Cultura organizacional precisa ser adaptada à nacional, diz especialista

publicado 08/07/2014 11h08, última modificação 08/07/2014 11h08
São Paulo – Para diretor da ABRH-SP, empresas precisam adaptar ambiente corporativo de acordo com o país em que atua
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A cultura organizacional tem se destacado como prioridade para muitas empresas, mas ainda há muito para aprender sobre ela. Isso é o que diz Almiro dos Reis Neto, presidente da Franquality e diretor da Associação Brasileira de Recursos Humanos de São Paulo (ABRH-SP), que esteve na Amcham em 03/07, em palestra ao comitê estratégico de Gestão de Pessoas.

“Muitas empresas procuram construir uma cultura diferente sem saber exatamente o que têm hoje”, revela. Para ele, o primeiro passo para fazer eventuais transformações na companhia é conhecer bem a cultura da organização e do país em que atua. “O diagnóstico é uma oportunidade de discutir temas importantes para a empresa e gerenciar sua própria cultura de maneira mais consciente e focada”, diz.

De acordo com ele, alguns direcionamentos das empresas – como alto desempenho, foco em qualidade de vida, diversidade social, comunicação ampla ou restrita – estão diretamente relacionados à cultura dos países onde estão presentes. “A Holanda e a França, por exemplo, têm uma clara escolha por qualidade de vida. Isso não significa que as pessoas desses países não trabalham, mas que elas colocam limites”, diz. “É claro que não é uma regra para todos, mas provavelmente será mais difícil de encontrar workaholics nesses lugares.”

Uma ferramenta para analisar a cultura de uma companhia que Neto utiliza em sua consultoria de recursos humanos e recomenda é a metodologia de Hofstede, pioneiro no estudo da relação entre cultura nacional e organizacional. Ele conta que o psicólogo foi contratado pela IBM nos anos 70 para fazer um estudo sobre a pesquisa de clima na empresa e constatou que, em cada país, o comportamento dos colaboradores era diferente.

“Mesmo tendo procedimentos padrão em todas as unidades, as pessoas levam em consideração suas culturas originais”, explica. “No escritório da China, por exemplo, os funcionários não questionavam os chefes em momento algum. Nos Estados Unidos, pelo contrário, eles se sentiam mais à vontade para discutir com os líderes.”

Neto, que foi diretor do Mc Donald’s no Brasil, conta que a rede de fast food é um bom exemplo de como adaptar a cultura organizacional nos diferentes países em que atua. “São feitas adaptações de acordo com a cultura local para atender melhor os clientes. Na Alemanha, por exemplo, o Mc Donald’s vende cerveja. No Brasil, não, porque é um costume do brasileiro sentar e ficar horas bebendo cerveja. Aqui é vendido guaraná, produto típico do país”, diz.

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