeito: é preciso produzir o conhecimento de forma a atrelar seus resultados à estratégia da empresa. O segredo está no modo como usamos as informações. Tudo está atrelado ao uso – se achamos que algo é bom para nós mesmos, incorporamos. Não é preciso ensinar ninguém a fazer algo de que gosta. Nosso segredo está em descobrir essas coisas que as pessoas gostam e estimulá-las. Forçar alguém a fazer alguma coisa de que essa pessoa não gosta significa ter um mau resultado. A gestão do conhecimento procura achar o lugar em que cada um se insere melhor. Temos que ouvir muito, para filtrar todas as informações e tirar proveito delas. E, se achamos que a construção de conhecimento é uma coisa cara, imagine ficar na ignorância. 

registrado em: